Sexta, 12 de junho de 2026, 10:11h
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Reuniões da equipe municipal com a Defesa Civil do Estado estudam soluções
“Esta estiagem significou uma das maiores perdas econômicas dos últimos anos. Não só pelo tamanho, mas também pelo momento da insuficiência hídrica”. Assim o coordenador da Defesa Civil de Canguçu, Jardel Oliveira, caracterizou o momento, após o fechamento do relatório da Emater/RS-Ascar com os prejuízos na agropecuária.
A Prefeitura aponta para um prejuízo geral na economia do município, desde a área comercial até a arrecadação municipal. Segundo o relatório, fechado em 8 de fevereiro, estima-se perdas superiores a 60% para essa safra, somando um prejuízo de R$ 148,9 milhões. As culturas mais comprometidas foram a soja, o milho e o tabaco. A pecuária também foi afetada, tanto de corte como leiteira. Além disso, a apicultura teve uma perda de 90% na produção.
Há mais de um mês, a situação de seca deixa o município em situação de alerta. Nas últimas semanas, várias frentes políticas estão trabalhando para amenizar a situação que atinge a cidade e o interior.
Situação de emergência e calamidade pública
No dia 5 de fevereiro, a Prefeitura de Canguçu decretou situação de emergência devido à falta de chuva, pedindo atenção especial das secretarias no atendimento às demandas e situações resultantes da estiagem.
Na mesma semana, a Defesa Civil Municipal aguardava relatórios da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos para, em conjunto com os relatórios da Emater e Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Agrário, encaminhar documentação à Defesa Civil Estadual para decretar situação de calamidade pública.
Ações públicas e seguro agrícola
Para tentar amenizar a falta de água, as secretarias de Infraestrutura Rural e de Desenvolvimento Econômico e Agrário estão realizando aberturas de poços para armazenamento de água nas propriedades mais afetadas.
Nas localidades onde a situação é mais crítica, a Secretaria de Obras, Trânsito e Serviços Urbanos tem disponibilizado a entrega de água potável, através do caminhão pipa. Dois bolsões de lona, com capacidade de quatro mil litros, foram adaptados em caminhões para acelerar as entregas de água para cerca de 150 famílias. Alguns moradores chegam a ter de percorrer cinco quilômetros para buscar a água.
Na zona urbana, a dificuldade no abastecimento também começa a se intensificar. Segundo a assessoria de imprensa do executivo, o município buscou se antecipar para obter o decreto homologado pelo Estado e pela União, garantindo a possibilidade de ações mais rápidas na ajuda das famílias com problemas, além de liberação de seguro agrícola para os produtores.
Segundo a Emater, só nos últimos dias, já foram contabilizados 100 pedidos de seguro do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que exonera os agricultores afetados por fenômenos naturais de obrigações financeiras relativas à operação de crédito rural de custeio.
Uma situação não vista há 30 anos
Em meio a tantos outros agricultores atingidos pelos impactos da seca está Dário Radtke Sell, que teve cerca de 80% de sua plantação comprometida. Dos cinco hectares plantados, não sobrou uma única espiga de milho. Segundo o agricultor, há, pelo menos, 30 anos ele não via uma situação assim.
Já Jesus Antônio Lopes, residente no Passo do Saraiva, no 4º Distrito, teve uma significativa parcela de sua plantação de hortaliças orgânicas afetada, reduzindo drasticamente sua produção. O agricultor, que abastece boa parte dos comércios e supermercados da cidade, chegou a pensar em desistir da agricultura. As últimas chuvas, embora em pouca quantidade, garantiram que parte da produção fosse salva.
Cristal, Amaral Ferrador, Hulha Negra, Morro Redondo, São Jerônimo, Cerro Grande do Sul, Canguçu, Arroio do Padre e Pedras Altas são municípios com decretos de emergência homologados e reconhecidos pelo Diário Oficial do Estado. Já Turuçu, Candiota, Bagé, Cerrito, Piratini, Camaquã, São Lourenço do Sul, Dom Feliciano, Tapes, Chuvisca, Sertão Santana e Herval estão em processo de decretação.
Reunião entre governo e municípios
Na quinta-feira (22), diferentes secretarias e órgãos do governo do Estado se reuniram com prefeitos e coordenadores da Defesa Civil dos municípios mais atingidos pela estiagem. O governo do Estado garantiu levar à São Lourenço do Sul as estruturas da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi); Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR); Secretaria de Obras Públicas, Saneamento e Habitação (SOSH); Banrisul; Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE); e Badesul.
“Levaremos à região todas as forças do Estado para identificar as peculiaridades de cada município e fornecer o apoio necessário”, assegurou o coronel Alexandre Martins, que, junto com o secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Branco, coordena o trabalho em São Lourenço do Sul.
Perdas nas culturas:
Milho (75%): R$ 12,4 milhões
Soja (45%): R$ 49,7 milhões
Tabaco (30%): R$ 58,6 milhões
Feijão (60%): R$ 1,4 milhões
Arroz (12%): R$ 713,1 mil
Pecuária de leite (20%): R$ 727,2 mil
Pecuária de corte (20%): R$ 25 milhões
Apicultura (90%): R$ 276,4 mil
Redator: Tradição Regional
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