Segunda, 22 de junho de 2026, 15:58h
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A manhã de hoje (16) começou com reivindicações da classe de trabalhadores rurais. 52 municípios do Estado participaram de manifestações organizadas pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS). Os grupos se reuniram em frente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de seus municípios para se manifestar contra a PEC 287/2016, que trata da Reforma da Previdência. Na zona Sul do Estado, o ato ocorreu em Pelotas, Rio Grande, Piratini, São Lourenço do Sul e Canguçu.
Se a PEC for aprovada, os trabalhadores rurais precisarão contribuir mensalmente com o INSS para ter direito a aposentadoria, com a idade mínima de 65 anos para ambos os sexos. Não será mais possível acumular aposentadoria e pensão por morte, que passa dos atuais 100% para 50%, com o acréscimo de 10% por dependente. O tempo de contribuição sobe para 25 anos e passa a ser individual, não valendo mais para o grupo familiar.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Pelotas, Nilson Ireno Loeck, considera a reforma um desrespeito. “Não queremos perder aquilo que já se conquistou”, diz. Loeck ressalta ainda que o trabalho rural é a base de tudo, necessário para produzir desde o alimento do mais pobre ao mais rico, e que muitos se esquecem de dar o devido valor aos produtores. Além disso, quem trabalha no campo não costuma ter carteira assinada, portanto já é prejudicado por não possuir direitos trabalhistas como o 13º salário.
Para o vice-presidente da FETAG-RS, Nestor Bonfanti, o problema vai além da aposentadoria. Se o trabalhador não contribuir com o INSS, não terá também direitos como auxílio em caso de acidente de trabalho, maternidade e de saúde.
Dentre os manifestantes, estava Ângela Raffi, que trabalha na zona rural desde os 14 anos. Atualmente com 38, diz que as mulheres, além de cuidar da casa e dos filhos, têm que ir para a lavoura no mesmo horário que os homens, justificando a diferença de idade nas suas aposentadorias e mostrando que a desigualdade de gênero ainda não foi superada.
Celmar Raffi começou ainda mais cedo, aos nove anos. Eles relatam que, na zona rural, as crianças já crescem trabalhando, auxiliando a família. Então, para se aposentar apenas aos 65 anos, a maioria já terá trabalhado muito mais que os moradores da zona urbana, para os quais a idade exigida é a mesma. “Com essa mudança que querem fazer, muito mais gente vai abandonar o campo e vir para a cidade”, diz Raffi. Ambos explicam ainda que o trabalho rural exige muito fisicamente, o que faz com que as pessoas “envelheçam” mais cedo.
A FETAG seguirá reivindicando a manutenção dos direitos da classe.
Redator: Tradição Regional
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