S�bado, 27 de junho de 2026, 16:15h
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Antes do início da feira, Associação de Criadores de Gado Jersey de Pelotas já contava com 130 animais inscritos no evento
A 89ª Expofeira segue um caminho de transformação, onde o enfoque deixa de ser apenas as exposições, tornando o evento uma conferência rural, com outras atrações. Essa transformação exige a colaboração de todos que participam da feira, como é o caso da Associação de Criadores de Gado Jersey que, dentro dessa proposta, leva atrações que contribuem para essa transformação. Quem explica isso é o presidente da associação, Elton Butierres, que lembra que entre a programação da entidade, está uma palestra no sábado (10), com um geneticista que passa a maior parte do tempo nos Estados Unidos. Ele é responsável por fazer a seleção, em uma companhia, do gado que entra no Brasil, e na palestra, irá falar das ferramentas para fazer a seleção genética dos animais para que os produtores possam melhorar a qualidade dos rebanhos. Além disso, o palestrante também será o responsável por fazer o julgamento de pista da raça. Até a ocasião em que Butierres conversou com o Jornal Tradição Regional, pouco antes do início da feira, já havia 130 animais inscritos. No julgamento, os animais são divididos em categorias por idade. Em cada categoria, todos os animais são postos na pista, sendo comparados e diferenciados entre eles, criando assim uma seleção. Depois, são escolhidos os dez melhores. O julgamento ocorre no sábado (10) e domingo (11). Outra atividade importante é o leilão, onde serão ofertados animais da mais alta qualidade, vendidos em 15 parcelas sem juros. A média de preço fica em torno de R$ 6 mil, embora em alguns casos o preço possa chegar aos R$ 8 mil. Já o concurso de puxador mirim, na segunda-feira (12), tem o objetivo de influenciar os jovens a continuarem na produção de leite e animais. “Isso é muito importante. Do contrário, essa atividade irá se perder com os mais velhos”, diz. Peculiaridades da raça O gado Jersey possui algumas peculiaridades. Uma delas é sua longevidade. Em alguns locais, é possível encontrar animais com cerca de 18 anos de idade. Isso traz benefícios para a produção pois, de acordo com Butierres, vacas mais velhas são mais produtivas. A quantidade de produção de leite de um animal é variável de acordo com a idade. Mas, em média, a produção normal é de 4 mil litros anualmente. Há também a precocidade do gado Jersey, que reproduz mais cedo que as demais raças. Butierres destaca, ainda, a qualidade do leite. “Hoje se busca no mundo um maior teor de proteínas, que é a chave do comércio de alimentos. E a característica do gado Jersey é produzir leite com alto índice de proteínas”, afirma, explicando que, além das proteínas, o leite Jersey também é cobiçado pelo índice de gordura. “Diga-se de passagem, não é uma gordura prejudicial, e isso já foi analisado em outros países”, afirma, relatando que a indústria lucra desnatando 3% do leite, com o resto sendo utilizado para a produção de produtos como iogurte e manteiga. Por isso, a maioria das indústrias possui núcleos fortes de Jersey em suas produções. A raça, provavelmente originária da ilha britânica de Jersey, e que foi trazida para o Brasil em 1896, também se adapta com facilidade a diferentes tipos de clima, sendo considerada uma raça cosmopolita. A vaca dessa raça também gosta muito de sol. “Pode estar um grande calor, mas ela fica deitada no sol. Ela se adapta fácil ao calor, por isso está crescendo tanto no Brasil.” Registro genealógico Butierres explica que para participar de uma exposição como a Expofeira, o animal precisa ter um registro genealógico, como uma certidão de nascimento. As associações de gado são verdadeiros cartórios, com as gerações anteriores das vacas sendo registradas pelo Ministério da Agricultura, o que gera confiança nos animais. “Se não há esse registro, o sujeito pode comprar uma vaca amarela, pensando que é Jersey, e ela ser apenas um fenótipo com 50% da raça. Por isso eventos como a Expofeira são recomendáveis.” A exposição não visa lucros, sendo utilizada como ferramenta de divulgação da raça e de incentivo para a metade Sul, já que, na região, não foi registrada fraude de leite. Associação A Associação de Criadores de Gado Jersey de Pelotas conta com aproximadamente 25 sócios. Essa associação, no entanto, é voluntária, e nenhum deles paga anuidade. O que mantém a entidade são os patrocinadores.
Redator: Tradição Regional
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