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17-04-2012

Colheita da maçã no RS agrada pela qualidade


Foto: Reprodução Em 2012, a produção no Estado, onde foram plantados 13 mil hectares da fruta, deve ultrapassar as 500 mil toneladas

Seja verde ou vermelha, a maçã é usada em diversas receitas e muito apreciada no mundo inteiro. A fruta traz inúmeros benefícios à saúde, pois ajuda a controlar o colesterol, reduz o risco de câncer digestivo e tem cerca de 80 calorias, o que não compromete a boa forma. Composta por 85% de água, ela contém 12% de frutose, um tipo de açúcar que não provoca cáries. Ácidos orgânicos, fibras solúveis, substâncias antioxidantes como o tanino e as vitaminas C, E e provitamina A, além das vitaminas B1 e B2, formam os 3% restantes.


No Brasil, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná concentram 95% da produção nacional de maçãs. De acordo com Pierre Nicolas Peres, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçãs (ABPM), o grande volume da produção nacional está dividido entre a Gala, que responde por 55% da safra, e a Fuji, que detém 40% do volume. O Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor de maçãs do país, abaixo apenas de Santa Catarina.



Em 2011, a produção brasileira de maçãs foi de 900 mil toneladas, bem abaixo das 1,2 milhão de toneladas colhidas na safra anterior. A produção gaúcha também caiu, despencando de 560 mil toneladas para 400 mil toneladas. Em compensação, os preços foram melhores e a qualidade dos frutos também melhorou. Já em 2012, a produção no Estado, onde foram plantados 13 mil hectares da fruta, deve voltar a subir, ultrapassando as 500 mil toneladas. “Mesmo com a falta de chuvas, o que vemos são frutas menores, mas com parâmetros de qualidade, cor, sabor e aroma perfeitos”, explica o extensionista da Embrapa, Gilmar Nachtigall.


Na região sul do RS, a colheita da fruta foi lançada em dezembro passado no município de Arroio do Padre – principal produtor da fruta na região - que espera a melhor safra dos últimos anos, com um rendimento 30% maior do que a de 2010, até então considerada a mais volumosa da história local - quando foram contabilizadas 150 toneladas – e quase 100% superior a de 2011, ano em que os produtores perderam quase toda a plantação em decorrência do granizo que atingiu a metade sul em março. Com uma expectativa de colheita próxima das 200 toneladas, só os preços pagos pelo quilo da fruta não devem aumentar, variando de R$ 0,75 a R$ 0,80 por kg de maçã, o que não desanima os produtores que esperam ganhar no quesito quantidade.


Que o diga Wilson Behling, de 58 anos, que há 11 anos aposta no cultivo de frutas, em especial a maçã. Em 2012, o maior produtor de maçã de Arroio do Padre, colheu mais de 160 toneladas da fruta, comercializadas no mercado regional e para indústrias. “Em 2010 e 2011 perdi grande parte da produção por causa do tempo e tive que recorrer a financiamentos para conseguir arcar com as dividas. Por isso, apesar da boa safra e do lucro deste ano, acaba que grande parte do dinheiro vai ajudar a cobrir as perdas de outros anos, e assim a gente vai levando”, revela o produtor.


Além da maçã - cultura que ocupa nove hectares da propriedade, num total de 17 mil pés plantados – a família Behling aposta ainda na produção de pêssegos, peras e ameixas que juntas somam mais de seis mil pés plantados, em aproximadamente quatro hectares. Entre as macieiras, a principal variedade cultivada é a Eva, com espaço para a Maçã Rainha e a Caster Galo. “O custo da produção é muito alto e o pequeno produtor não tem muito apoio do governo, por isso temos que correr atrás para conseguir vender nossos produtos, levando em conta que a maçã precisa ser rapidamente comercializada para não haver perdas”, explica Behling.


Correndo contra o tempo


Um dos principais problemas enfrentados pelos produtores de Arroio do Padre são as constantes quedas de energia elétrica que causam prejuízos e perdas incalculáveis para o município. Segundo a família Behling, há cinco anos eles sofrem com os danos causados pelas constantes faltas ou quedas de energia, uma vez que precisam de uma câmara fria para manter o fruto na temperatura ideal para conservação, aumentando a competitividade no mercado.


“A situação da energia no município é precária. Precisamos melhorar o quanto antes, até para nos incentivar a investir mais na produção e no nosso trabalho”, pontua Wilson Belhing, revelando que até o gerador de energia adquirido para amenizar os problemas com a falta de luz, acabou queimando em decorrência das quedas na rede elétrica. Segundo ele, hoje a propriedade possui - além da câmara fria para armazenagem do produto - uma máquina polidora e selecionadora da fruta, o que torna o produto diferenciado para o consumidor.


De acordo com Behling, para ter destaque e conseguir investir em melhorias na qualidade da maçã, a pequena propriedade conta também com o apoio de técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Emater, além de assessoria particular. O manejo integrado da maçã, desde o plantio, passando pelo beneficiamento até chegar ao transporte, garante um fruto de qualidade com segurança alimentar ao consumidor.


O prefeito Jaime Starke destacou o trabalho dedicado da família Behling. “Com 11 anos de dedicação a esta fruta, que se tornou um dos símbolos do nosso município, os Behling são exemplo de visão para o futuro por apostar na diversificação. Isto é sinal de sabedoria, já que não é possível prever os problemas e intempéries que poderão surgir”, diz o prefeito.


Colheita da maçã no RS agrada pela qualidade


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Comentários (1)

18-04-2012 - 11h37min

Daiane, de Pelotas-RS, disse:

Muito boa a festa de Arroio do Padre. Parabéns ao município!!





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