Sexta, 26 de junho de 2026, 05:11h
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No dia 11 deste mês, em Morro Redondo, a Cooperativa Terra de Quilombo se reuniu com as entidades parceiras para a elaboração do planejamento de 2016, englobando a comercialização dos produtos produzidos pelas famílias quilombolas que são sócias da Cooperativa.
Estiveram presentes na reunião o prefeito Rui Brizolara; o vice-prefeito Diocélio Jaeckel; o vereador Anderson Güths; o presidente da comunidade Quilombola Vó Ernestina, Silvio Barboza; o representante da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo e do Departamento de Quilombolas, Sergio Dorneles; a coordenadora Estadual da Agricultura Familiar, Rita Miranda; o presidente da Cooperativa Terra de Quilombos, Charles Dias da Silva; o presidente da Federação Estadual de Quilombolas do RS, Antônio Soares; o deputado estadual Zé Nunes; o representante do Sistema de Cooperativa de Crédito (Crehnor), Claudionor Almeida; o vice-prefeito de Jaguarão, Lizandro Lenz; o pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Jorge Signorini; o representante do Grupo Hospitalar Conceição, de Porto Alegre, Richard Gomes; além de quilombolas das cidades de Arroio do Padre, Jaguarão, Pelotas, Turuçu, Morro Redondo, Canguçu e São Lourenço do Sul.
O objetivo, segundo Charles Silva, foi “organizar a produção dos quilombolas para que possamos fornecer alimentos saudáveis para o Grupo Hospitalar Conceição, de Porto Alegre, e discutir sobre outras oportunidades de comercialização na produção do mercado institucional local e regional”. A iniciativa irá viabilizar o acesso das comunidades produtoras de alimentos a novos mercados de comercialização.
A Cooperativa reúne 30 comunidades quilombolas. A sede será em Morro Redondo, há 296 km de Porto Alegre, em um terreno doado pelo prefeito, e será construída ao lado do salão da sede da Vó Ernestina, em frente ao campo do Índio.
Segundo o presidente da Federação das Comunidades Quilombolas do RS, Antônio Soares, a iniciativa ganhou mais força depois que o Grupo Hospitalar Conceição abriu o primeiro edital para compra de produtos de comunidades quilombolas, em 2015. O edital previu poucos produtos, pelo fato de ser uma experiência. A iniciativa do Grupo foi importante, pois motivou as comunidades que produziam e não tinham como escoar a produção. “Com esse edital, em 2016, podemos planejar e ter uma renda melhor para as famílias”, diz Soares. Já o presidente da Vó Ernestina, Silvo Barboza, relatou que é importante as comunidades quilombolas se unirem e se organizarem para produzir alimentos saudáveis e sem agrotóxicos.
Gomes, do Grupo Hospitalar Conceição, falou que “para 2016, poderemos adquirir 27 tipos de produtos da agricultura familiar da Cooperativa Terra dos Quilombos, totalizando 200 toneladas e envolvendo um montante de R$ 600 mil. Para isto, o quanto antes, os quilombos necessitam se reunir para discutir qual a capacidade real dos produtos listados poderão nos entregar. Esta Cooperativa será um marco para os quilombolas de todo o país, pois é a primeira do Brasil e sai um pouco do lado social, entrando no desenvolvimento econômico”.
Dentre os produtos que poderão ser comercializados estão cebola, feijão, alho, abóbora, alface, batata, laranja, limão, tangerina, berinjela, melancia, espinafre, nabo, batata doce, brócolis, couve-flor, chuchu e temperos, como alecrim, tempero verde, coentro e tomilho.
Finalizando, o presidente da Cooperativa adiantou que visitará, nos próximos dias, cada uma das associações para organizar quais os produtos e produtores participarão da chamada pública do Conceição. “Precisamos ter a garantia de entregar a quantidade de produtos que constará no contrato. Essa oportunidade que foi nos dada será uma ótima divulgação dos quilombolas, já que os produtos terão um selo, será divulgado um vídeo institucional pelo governo e uma revista circulará por todo o Brasil. Dependendo da qualidade, do compromisso firmado e do êxito, novas portas de negócio poderão se abrir para nós futuramente”, diz Silva.
Sobre o problema de que a maioria dos quilombolas não possuem áreas para plantar (grande parte produz em terras arrendadas ou dos patrões), Gomes garantiu que no mês de março deverá ser realizada uma reunião no município para debater o programa Terra Negra. O programa poderá repassar terras do governo para os quilombolas, somente com a finalidade de plantar ou de conceder créditos para quilombolas adquirirem terras e aos que possuem interesse de integrar em seus projetos da agricultura familiar e garantir a permanência de jovens, mulheres e familiares no meio rural.
Durante a atividade, a coordenadora de Etnias da Secretaria de Cultura, Turismo, Juventude e Mulheres de Canguçu, Maica Tainara Soares Ferreira, informou que as mulheres quilombolas da Cooperativa estão formando um grupo chamado “Dandaras”, para organizar e buscar fomentos para a agricultura praticada pelas mulheres quilombolas.
Redator: Tradição Regional
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