Quinta, 18 de junho de 2026, 16:28h
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O alimento símbolo da dieta brasileira volta a ser estrela durante a III Feira do Feijão Orgânico de Piratini, que será realizada na quarta-feira (17), na praça Inácio Machado - a praça do Palanque. Ao longo do dia, os consumidores poderão adquirir produtos da reforma agrária com certificação orgânica, assistir palestra sobre agricultura ecológica e saborear feijoada a preço popular.
O grande atrativo será exposto em 30 variedades, totalizando dois mil quilos destinados à alimentação ou plantio. Os preços do feijão devem girar entre R$ 6 e R$ 15. “Algumas qualidades raras, como o Milico, Dega e Iraí não são mais encontradas no mercado e agregam um pouco mais de valor”, observa José Gabriel Venâncio, presidente da Associação de Produtores Ecológicos Conquista da Liberdade (Apecol).
Os estandes - doados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para os assentados fazerem feiras semanais - também estarão repletos de hortaliças, frutas, panificados “e tudo o que o campo produz, mas de maneira orgânica”, assegura Venâncio. Além da Apecol, que reúne 14 famílias com produção orgânica certificada junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), os produtos são oriundos da Associação de Produtores de Base Ecológica (Aprobeco), com 12 agricultores na mesma condição.
Expansão
O geógrafo Anderson Fontoura, da Emater-RS/Ascar - entidade contratada pelo Incra para prestar assistência técnica na região -, explica que a feira iniciou em 2015 por conta da expressividade do feijão nas áreas da reforma agrária no município. “É uma cultura bem viável, mantida por cerca de 50% dos assentados de Piratini, seja para autoconsumo ou comercialização”.
A percepção é confirmada por dados do Sistema de Gestão Rural de Assistência Técnica, Social e Ambiental (Sigra), que acompanha a evolução dos assentamentos no Estado. Em 2016, 194 famílias declararam manter este tipo de cultivo em um universo de, aproximadamente, 400 beneficiários da reforma agrária, distribuídos nos oito assentamentos de Piratini. Somente a Apecol, por exemplo, estima reunir produção de cinco mil quilos, dos quais três mil foram fornecidos à Bionatur na safra atual. Fontoura também ressalta o resgate da diversidade genética estimulada pela Feira. “No início do trabalho, conseguimos reunir 13 variedades, hoje são 30”, observa.
Evento
A comercialização de produtos na III Feira do Feijão Orgânico estará aberta a partir das 9h, na praça Inácio Machado. Ao meio-dia, será servida feijoada ao custo de R$ 10 por pessoa, no Galpão de Rondas do CTG 20 de Setembro. Às 14h, uma mesa redonda discutirá temas voltados à agroecologia, também no CTG. Encerrando a programação, às 15h serão realizadas apresentações artísticas no mesmo local.
Todas as atividades serão abertas ao público. Colégios e escolas técnicas receberam convite especial, como justifica o presidente da Apecol. “A juventude precisa conhecer o lado da agricultura que não usa pacote de veneno nem adubo químico. Precisa saber que a terra é viva por si só. É assim que produz alimento saudável”.
O evento é promovido pela Apecol e Emater com apoio da Bionatur, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Embrapa, Prefeitura de Piratini, Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e governo do Rio Grande do Sul.
Redator: Assessoria de Imprensa
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