Sexta, 26 de junho de 2026, 02:21h
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Lavoura em Pedro Osório foca na produção da Manchester, a melancia mais valorizada atualmente
Os caminhões lotados de melancias até o topo e os campos cheios da fruta chamam a atenção de quem passa pela lavoura do produtor Arlei Costa, em Pedro Osório.
Há cinco anos, ele e seu irmão Juarez Costa são os encarregados da plantação de melancias em sociedade com outro produtor da região, que também planta soja e arroz.
Para trabalhar na colheita da melancia, há quatro anos o goiano Charles Bronson vai anualmente a Pedro Osório. Ele integra a equipe formada por mais 14 goianos, além dos pedro-osorienses. Costa explica que é necessária mais mão de obra para a colheita que para o plantio. Assim, a equipe da qual Bronson faz parte vem em janeiro e fica por 45 dias para trabalhar junto à equipe local.
Em Uruana, Goiás, cidade da qual os trabalhadores vêm, a produção da melancia também é grande. Segundo eles, os funcionários do sul não estão tão preparados para lidar com a fruta quanto os de lá, que já crescem aprendendo as técnicas. “Melancia não é fácil, é igual a mexer com uma criança, tem que cuidar bem”, conta Bronson.
A produção da melancia, portanto, deve ser cuidadosa. A fruta precisa de sol e chuva. O plantio é feito entre outubro e início de dezembro, quando o clima é mais propício na região, e os dois meses seguintes são para a colheita. Há duas formas de colher, ambas manuais. A mais segura é transferir diretamente para o caminhão que fará o transporte, envolvendo-a em feno, para evitar que a fruta fique machucada. Quando é necessário transferir primeiro para o reboque e depois para o caminhão, o risco de descarte é maior.
Além disso, o custo de produção é alto. Para cobrir os gastos e dar lucro, o preço de venda precisa ser bom. Com a concorrência vinda de outras lavouras da região, e principalmente de São Paulo, o valor oscila bastante. Há duas semanas, o quilo chegou a custar R$ 1,10, vendido diretamente da plantação. Depois baixou para R$ 0,50. Para o consumidor, o preço é maior.
A expectativa de produção para este ano era maior do que o ocorrido, devido à falta de chuvas. Esperando produzir por volta de três ou quatro cargas por hectare, no espaço de 220 hectares, a lavoura de Costa está atingindo apenas duas cargas. Ainda assim, foi possível evitar muitas perdas com uma técnica simples, mesmo que trabalhosa. A equipe passa um tipo de cola nas frutas e as cobre com papel, o que dá proteção.
Os produtores participam anualmente da Expofesta Regional da Melancia e da Agricultura Familiar de Pedro Osório, que realiza sua décima quinta edição neste ano. Para Bronson, é muito gratificante fazer o serviço, produzir melancia de boa qualidade e ser reconhecido através da festa. Ele diz que, de onde vem, o produtor é mais valorizado que o colhedor, enquanto em Pedro Osório todos tem a mesma importância.
A terra na qual a melancia é plantada precisa de um “descanso” de, pelo menos, sete anos até o próximo plantio da fruta. Por isso, Costa e seu sócio arrendam terras pelo tempo de produção. A cada ano trocam de local, entregando o terreno de volta aos proprietários com pastagem. Segundo ele, quase todos os terrenos nos arredores de Pedro Osório e Arroio Grande já receberam plantações de melancia.
De Pedro Osório, o caminho é longo. Parte da produção é vendida na região, mas muitas melancias viajam para Santa Catarina, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e até Goiânia, de onde vêm seus colhedores.
Manchester
O tipo de melancia mais valorizado pelos produtores locais e pelo mercado, a Manchester tem um sabor doce que chega a ser enjoativo, segundo Bronson. Sua casca é forte e de boa durabilidade, e seu miolo é mais duro que o da Top Gun, o outro tipo de melancia plantada pela equipe de Costa.
Redator: Tradição Regional
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