S�bado, 27 de junho de 2026, 12:19h
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A invasão de uma propriedade rural no interior de São Lourenço do Sul pelo Movimento dos Sem Terra (MST) tem gerado polêmica e dividido opiniões entre os que apoiam os integrantes do movimento, que alegam que o local está improdutivo, e os que apoiam os donos da propriedade e condenam a invasão.
Uma das entidades que demonstra insatisfação com a invasão é o Sindicato Rural de São Lourenço do Sul, que vem dando apoio na resolução do problema e cobra a retirada dos membros do MST. Segundo o presidente do sindicato, Luiz Roberto Saalfeld, o único crime que ocorreu foi a invasão. Eles entraram durante a madrugada de 18 para 19 de outubro, armados e com mais de 20 motos.
A propriedade, que segundo ele tem 636 hectares, fica na localidade de Prado Novo, no 5º distrito, e pertence a um grupo chinês desde 2008, que veio para plantar soja no local. “Eles são pioneiros na produção de soja e usam tecnologias de ponta”, explica. No local, são plantadas 400 hectares de soja e 50 hectares de arroz. Embora pertencente a grupo estrangeiro, o maquinário e a mão de obra são do Brasil.
O presidente da entidade diz que essa é uma situação nova no município, e que por isso existe um forte clima de tensão, com os produtores ao redor com plantações paradas, já que ficam vigiando durante quase todo o tempo. “Já estamos com a safra atrasada por causa da chuva, e os vizinhos dessa propriedade ainda são prejudicados por essa invasão”.
Saalfeld explica que o anseio da comunidade é fazer com que o MST saia do local e não retornem. Os advogados da empresa proprietária fizeram um boletim de ocorrências no dia 19 de outubro. No dia 20 foi feito o pedido de reintegração, que no dia 21 foi despachado. Nesse dia, os sem terras foram intimados a saírem da propriedade em 24 horas, e foi exigido também que eles usassem a mesma organização que utilizaram na invasão para saírem do local. A espera agora é pelo cumprimento da reintegração de posse pelas autoridades do Estado (Brigada Militar) determinada pelo judiciário. A informação é de que estariam juntando contingente para tentar de forma passiva fazer a desocupação do local. O que o sindicato questiona é quando isso será feito, já que os trabalhadoresestão assustados e acuados, sem poder trabalhar. “O que estamos pedindo é que o Estado nos dê apoio para identificar um por um dos invasores, pois planejamos processá-los”, alega Saalfeld, lembrando que o movimento deixa apenas os moradores entrarem no local.
Mesmo com pedido de reintegração, MST planta em fazenda ocupada
As 400 famílias integrantes do MST que ocuparam a Fazenda Sol Agrícola na semana passada começaram a plantar nas terras.
O plantio ocorreu mesmo após o pedido de reintegração de posse ter sido emitido no dia 21 pela justiça do município. O MST diz que a ação é justamente um manifesto contra o pedido da justiça. A plantação é de 30 kg de milho e 500 mudas de rama de mandioca, além de feijão. “Não vamos sair, vamos permanecer nessa área que está improdutiva e nas mãos do capital estrangeiro”, disse Aida Teixeira, da coordenação estadual do MST.
A Brigada Militar do município e o comando regional estão preparando a ação de retirada das famílias, o que pode ocorrer a qualquer momento.
Até que o problema da falta de terra das famílias seja resolvido, a intenção é tornar a fazenda produtiva. “Com a produção queremos mostrar à sociedade que reivindicamos terra para poder viver e produzir. Podemos até não colher o que estamos plantando hoje, mas alguém fará e saberá que essas terras que não estavam produzindo podem gerar alimentos saudáveis”, explica Aida.
Redator: Tradição Regional
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