S�bado, 27 de junho de 2026, 16:14h
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Normalmente, quando se fala em Expofeira, a maioria das pessoas lembra dos bovinos, equinos e ovinos. No entanto, um outro setor também ocupa um espaço importante na feira, mas ainda sofre com a pouca divulgação e, consequentemente, com o pouco conhecimento da comunidade. Mesmo assim, a Sociedade Avícola está, todos os anos, preenchendo o seu espaço no evento com aves diversas e animais de pequeno porte. E na 89ª edição da Expofeira, não é diferente.
O objetivo da entidade, como explica seu presidente, João Bergmann, é manter raças puras. Atualmente, eles são donos de um dos melhores bancos genéticos de todo o país, apesar da comunidade da região Sul conhecer pouco este trabalho, e possuem uma extensa quantidade de raças. Entre elas estão as americanas, como a New Hampshire; raças inglesas, como a Orpington Amarela e Negra; e as asiáticas, como as Brahmas e o Coxim. Além disso, eles também mantêm as miniaturas para embelezamento, como Nagasaki Branco e Rosecomb Negro.
As aves e os pequenos animais entraram na Expofeira na segunda-feira (5). No galpão da Sociedade Avícola, estão em exposição cerca de 180 aves de raças puras, 60 mini Nagasakis e mini Coxins, e 40 exemplares de coelhos, além de pavões, perus, patos, gansos, pássaros, e mini marrequinhos, muito usados como adornos para jardins. Ao todo, são cerca de 300 animais, fora os pássaros, que além de estarem presentes para exposição, também estão sendo vendidos. “O produtor precisa fazer receita para bancar os custos de ração e melhoramento, que são muito difíceis”, explica Bergmann, relatando que muitos criadores desistem da atividade por não conseguirem suportar os custos. De acordo com ele, uma ave macho tem o custo, na Expofeira, de aproximadamente R$ 150, e uma fêmea, R$ 130. O preço pode ser considerado bom, já que, na Expointer, a média do valor era de R$ 250.
O trabalho para a qualidade dos animais é feito através da seleção das aves. As que fogem do padrão não são selecionadas. “Tentamos sempre ir ao topo da qualidade da raça.” Para isso, existem juízes e a formação de grupos jovens de universitários do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Os jovens, aliás, estão fazendo falta na Sociedade, como explica o presidente, recordando que participou de sua primeira exposição quando tinha 14 anos, em 1968. Porém, ele frisa que, embora se deva começar cedo na atividade, jamais se deve abandonar os estudos. “O jovem não pode achar que isso vai lhe deixar rico. É um vício, terá o prazer de ter aquelas aves, vai ter atenção, vai ter carinho. Mas nunca se deve deixar de ter outro ganho, pois há o preconceito e as dificuldades do setor avícola, pelo custo e pelo trabalho”.
Para Bergmann, é necessário fomentar e divulgar mais o setor, bastante esquecido em Pelotas, mesmo sendo uma atividade que ele considera bonita. O pavilhão da Sociedade Avícola na Expofeira é um dos mais procurados por crianças e idosos, que gostam e se encantam com os pequenos animais, capazes de gerar muita alegria em qualquer sítio. Ele cita, também, que seria importante a existência de uma cooperativa que desse auxílio através de técnicos às pequenas famílias do interior. “Desta forma, seria possível fazer Pelotas crescer, gerar empregos e melhorar a qualidade de vida.”
Prestes a completar 100 anos em 2016, a entidade também sofre com a falta de patrocínios. “Nós queremos mostrar o nosso trabalho, mas precisamos pagar para fazer isso. E o produtor não sabe se irá ter retorno para cobrir as despesas. Todos trabalhamos com restrições e dificuldades. Precisamos ter um apoio melhor para exposições que, se bem divulgadas, terão prestígio e bastante público em qualquer lugar”, diz.
A Sociedade Avícola tem 20 sócios, e de todos eles, Bergmann é o que está a mais tempo, tendo a atividade como uma paixão e sempre lutando por ela. Esta paixão, como ele recorda, veio através dos coelhos. De acordo com Bergmann, os animais pequenos podem ser um bom presente, além de um incentivo, para crianças que vivem em locais com algum espaço, mesmo pequeno, que propicie suas criações. “É uma atração que elairá ter. A criança vai se dedicar, cuidar, além de preencher o tempo que estiver vago”, declara, lembrando que isso fez bem a ele mesmo quando jovem. Esta postura ele também adotou para com as cinco filhas. “Criei minhas filhas sempre criando minhas aves”, brinca. Embora ele mesmo assuma que, talvez, em outra profissão, ganhasse mais dinheiro, o presidente da Sociedade não tem dúvidas ao dizer que faz o que gosta.
Redator: Tradição Regional
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