Quinta, 25 de junho de 2026, 09:15h
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Grãos podres e germinados, além de outros defeitos, invalidaram toda a soja plantada na última safra
Região Sul acumula mais de R$ 500 milhões em perdas na produção de grãos
As previsões meteorológicas se confirmaram na Região Sul do Estado, sobretudo na segunda quinzena do mês de abril, com intensos períodos de chuvas - que, felizmente, tiveram trégua após a frente fria que permanece no RS nos próximos dias.
A estimativa é de que os últimos registros do mau tempo tenham ampliado os danos já enfrentados pelos gestores municipais e produtores locais, que chegam à quantia de R$ 500 milhões.
Além desta reportagem especial, você pode conferir ao longo desta edição 501 as situações atualizadas e os decretos de emergência divulgados nas páginas dedicadas aos municípios de Arroio Grande, Canguçu, Capão do Leão, Jaguarão, Morro Redondo, São Lourenço do Sul e Turuçu.
Estado homologa situação de emergência em Arroio Grande
Em Arroio Grande, por exemplo, primeiro município a decretar situação de emergência devido às perdas nas culturas de arroz e soja, a precipitação foi intensa. O sol voltou a brilhar sem chuva somente na quarta-feira (27), dia em que o governo do Estado, após avaliar os prejuízos, homologou o decreto assinado pelo prefeito Luis Henrique da Silva.
Além das perdas quase totalizadas nas lavouras de soja e altos índices de perdas nas de arroz, outro problema enfrentado são as condições de trafegabilidade das estradas e corredores de acesso às propriedades.
A rápida homologação do pedido de situação de emergência ao governo estadual demonstra o quanto autoridades e produtores estão mobilizados diante da situação. Arroio Grande registrou o plantio de 40 mil hectares de soja e, conforme os dados oficiais, ocorreram perdas em cerca de 34 mil hectares da cultura, estas por germinação do grão na vagem, apodrecimento e debulha do grão.
Já no caso da colheita do arroz, com alto grau de umidade do grão, aquecendo dentro dos caminhões e, em alguns casos, já germinando, causam descontos pelas empresas que secam o produto, além das cargas condenadas por não possuírem qualidade mínima para beneficiamento do grão, fatores que contribuem diretamente nas perdas dos produtores.
Os mesmos efeitos climáticos também afetaram outras culturas como milho, feijão, melancia, abóbora e hortaliças em geral, com perdas consideráveis.
“É um dos piores momentos econômicos da história de Arroio Grande e os prejuízos do setor primário irão impactar diretamente na comunidade e no comércio local”, avaliou Silva.
Perdas em lavouras devem ser comunicadas imediatamente
Os produtores devem procurar imediatamente as agências bancárias para comunicar as perdas nas lavouras e solicitar os seguros agrícolas em função das chuvas na região. Em hipótese alguma, devem deixar as dívidas vencerem.
As informações foram prestadas na quarta-feira (27), durante uma reunião promovida pela Secretaria Estadual de Agricultura com os prefeitos da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) e participação de representantes das principais instituições financeiras que atendem o setor primário.
Durante a reunião, o gerente regional da Emater, Ronaldo Maciel apresentou o quadro de perdas em lavouras e culturas na Zona Sul. Nele, se constata o aumento crescente de prejuízos, já ultrapassando os R$ 500 milhões, forçando mais prefeituras a ingressar com a decretação de emergência e, em alguns casos, como Arroio Grande e Santa Vitória do Palmar, com o decreto de calamidade pública.
Maciel também enfatizou que a Emater irá agilizar ainda mais a emissão de laudos de perdas e está intensificando os trabalhos de equipes nas 18 localidades da Zona Sul mais atingidas.
Ao intermediar as negociações com as instituições financeiras, o secretário estadual da Agricultura e Pecuária, Ernani Polo, anunciou a prorrogação dos prazos da vacinação contra a febre aftosa para o dia 15 de junho, como resposta a um dos pleitos solicitados. Ele também voltou a destacar que a sua pasta estará empenhada nos diálogos com a Defesa Civil estadual para a imediata homologação dos decretos de emergência e que está articulando agenda com o governador do Estado, José Ivo Sartori, para tratar sobre recursos que auxiliem na recuperação de estradas.
O presidente da Azonasul e prefeito de Morro Redondo, Rui Brizolara, avaliou positivamente o encontro e revelou acreditar que os recursos utilizados para financiamento possam ser ainda mais alongados. “Também encaminharemos os pleitos ao Ministério da Agricultura para novas providências. De qualquer forma, voltamos para as nossas localidades com uma orientação confiável aos produtores”, disse. Brizolara ainda voltou a lembrar dos problemas a serem enfrentados junto às empresas que compraram as produções antecipadamente e não receberão o produto, uma vez que a maioria do que se consegue colher de soja nas lavouras apresenta vagens e grãos danificados.
Presenças
Os deputados Zé Nunes (PT) e Pedro Pereira (PSDB) acompanharam a reunião da Azonasul, também assistida pelas Federações de Agricultura e demais representações do setor.
O apoio da Defesa Civil
Segundo o coordenador da Defesa Civil no Estado do Rio Grande do Sul, Charles Luis Rosa da Silveira, a situação se agravou com as chuvas dos dias 23 e 24, já que a maior parte das plantações ainda não havia sido colhida.
“Nós, da Defesa Civil, estamos auxiliando as cidades que decretaram [situação de emergência] ou têm interesse de decretar. Nossa função é fazer vistoria técnica e orientar as prefeituras no sentido de montar o processo da melhor maneira possível para obter a homologação do Estado e o reconhecimento da União”, diz Silveira.
O coordenador avalia que uma das situações mais críticas foi no município de Chuí, onde 22 famílias tiveram que sair de suas casas. Assim, além dos danos materiais e prejuízo econômico, a vulnerabilidade da comunidade aumentou.
Em Capão do Leão, união de esforços para enfrentar os problemas
O presidente do Sindicato Rural de Capão do Leão, Clóvis Victória, conta que “a situação hoje é extremamente preocupante porque, com as últimas chuvas, nós tivemos um acréscimo de perda nas lavouras, especialmente na de soja”.
Ele ressalta o trabalho da Emater e da Prefeitura Municipal, “que foi muito ágil com suas equipes da Defesa Civil na busca de dados no campo. Foram levantadas as questões de prejuízos de estradas, de pontes, e os prejuízos no aspecto humano”.
Victória aponta também a dificuldade do transporte na busca de alunos da zona rural. Segundo ele, o município deve dar condições para que os produtores sigam na atividade, com boas estradas e a renegociação das dívidas dos produtores com os bancos. Também é necessária a liberação ambiental da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (FEPAM) para prosseguir a recomposição das estradas.
“Há uma necessidade absoluta de que os produtores não trabalhem apenas com a emoção, mas também com a razão, e que as lavouras sejam planejadas, especialmente na quantidade plantada, seguindo a lei de oferta e procura”, alerta.
As avaliações de quem produz
“No nosso caso, a perda de arroz é pequena, pois estamos com grande parte da área colhida. O arroz é muito rústico, ele tolera muito mais a diversidade climática do que a soja”, explica o produtor rural Carlos Alberto Iribarrem, que possui 1.170 hectares de arroz e 270 de soja plantados em terras arrendadas na localidade do Pavão, na Estância da Gruta, em Capão do Leão.
Por conta de uma plantação tardia, a colheita da soja de Iribarrem ainda não começou. O produtor acredita que a perda também não será grande, mas aponta fatores como o maior consumo de combustível para as máquinas, o que gera gastos.
“Não podemos terminar esta colheita e achar que está tudo bem. Temos que usar a situação como aprendizado para trabalhar com prevenção em uma situação futura”, diz, citando a drenagem das estradas como uma das medidas que deveriam ter sido feitas com antecedência.
Já para Elmar Peter, produtor que administra 110 hectares de soja em Capão do Leão, este é um momento de buscar ajudas, seja no Estado, ou até mesmo em Brasília.
“Estamos recém com 20% das lavouras de soja colhidas por aqui. Vamos fazer o restante da colheita, mas está crítica a situação, principalmente se levada em conta a situação do grão”, avalia.
O produtor avalia positivamente as reivindicações que tem sido feitas junto com o Sindicato Rural, Prefeitura, Defesa Civil e Emater, principalmente ao abordar pontos como a situação das estradas, outro agravante no cenário.
“Foi a pior chuva dos últimos anos, pois antes tudo estava bem. O clima era bom, nós estávamos sempre melhorando, participando de cursos e palestras com diversas entidades para melhorar a lavoura, além de demonstrativos de 22 variedades do grão. Infelizmente, já se sabia do [fenômeno climático] El Niño, e depois só houveram chuvas. Já deveríamos estar com quase 100% colhido e estamos com 20%. Mas vamos sempre à luta”, pontua Peter.
Evolução das perdas no setor primário para os municípios mais afetados da Zona Sul
Amaral Ferrador
15/04: R$ 1.17 milhão
20/04: R$ 1.527.300 milhão
26/04: R$ 1.527.300 milhão
Arroio do Padre
15/04: R$ 71 mil
20/04: R$ 159.750 mil
26/04: R$ 333 mil
Arroio Grande
15/04: R$ 39.340 milhões
20/04: R$ 39.340 milhões
26/04: R$ 62.020 milhões
Canguçu
15/04: R$ 5.654.880 milhões
20/04: R$ 28.512.00 milhões
26/04: R$ 45.855.611 milhões
Capão do Leão
15/04: R$ 14.407.200 milhões
20/04: R$ 14.407.200 milhões
26/04: R$ 21.321.750 milhões
Cerrito
15/04: -
20/04: R$ 8.032.500 milhões
26/04: R$ 8.032.500 milhões
Chuí
15/04: 1.020.00 milhões
20/04: 10.416 milhões
26/04: 11.802 milhões
Herval
15/04: 16.200 milhões
20/04: 16.200 milhões
26/04: 28.354.240 milhões
Jaguarão
15/04: R$ 19.440 milhões
20/04: R$ 25.920 milhões
26/06: R$ 45.360 milhões
Morro Redondo
15/04: -
20/04: -
26/04: R$ 2.334 milhões
Pedras Altas
15/04: -
20/04: R$ 29.750 milhões
26/04: R$ 29.750 milhões
Pedro Osório
15/04: R$ 12.672.260 milhões
20/04: R$ 12.672.260 milhões
26/04: R$ 13.690.275 milhões
Pelotas
15/04: R$ 20.258.715 milhões
20/04: R$ 20.258.715 milhões
26/04: R$ 39.474.163 milhões
Pinheiro Machado
15/04: R$ 5.040 milhões
20/04: R$ 7.200 milhões
26/04: R$ 7.200 milhões
Piratini
15/04: R$ 35.736 milhões
20/04: R$ 35.736 milhões
26/04: R$ 36.200 milhões
Rio Grande
15/04: R$ 1.086.834 milhões
20/04: R$ 1.086.834 milhões
26/04: R$ 1.776.660 milhões
Santa Vitória do Palmar
15/04: R$ 8 milhões
20/04: R$ 94.457.260 milhões
26/04: R$ 94.457.260 milhões
São Lourenço do Sul
15/04: R$ 32.100 milhões
20/04: R$ 32.100 milhões
26/04: R$ 51.318 milhões
Turuçu
15/04: 3.339 milhões
20/04: 3.339 milhões
26/04: 5.425.875 milhões
Total
15/04: R$ 215.535.889 milhões
20/04: R$ 381.114.819 milhões
26/04: R$ 506.232.634 milhões
*Com informações da Assessoria de Imprensa e Azonasul
Redator: Tradição Regional
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