Segunda, 08 de junho de 2026, 09:03h
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Centenas de caminhões circulam na BR-116, no trecho que compreende a região sul do estado. O setor produtivo é a mola mestra dos municípios locais e os caminhoneiros tornam-se protagonistas para o bom andamento do escoamento da produção.
Com 64 anos – sendo 50 deles dedicado à profissão –, Rubens Heinrich, popularmente conhecido como Bena, é um dos profissionais que tem a responsabilidade de transportar grãos de Arroio Grande para o Porto de Rio Grande.
Ele começou na profissão com 15 anos, e na época de safra perdia praticamente todas as aulas, o que dificultou sua formação escolar. Ao cumprir as obrigações militares, passou a trabalhar de forma integral na profissão.
No ano de 1976, Bena comprou seu primeiro caminhão, tendo a oportunidade de viajar para diversas cidades do Brasil e Uruguai. Nos últimos anos seu trajeto se resume a atuar na região sul, no entanto, muitas experiências foram acumuladas no decorrer de tantos anos de estrada.
O caminhoneiro considera como parte negativa de sua profissão as condições em que alguns caminhoneiros são submetidos nas estradas: falta de estrutura e segurança são os principais problemas que os profissionais enfrentam. Nesse sentido, recorda de diversos acidentes e amigos que perdeu na estrada, vivendo situações marcantes de perto. “A sensação de perder amigos em acidentes é muito ruim, você fica, pelo menos, uns seis meses com a sensação de que pode acontecer contigo”.
As amizades feitas na profissão são um bem que Bena valoriza. Dividir situações em comum geram amizades que perduram durante o tempo.
Em relação ao futuro da profissão, Bena enxerga uma mudança muito grande nos profissionais, que antigamente formavam-se caminhoneiros e hoje motoristas de caminhões. “Caminhoneiros são aqueles profissionais que se por acaso estragar o caminhão, ele mesmo conserta. Já os motoristas de caminhão, caso quebre o veículo, ele liga para empresa providenciar o conserto”, comenta.
É notável a importância que a classe tem para o país, que foi mais perceptível na última greve nacional feita pelos caminhoneiros. Desta forma, Bena atribui a importância da fortalecer os sindicatos para buscar melhorias à categoria.
Para ele, uma das grandes dificuldades da estrada é encarar a saudade da família. Casado há 43 anos, Bena tem na saudade da família um dos principais problemas enfrentados no exercício da profissão, mas pondera que o avanço da tecnologia facilitou bastante, principalmente com a popularização do uso do celular, indispensável para manter contato com os familiares.
Ao falar de sua fé, a emoção aflora. Cristão, Bena tem em Deus a principal ajuda para enfrentar os problemas da estrada e finaliza dizendo que não se nega a compartilhar suas experiências com seus amigos caminhoneiros, atribuindo seus momentos de reflexão nas constantes viagens a solução para muitos problemas enfrentados.
Participação no Caldeirão do Huck
Em 2014, ele foi convidado para participar de uma reportagem produzida pela Rede Globo, momento que marcou sua profissão. Na ocasião, a equipe do programa Caldeirão do Huck foi a Arroio Grande e o entrevistou na avaliação de um projeto produzido por alunos do IFSul Pelotas, que desenvolveram um bafômetro capaz de travar a ignição caso o motorista esteja alcoolizado.
O reconhecimento da comunidade
Bena é uma figura conhecida pela população: já foi eleito presidente de bairro, vereador e atuou como secretário de Turismo, porém nunca deixou de ser caminhoneiro. Pela sua trajetória política, ele destaca que através dessas ações, teve a oportunidade de se deparar com a realidade, colaborando de alguma forma com a população.
Redator: Tradição Regional
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