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No noroeste gaúcho, onde se situa a maior reserva indígena no Estado, a Emater vêm desenvolvendo ações para minimizar graves problemas de saúde que afetam os índios da região
Além de agricultores e pecuaristas familiares, pescadores artesanais, remanescentes de quilombos e assentados da reforma agrária, a Emater/RS-Ascar também atende a comunidades indígenas do Rio Grande do Sul. Ao todo, são 4.231 famílias assistidas através da execução de 59 projetos em todo o Estado. “A Emater é a única instituição de assistência técnica e extensão rural que está presente em todas as comunidades indígenas do Estado”, ressalta a antropóloga da Emater/RS-Ascar, Mariana de Andrade Soares.
As principais ações desenvolvidas junto às comunidades indígenas concentram-se na área de segurança alimentar, através da produção de alimentos, e artesanato como alternativa de renda às famílias. No noroeste colonial gaúcho, onde se situa a maior reserva indígena no Estado – a Terra Indígena Guarita, abrangendo os municípios de Tenente Portela, Erval Seco e Redentora – a Emater/RS-Ascar vêm desenvolvendo diversas ações para minimizar graves problemas de saúde que estão afetando os índios dessa região, como a desnutrição infantil e, na população adulta, a obesidade, a hipertensão e o diabetes.
Desde o final de 2011, o Governo do Estado, através do Projeto Segurança Alimentar para Comunidades Indígenas, executado pela Emater/RS-Ascar em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, repassou R$ 81.988,75 para a aquisição de sementes de feijão, milho, abóbora, moranga, melão, amendoim, melancia e manivas de mandioca.
O atendimento a este tipo de público, conforme Mariana, requer dos técnicos da Emater/RS-Ascar um desprendimento em relação aos pré-conceitos já estabelecidos pela sociedade atual. “O extensionista que vai trabalhar com indígenas deve abstrair-se da visão do índio como o primeiro habitante de nossas terras ou como aqueles indivíduos que vivem nus no meio da floresta. Esse imaginário coletivo-civilizador deve ser abstraído”, afirma a antropóloga. “Antes de qualquer iniciativa, devemos fazer o exercício da escuta, antes do falar técnico. Os diagnósticos que elaboramos nas comunidades indígenas para a aplicação de políticas públicas partem das demandas e necessidades das comunidades”, explica.
Para aprimorar o atendimento às famílias indígenas, a Emater/RS-Ascar capacitará este ano todo o corpo técnico que trata diretamente com este público. Além da barreira cultural, Mariana destaca que a falta de regularização fundiária de terras indígenas é outro problema enfrentado pelos técnicos para a execução do trabalho. “Os índios não têm terra para viver o seu modo de vida, e isso impede a aplicação adequada das políticas públicas”, destaca.
Redator: Assessoria de Imprensa
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