Quinta, 25 de junho de 2026, 09:14h
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Situação é mais grave nas produções de arroz, milho e principalmente na soja, com 70% de perdas
São Lourenço do Sul decretou situação de emergência na tarde da quinta-feira (28), motivada principalmente pelas perdas no setor primário. Já são R$ 100 milhões em prejuízos no campo, conforme dados apresentados em reunião do prefeito Daniel Raupp, secretários e representantes de entidades que atuam em diversas áreas na zona rural e urbana, na manhã da terça-feira (26).
É o campo que tem os maiores prejuízos. Com o excesso de chuvas desde outubro e novembro, época de plantio das culturas de verão, seguindo ao longo do período e se agravando agora, em época de colheita, a situação é dramática para muitos produtores. As perdas são principalmente nas culturas de arroz, milho e soja. Além das lavouras, também há perdas na produção de leite, com os danos nas pastagens e para os pescadores que não têm peixe porque chove demais.
Os problemas foram debatidos pelos prefeitos da região na semana passada, na Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), e também na quarta-feira (27), com o secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Ernani Polo. Daniel Raupp e os prefeitos também apresentaram a situação a instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Sicredi e Banrisul. Na quinta (28), Raupp e os prefeitos participaram de reunião da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa para apresentação do relatório regional elaborado pela Emater sobre os danos causados pelas chuvas ao setor primário da economia na Zona Sul. À tarde, Raupp assinou o decreto de emergência.
A colheita do arroz já está em 60%, conforme os dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), mas os números não são bons. O engenheiro agrônomo Cléo Soares, chefe do escritório local do Irga, explica que já houve redução da área plantada em função das chuvas em outubro e dezembro. Dos 10.189 hectares projetados, foram plantados 9.678. “Já somando isso, a perda no arroz deve ficar em torno de 13,55%”, calcula Soares. A produtividade também ficou baixa. Na safra anterior, foram colhidos 7,474 kg por hectare e nesta a média está em 6,9 kg.
No milho, as perdas devem ficar em 30% da produção, conforme os dados da Emater. Mas é a soja que tem a pior situação. Nos 20 mil hectares plantados, as perdas já chegam a 70%. “Os problemas começaram já no plantio e agora os produtores não conseguem colher”, explica o chefe do escritório local da Emater, Lauro Schneid.
Segundo ele, com o decreto será possível que os produtores renegociem as dívidas. “Eles vão ter dificuldade de pagar o arrendamento de terras e aqueles que fizeram a venda antecipada agora não têm produto para entregar”, comenta.
Há perdas também no gado leiteiro, olericulturas e roticulturas e fumo. Para os pescadores, a Z8 estima perdas de pelo menos R$ 2 milhões com a falta de peixes.
Problemas de infraestrutura
A Prefeitura e a Secretaria de Desenvolvimento Rural ainda trabalham no levantamento dos prejuízos nas estradas do interior com as fortes chuvas do último fim de semana. A malha viária do interior nem estava totalmente recuperada dos temporais do feriadão de Páscoa e agora sofreu novos problemas, com estradas alagadas, formação de borrachudos, danos em bueiros, pontes e cabeceiras de pontes. Em nota, a Prefeitura destacou que as condições climáticas estão dificultando a manutenção das estradas do interior.
Redator: Tradição Regional
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