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27-07-2015

Aos 17 anos, Iasmin Roloff Rutz é agricultora e representante de 24 famílias rurais


Foto: Xiru Gonçalves Iasmin participa da Feira Sabores da Terra há dois meses

Natural de Coxilha dos Cunha, interior de Canguçu, adolescente é uma das responsáveis pela feira de produtos coloniais que acontece todas as segundas na cidade


Inaugurada há pouco mais de dois meses, a feira Sabores da Terra tem uma jovem de 17 anos como representante das 24 famílias de agricultores que integram o projeto. Num período de crescentes debates sobre a igualdade de gênero, o grupo de produtores ligados à Cooperativa União demonstra que a questão avança também no meio rural.



Descendente de imigrantes pomeranos, Iasmin Roloff Rutz não ficou assustada com a escolha de seu nome para a coordenação. No espaço onde comercializa frutas, verduras, legumes, licores e pães, a adolescente conversou com o Jornal Tradição Regional sobre os principais desafios da agricultura e perspectivas para os trabalhadores do campo.


Para ela, a produção de alimentos precisa caminhar para uma base ecológica, sem a aplicação de agrotóxicos e outros produtos prejudiciais à saúde. “Comecei a despertar para isso quando meu irmão mais novo fez um transplante e toda a família começou a procurar alimentos mais saudáveis para o consumo”, recorda. No ensino médio - concluído no ano passado - a produção orgânica foi o tema escolhido para pesquisa na disciplina de Seminário Integrado.


Com o apoio da família, Iasmin começou a influenciar mais nas decisões e os Roloff foram, gradativamente, diminuindo a cultura do tabaco e ampliando a produção de alimentos. Todas as segundas-feiras, dia de comercialização na cidade, a jovem se desloca da residência onde vive, na localidade de Coxilha dos Cunha, para atender os consumidores. “Posso garantir a qualidade dos produtos porque fui eu que produzi”, argumenta, orgulhosa, ao relatar que já vendeu cerca de R$ 400 em apenas um dia.


Do período em que não tinham horta, a jovem recorda o encantamento que sentia de chegar ao setor de hortifrutigranjeiro nos mercados. “Eu ficava pensando ‘nossa, aqui tem tudo’. Me alegrava ver tantas frutas, legumes e verduras reunidos”, conta. Anos depois, o antigo encantamento ganhou um novo significado. “Agora nós, agricultores, temos tudo e, ainda por cima, podemos vender para eles”, compara.


Nas reuniões de preparação para o início da feira, a adolescente era uma das que mais opinava. Ela acredita que essa postura participativa foi decisiva para que as 24 famílias de agricultores a escolhessem como representante do grupo. Além dos debates e reuniões, Iasmin gosta mesmo é do trabalho no meio rural, onde faz questão de participar de todo o processo de preparação da terra, plantio e colheita. “Tenho adoração pela vida no interior. Para mim não tem preço chegar na horta de manhã, ver que as sementes germinaram, que os produtos estão prontos para serem colhidos”, define.


O contentamento com o presente abre várias possibilidades para o amanhã. A jovem agricultora pensou em cursar Agronomia, mas agora está decidida por uma licenciatura em História. O futuro? Ser professora de escola rural, manter uma horta orgânica e servir de exemplo para os alunos, demonstrando na prática que a produção de alimentos saudáveis faz bem à vida. Se depender de Iasmin, a sucessão familiar no campo já está garantida.


Herança dos avós


Quando os avós - Elia e Helmiro Roloff - deixaram a localidade de Paraíso, interior de Canguçu, em busca de dias melhores na lavoura, certamente não imaginavam que, anos depois, este trabalho teria a neta à frente das principais decisões. A história da família Roloff é semelhante à de muitos grupos rurais brasileiros. Sem terra para plantar, Helmiro cultivava a terra alheia através do sistema de terça, onde o proprietário da lavoura tem direito a um terço da toda a produção. Com a mudança para a localidade de Coxilha dos Cunha, veio também a realização de um sonho: o casal adquiriu três hectares e, a partir daí, passou a ter direito integral sobre os produtos que colhia. Mais tarde, uma das filhas de Helmiro e Elia casou e teve também uma filha - Iasmin - que passou a acompanhar cada vez mais de perto a produção agrícola.


A feira Sabores da Terra


Iasmin é a representante das famílias agrícolas na feira que comercializa produtos coloniais todas as segundas, na Avenida Exército Nacional (em frente à UNAIC). O grupo se define como uma união de agricultores em busca da segurança e soberania alimentar da comunidade. A iniciativa ocorre por meio de uma parceria entre Cooperativa União, Emater e Prefeitura de Canguçu. Uma das novidades é a forma de pagamento, já que os produtos podem ser comercializados também através de cartões de crédito (Mastercard, Visa e Banricompras). O atendimento ao público ocorre entre 14h e 19h.


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