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Agenda envolveu visita à quarentena, onde os animais são vacinados e tratados
Produtores rurais da Metade Sul do Estado se reuniram na terça-feira (27), pela manhã, em Capão do Leão, para discutirem medidas a serem adotadas aos movimentos contrários que tentam impedir na Justiça, através de ações, a exportação de gado vivo para a Turquia. O encontro foi pauta de reunião da Regional 7 da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), e contou com ajuda estrutural do Sindicato Rural de Capão do Leão.
Durante o encontro, foi elaborado um documento endereçado ao presidente da Farsul, Gedeão Pereira, solicitando que o mesmo interceda junto ao Ministério da Agricultura, reforçando a manutenção do livre comércio de bovinos e a exportação do terneiro/novilho em pé. Consta no texto do documento que o princípio de livre mercado surge como uma alternativa que mantém o preço razoável e estimula o produtor a investir na produção de terneiros de qualidade. A Região Sul possui excelentes Estabelecimentos de Pré Embarque (EPEs), que seguem rigorosas normas sanitárias, trabalhistas, ambientais e de bem-estar animal, fiscalizados pelo Ministério da Agricultura, Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Secretaria da Agricultura e outros órgãos responsáveis.
Os municípios de Capão do Leão, Cristal e Rio Grande recebem gado de todos os municípios do Rio Grande do Sul, por estarem localizados estrategicamente em termos de logística para exportação pela proximidade com o porto de Rio Grande. A fazenda Asturia, de propriedade de Fernando Nova Cruz Diaz, em atividade desde 2005, está com quase sete mil cabeças de gado prontas para embarque para a Turquia nos próximos dias. “Nosso Estabelecimento de Pré-Embarque está focado no bem-estar do animal para adaptá-los ao novo regime de confinamento e prepará-los sanitariamente para o embarque com destaques na alimentação, sanidade e manejo. Com essas ações, conseguimos resultados satisfatórios em relação ao ganho de peso. Mantivemos uma média acima dos 1.200 gramas por dia”, explica Diaz.
De acordo com José Pedro Crespo e Rodrigo Crespo, responsáveis pela Empresa de Exportação Brasil/Beef, a América do Sul é a única região do mundo em expansão. De 2000 a 2017, a Colômbia exportou 22 milhões de cabeças de gado e cresceu 12,3%. O Paraguai exportou 14 milhões e cresceu 39,8%. A Argentina exportou 54 milhões de cabeças e cresceu 6,3%. O Uruguai exportou 12 milhões e cresceu 12,2%. O destaque fica com o Brasil, que exportou 220 milhões de cabeças de gado e cresceu 54,5%.
Dados estatísticos apontam crescimento na exportação do Rio Grande do Sul, no ano passado, com 13 milhões de cabeças, equivalente a 5,9% do rebanho nacional. Nasceram, no Estado, 2,65 milhões de terneiros, sendo 1,32 milhões de machos, e foram exportadas 85.300 mil cabeças de gado, equivalente a 6,5%. Além disso, 2.093.280 milhões de cabeças foram abatidas em 2017.
Para o presidente do Sindicato Rural de Capão do Leão, José Roberto Britto Sedrez, a reunião foi importante para, além de abrir os trabalhos do ano, servir como parâmetro para o setor primário discutir prioridades. “Inviabilizar a alternativa de exportação do terneiro em pé é inaceitável, inadmissível para o setor primário. Quando o agricultor pensa que vai melhorar, entidades manipuladas por grupos econômicos minam esse tipo de comércio, que se iniciou em 2004, sendo altamente compensador ao produtor rural”, destaca.
De acordo com o presidente da Regional 7 da Farsul, Claudio Rony Montezano Aliende, as forças de lutas contrárias a essas arbitrariedades que prejudicam o produtor rural, e resultam em recessão econômica e queda de preços e do consumo interno, têm que ser mais rigorosas. “Estou propondo outra reunião, com a participação de nossos deputados estaduais, federais e senadores, para estancarmos essa sangria que vêm de encontro aos interesses dos produtores”, resalta. A medida foi aprovada por unanimidade.
Também participaram do encontro, além de produtores rurais e representantes dos sindicatos da região Sul do Estado, o presidente da Farsul, Gedeão Pereira; o vice-presidente, Francisco Schardong; e o advogado Guilherme Gold Schimidt.
O que pensa a Farsul
Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, a Farsul tem acompanhado com atenção os movimentos que tentam impedir a exportação de gado vivo brasileiro por via judicial. Ações movidas por ONGs atrasaram a partida de um navio que iria para a Turquia com 27 mil cabeças de gado exportadas pela Minerva Foods. A liminar que impedia exportações de animais vivos em todo o país foi suspensa, no início de fevereiro, pela presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), desembargadora federal, Cecilia Marcondes.
Em sua decisão, a desembargadora reiterou que a legislação brasileira não veda o comércio internacional de animais vivos, existindo inclusive regulamentações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que viabilizam e norteiam o trâmite. Citou ainda os prejuízos sanitários e econômicos decorrentes de um possível desembarque dos animais em território brasileiro, como determinava a liminar.
A decisão é válida até o trânsito em julgado da ação movida pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que contesta o comércio. Gedeão Pereira mobilizou o departamento jurídico da Farsul para que atue em conjunto com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) nas ações que versam sobre o tema, com o objetivo de fortalecer a segurança jurídica dos produtores brasileiros, responsáveis por exportações que movimentam valores da ordem de 170 milhões de dólares por ano.
Redator: Tradição Regional
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