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12-05-2017

Especial JTR: Do pêssego ao roteiro turístico, a extensão rural em Morro Redondo  


Foto: Divulgação/Emater Produção orgânica é extremamente significativa na cidade

Com ações que promovem o desenvolvimento rural, o escritório municipal da Emater-RS/Ascar em Morro Redondo é um dos setores em destaque na cidade, já que as atividades são diversificadas e a população na zona rural é extremamente significante para a localidade: são cerca de 600 famílias envolvidas.


O chefe do escritório, Evaldo Alberto da Silva Voss, explica que a atuação se divide nos eixos econômicos, sociais e ambientais. “É a vida como um todo”, diz. Dentre o público assistido está, por exemplo, a Comunidade Quilombola Vó Ernestina, que reúne 54 famílias distribuídas em uma agrovila, algo inovador na região e que pressupõe uma atenção especial.



A primeira frente de trabalho da instituição se baseia no acesso às políticas públicas e aos direitos sociais e socioassistenciais, o que envolve serviços de saúde, educação, obtenção de crédito, moradia, eletrificação rural, transporte, dentre outros. “Uma atuação muito importante da Emater dentro do município, neste sentido, é a participação nos conselhos municipais”, explica Voss. Durante a realização dos encontros destes conselhos a comunidade participa da elaboração destas políticas e comprova sua devida representação. Dessa forma, a Emater está presente no Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, que recentemente teve novos conselheiros eleitos, em virtude das eleições de 2016, e foi destaque a nível estadual, através de um trabalho de pesquisa realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


Uma atividade destacada pelo chefe municipal é a proposição de políticas públicas, já que, por exemplo, o Conselho foi responsável por propor o Programa Municipal de Correção e Fertilização de Solos. “Esse é um dos pilares do nosso desenvolvimento rural. Um dos grandes problemas que a gente enfrenta porque para ter produção, tem que ter solo. Pode usar a melhor semente, o melhor adubo, mas é preciso solo, água”, explica. A partir desta perspectiva, priorizando o retorno para a terra, o foco é a criação de mecanismos que melhoram a situação do solo, a partir do levantamento de recursos públicos para a compra de calcário. “Demos um plus nisso, pois para todo calcário adquirido, o produtor faz uma subvenção em 30% do valor da carga, e acabamos por multiplicar a oferta”, completa. Em cinco anos de execução do Programa mais de 600 cargas já foram entregues. Atualmente, estão disponíveis em recursos R$ 101 mil do processo de participação cidadã, R$ 30 mil do retorno de capital e mais R$ 30 mil para aquisição. “Temos dinheiro suficiente para comprar calcário este ano inteiro para todos os interessados”, diz Voss, indicando que há mais produto para entregar do que pessoas fornecendo subvenção para serem atendidas.


Para 2017, o programa apêndice ao de correção, que dá conta da fertilização do solo, está em tratativas, a partir da criação de pacotes que irão ofertar adubos subsidiados ao produtor. De forma prática, 10 sacos de adubos serão entregues ao produtor, que pagará 50% do valor.


Os resultados destas ações focadas na situação do solo estão refletidos na produtividade: de 2004 a 2005 foram produzidos 40 sacos de milho por hectare. Os dados atuais dão conta de 70 sacos por hectare, divididos entre produção de grãos e silagem. Outro setor impactado foi o do pêssego, presente em 600 hectares e com 100 famílias envolvidas na atividade. A produtividade, que há quatro anos resumia-se em sete mil quilos por hectare, agora compreende uma média de dez mil quilos por hectare.


Além disso, no último ano, a instituição concentrou esforços na oferta de máquinas à população rural para o preparo de solos e plantio das lavouras de grãos, e intenções de terceirização de serviços em futuras unidades de secagem e armazenagem. A cultura do milho é a responsável pela maior área de grãos de Morro Redondo - cerca de dois mil hectares destinados à produção. Já a soja representa mil hectares na região.


Atuação social


Voss, que também é presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, explica que a ação social está diretamente ligada aos benefícios, com práticas que abrangem todo o público assistido. Espaço de debate, a Conferência Municipal de Assistência Municipal, realizada a cada dois anos, está marcada para o dia 2 de junho. Em destaque no evento estarão as oficinas propostas aos usuários dos serviços, para apontar demandas prioritárias.


No setor social, com vias de reconhecimento e inserção, a Comunidade Quilombola da cidade, que preserva e enaltece a cultura negra morroredondense, recebe uma assessoria consistente do escritório, refletida em conquistas como a construção de uma sede social, fruto de um grande trabalho em conjunto.


A elaboração de laudos fitossanitários também faz parte do leque de ações da Emater, bem como a parceria com a Embrapa Clima Temperado para a produção do boletim informativo do Sistema de Alerta para mosca das frutas, produzido há, aproximadamente, cinco anos, e divulgado nos últimos meses do ano, com a intenção de, dentre outros objetivos, barrar o uso de inseticida organofosforado.


Presente e futuro favoráveis


Apesar de alguns produtores da cidade já estarem associados às cooperativas da região, há uma iniciativa de constituir uma cooperativa em Morro Redondo, para, dentre outros fins, promover a busca de mercado, sobretudo, para a olericultura. Exemplo da autonomia destes agricultores é a João de Barro, primeira agroindústria do município e que esteve presente na Feira Nacional do Doce - Fenadoce 2016, em Pelotas - e que deve assegurar a participação na edição deste ano -, com produtos comercializados em regiões até mesmo mais distantes da cidade de origem.


E por falar em doces, paralelamente à programação da 25ª Fenadoce, nos dias 10 e 11 de junho será realizado o evento “Festa do Doce Tradicional”, momento em que produtores de Morro Redondo estarão desenvolvendo o resgate dos doces artesanais na sua própria cidade. A ação se dá em parceria entre Emater, Sebrae, Embrapa e Roteiro Turístico Morro de Amores. “[A Colônia] Santo Amor é o berço, ali se instalaram as primeiras famílias que faziam, realmente, o doce artesanal”, afirma Voss. Outra realização que já começa a ser projetada é a Festa do Pêssego, que deve ocorrer no mês de novembro na cidade que detém o maior volume do produto industrializado.


Já sobre a atividade que caracteriza Morro Redondo, o turismo rural segue cada vez mais consolidado e, neste sentido, a Emater se dispõe a apoiar iniciativas ligadas ao meio rural, através de recursos do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Trabalhadores Rurais (FEAPER). “Somos a instituição que promove, organiza e fomenta a questão de créditos para todas as agroindústrias da cidade”. O incentivo à Família Signorini, expoente do roteiro turístico na localidade, também está presente na agenda da instituição.


Redator: Tradição Regional



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