Sexta, 12 de junho de 2026, 13:06h
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Plantações de milho, milho para silagem e de soja são as mais afetadas até o momento
“Não está feio, está horrível”. As palavras do coordenador da Defesa Civil de São Lourenço do Sul, Valdoir Ribeiro, ditas antes do fechamento das análises de impacto da estiagem, ganham uma dimensão ainda maior agora: são mais de R$ 140 milhões em perdas no campo, conforme o relatório da Emater que embasou o decreto de Situação de Emergência, assinado na última sexta-feira (9), pelo prefeito Rudinei Härter.
O município vem sendo assolado por uma intensa estiagem que afeta as pastagens de gado de corte, leite e cria, como também setores de hortifrutigranjeiros, soja, tabaco, milho, feijão e arroz.
Além disso, o nível de água em todos os arroios, rios, lagos, sangas e córregos que banham o interior está “baixíssimo”, como definiu a Prefeitura em nota, impossibilitando assim a captação para utilização em culturas e outros abastecimentos. As perdas são em todo o município, já que não há uma região sequer sem prejuízos. Há diferença apenas entre lavouras, mas muitas delas 100% perdidas.
Os índices pluviométricos dos últimos meses foram inferiores às medidas dos últimos anos. E nem mesmo a chuva durante o feriadão de Carnaval solucionou o problema. Pode ter apenas amenizado o drama em algumas áreas, mas não salva as enormes perdas já registradas, principalmente na soja, fumo e milho, que têm os maiores volumes de impacto financeiro.
Outra cultura com grandes perdas é a produção leiteira, que deve sentir os reflexos por pelo menos um ano, conforme relata o coordenador da Defesa Civil, que também é o secretário de Gabinete do município. Como faltará milho para a silagem de alimentação do gado leiteiro, a produção sofrerá por meses. “Vai faltar silagem e não vai ter mais o que dar para as vacas comerem”, explica Ribeiro, temeroso com os reflexos de longo prazo.
Com tantas perdas, o município agora aguarda que a União reconheça a Situação de Emergência, o que facilita a chegada de alguns recursos, agiliza obras, além de possibilitar a renegociação de dívidas aos agricultores, entre outras medidas que amenizam um pouco os reflexos da estiagem. “Vamos esperar que o governo do Estado e o governo federal façam sua parte”, comenta Ribeiro, dizendo que, neste momento, a Prefeitura trabalha na limpeza de açudes e levando água dia e noite para áreas do interior em que há falta.
Impactos na economia
A estiagem quebra a principal área da engrenagem econômica lourenciana. As perdas no campo acabarão impactando em todo o município, já que é do agronegócio que sai a maior parte do PIB local e é dele que entra a maior receita no comércio, nos serviços e que faz toda a engrenagem funcionar.
Os mais de R$ 140 milhões em prejuízos para o município têm como base os dados coletados pela Emater até 5 de fevereiro, portanto, não é descartada a possibilidade de que o montante seja ainda maior com o passar dos dias.
E se o município como um todo é impactado, os serviços públicos também serão afetados. O secretário Valdoir Ribeiro estima que, com a redução econômica, a Prefeitura tenha até R$ 5 milhões a menos de arrecadação.
Perdas nas culturas
Milho - R$ 29 milhões
Milho para silagem - R$ 9 milhões
Soja - R$ 58,5 milhões
Fumo - R$ 47,2 milhões
Futricultura - R$ 1,350 milhão
Produção leiteira - R$ 750 mil e mais um ano de efeitos
Arroz - Ainda não calculado
Gado de corte - Ainda não calculado
Redator: Tradição Regional
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