Quinta, 25 de junho de 2026, 13:22h
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É possível dizer que especialmente nos últimos dois anos o clima, com temperaturas fora de época, não tem sido favorável. A geada “atrasada” e os grandes períodos de chuva, de fato, não são animadores para os produtores rurais da Região Sul do Estado.
Wilson Behling, principal produtor de maçã de Arroio do Padre, não discorda sobre os impactos da instabilidade climática. Quando recorda as safras dos anos de 2007 ou 2010, por exemplo, os números são animadores: registrava até 172 toneladas colhidas.
No entanto, a partir de 2014, os resultados sofreram uma grande queda. “Queremos tentar normalizar, mas isso tudo depende do tempo. Nosso clima está muito desregular”. Em 2015, foram 35 toneladas de maçã colhidas ao total. Quase a metade da colheita de 2014, de 60 toneladas. “Nós precisamos colher bem em qualidade e quantidade. O ideal seria uma produção de 100 toneladas, pois colhendo 10 ou 100 toneladas o investimento é o mesmo”, explica Behling.
A última colheita ocorreu durante todo o mês de janeiro deste ano, em virtude da safra reduzida. Na propriedade dos “Irmãos Behling”, reduzida para 9 hectares com 10 mil pés de maçã, os frutos já foram comercializados, sendo a maioria deles para a cidade de Santa Maria. Pelotas e Arroio do Padre também estão na rota de comercialização. Além, é claro, das 3.500 toneladas de maçã que serão levadas para a 14ª Festa Municipal de Arroio do Padre, 20º Aniversário de Emancipação e 10ª Festa Regional do Caqui e da Maçã.
O produtor da maçã do tipo Eva enfatiza que trabalhar neste ramo requer cuidados. “É muito complicado. Não é apenas plantar, podar e colher. São muitos detalhes. É o jeito de lidar com a planta, é preciso ter sensibilidade”, diz. O tempo da floração, estabilidade nos dias de frio e chuva, e o “interesse” das abelhas nos frutos para polinização/fecundação são fenômenos da natureza definitivos até mesmo para o formato das maçãs. “As abelhas estão sumindo e isso é um problema”.
Diversificar mais as produções, diminuir as lavouras e produzir uma quantidade boa com uma qualidade satisfatória. Essa é receita que Behling acredita ser a mais acertada no atual momento da produção rural. Na propriedade, ele conta com o trabalho de mais quatro pessoas, todos membros de sua família.
Extremamente produtiva, a opção por trabalhar com a maçã Eva se deu, especialmente, pelas horas de frio necessárias. Com 250 horas de frio a fruta já pode ser colhida, diferente do expansivo tempo de outros tipos como a Fuji. “A Fuji, por exemplo, é mais doce, no entanto mais dura. Já a Eva é mais macia”, diz Behling que, brincando, revela que não chega a comer 10 unidades de maçã durante uma safra.
De fevereiro a abril, Behling se considera “de férias” da produção de maçã, apenas aguardando um frio generoso para os meses de junho e julho, em benefício da próxima safra.
Além dos frutos, a propriedade disponibilizará para venda na Festa potes de geleia de produção própria. “Sempre temos muitas novidades. Vamos estar bem preparados e será uma grande Festa. Quem vier não se arrependerá”, convida.
Redator: Tradição Regional
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