Sexta, 26 de junho de 2026, 22:55h
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O presidente da Cosulati, Arno Kopereck, com o projeto do novo frigorífico, ainda sem data para ser viabilizado pela falta de repasse dos recursos já aprovados; Ao seu lado, o vice-presidente José Carlos Senhorinha
Abatedouro de aves de Morro Redondo será temporariamente desativado, caso a situação não seja contornada
O segmento da avicultura teve início na Cooperativa Sul-Riograndense de Laticínios Ltda. (Cosulati) em 1986. Na época, havia uma necessidade de diversificação na matriz produtiva do campo, indo além da produção leiteira. Um projeto relativamente pequeno, de 1.000 aves por produtor, motivou a abertura de um frigorífico em Povo Novo, Distrito de Rio Grande. A fórmula funcionou até 1990, quando houve uma reestruturação em toda a Cooperativa, momento em que a fábrica de queijos de Morro Redondo foi realocada na fábrica de laticínios, em Capão do Leão, para dar lugar ao frigorífico, que agora passava de Povo Novo para Morro Redondo.
Em 1991, o local registrava o abate de até 25 mil aves por dia, com um módulo de 2.500 aves por produtor. Com o tempo, o módulo crescia enquanto os custos de produção seguiam o mesmo caminho. Quem explica a trajetória do setor avícola da Cosulati é o presidente da Cooperativa, Arno Alfredo Kopereck. Ele conta que, em um sistema integrado com os produtores, a marca de 20.000 aves chegou a ser atingida.
Com a possibilidade de aumento na produção, registrou-se que, no entorno de 60 km de Morro Redondo, estavam localizados 60% dos criadores de frango. A logística era favorável. Simultaneamente, a fábrica de rações foi realocada. “Fomos para Canguçu, pois em Capão do Leão a fábrica ficava próxima à torre de secagem de leite em pó e o pó do milho seria um agravante. Escolhemos Canguçu porque foi, por quatro vezes, o maior produtor de milho do Estado”, conta. Entretanto, o presidente revela que nunca foi dito que lá existiam 15 mil pequenos produtores e que o milho ficava nas propriedades, com uma quantia pequena de sobra para o comércio.
O secador de milho, em Canguçu, chegou a receber até 197 mil sacos de milho. Após a marca, houve uma grande queda. Neste ano, por exemplo, 35 mil sacos foram recebidos. Ou seja, o volume de milho para ração recebido já não era compatível com o consumo necessário para a produção. “Nós não vivemos, neste momento, o mesmo Brasil de 2014. Neste ano, os bancos restringiram os financiamentos e os recursos disponíveis também foram restringidos”. Enquanto fazia esta análise, Kopereck mostrava o projeto do novo frigorífico de Morro Redondo, com o aval do Ministério da Agricultura, além de terreno, localização e recursos já aprovados, mas sem repasse dos governos estadual e federal.
“Em junho de 2015, nós pagávamos R$ 29 por saca de milho de 60 kg. No mesmo mês, a tonelada do farelo de soja custava R$ 980. Em dezembro, a tonelada do farelo de soja chegou a R$ 1.570. O milho está por R$ 49. Os demais produtos que compõem a ração são importados e quando sobe o dólar, as empresas acompanham o ritmo”, explica.
Kopereck cita que a resistência de outras cooperativas é a exportação, realidade distante da Cosulati, que não possui volume para exportar, a não ser que a nova planta do frigorífico, com capacidade para produção para até 100 mil aves, se tornasse uma realidade. “Continuar na avicultura, neste momento, é suicídio”, enfatizou o presidente.
Foi feito um levantamento de todos os recursos aprovados a favor da Cooperativa, no entanto, os repasses não têm previsão de acontecer, algo que, segundo Kopereck, está atribuído à alta dos juros de financiamento e a falta de recursos federais e estaduais.
“Nós decidimos que aquilo que estiver dando prejuízo para a Cooperativa será suspenso, temporariamente ou definitivamente”, disse ele, enfatizando que os gastos na produção não possibilitam a continuidade do trabalho.
Depois de uma reunião com os produtores, foi decidida então a suspensão estratégica de quatro a seis meses dos serviços no abatedouro de Morro Redondo. No dia 11 de dezembro, foi feito o último alojamento, que será abatido dia 21 de janeiro, sendo o último abate programado. Kopereck adianta que há uma negociação com três cooperativas do Estado, buscando uma parceria. “Oferecemos a elas a possibilidade de integração, com o apoio financeiro em troca do empacotamento das marcas”.
Funcionários
Arno Kopereck explica que ainda não é possível ter uma resposta definitiva sobre a situação dos funcionários, antes de ter a resolução da possível integração com as outras cooperativas. “Precisamos ver o que é menos prejudicial. São 71 produtores de aves. 266 famílias [dos funcionários] perdendo a oportunidade de trabalho. Alguns dos produtores podem migrar para a produção leiteira, agora estes outros não. Morro Redondo terá uma diminuição de arrecadação de mais de 50%. É complicado”, avalia.
Kopereck lamenta que a época tenha sido atingida por este fato e espera que as pessoas mantenham a esperança. “Confiem em nós, pois estamos fazendo o máximo para que não ocorra o pior. Nós somos produtores também e não é isso que gostaríamos de fazer”. Ele finaliza garantindo que se o projeto do novo frigorífico for viabilizado financeiramente, Morro Redondo será o município escolhido para recebê-lo.
Redator: Tradição Regional
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