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04-06-2012

Autoridades defendem políticas diferenciadas de educação para manter os jovens no campo


Foto: Marcos Eifler Dbate lotou o Plenarinho da Assembleia na manhã de quinta-feira (31)
As comissões de Agricultura e de Educação realizaram audiência pública conjunta, nessa manhã (31), para debater tema “Educação no Campo”, em especial a dificuldade enfrentada pelos jovens que vivem no meio rural no que tange ao acesso à uma educação qualificada e voltada as suas necessidades. O encontro reuniu autoridades federais, estaduais e municipais, além de representantes de universidades, escolas rurais e entidades sindicais.   O presidente em exercício do Parlamento Gaúcho e membro titular da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, deputado Alceu Barbosa (PDT), participou da audiência pública e destacou a importância da educação para o desenvolvimento de uma sociedade. Ele sublinhou que a educação no campo deve ser vista como instrumento capaz de proporcionar aos jovens perspectivas de permanência no local com qualidade de vida igual ou até superior às que podem ser encontradas na cidade.   Para o proponente da audiência pública, deputado Altemir Tortelli (PT), o grande consenso é de que é necessário levar as políticas diferenciadas de educação  para o meio rural, para as famílias e especialmente para os jovens. Ele salientou que, com o formato e conteúdos oferecidos pela escola pública hoje, os jovens acabam sendo incentivados a deixarem as comunidades rurais para buscarem nas cidades outra profissão que não seja a de agricultor familiar.   O parlamentar destacou que a pedagogia da alternância é o caminho apontado como o mais adequado para fomentar a permanência dos jovens no meio rural. Tortelli sustenta que esta pedagogia possibilita ao jovem estudar e aplicar o conhecimento adquirido na escola em sua propriedade, com acompanhamento dos professores e dos próprios pais, que assumem a gestão da escola.    Tortelli defendeu ainda que o Rio Grande do Sul construa uma política de educação rural que se articule com o Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo), mas que leve em conta as especificídades locais.   O presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, deputado Ernani Polo (PP), também defendeu a construção de mecanismos capazes de evitar o êxodo rural, que tem se acentuado nas últimas décadas, colocando em risco a sucessão familiar das propriedades. "Nós precisamos inverter este processo", advertiu Ernani.   Pronacampo O coordenador geral de Políticas de Educação do Campo do Ministério da Educação, Antônio Lídio de Mattos Zambom, apresentou o Pronacampo, que é um conjunto de ações que trata desde a formação de professores, infraestrutura de escolas (energia elétrica, rede de internet, rede de esgoto e água potável), até o apoio para a qualificação dos professores. Outras iniciativas são o programa Mais Educação, que leva a educação profissional para o campo, e o  o EJA Campos, Saberes da Terra, voltado para alunos com 15 anos ou mais que não concluíram o ensino fundamental e que agora podem fazê-lo, juntamente com uma qualificação profissional. O Pronacampo prevê também recursos para o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas voltadas para a temática da educação no campo, sublinhou Zambom.     Antônio Marangon, representante da Secretaria da Educação do RS, sublinhou que o governo do Estado vem retomando a educação no campo a partir das novas diretrizes emanadas do Ministério da Educação. Ele defendeu a mudança de uma visão educacional urbanocêntrica para uma perspectiva que contemple a realidade dos jovens da agricultura familiar. Para que isto ocorra, é necessária a construção de escolas no campo para que os jovens das comunidades rurais estudem em estabelecimentos localizados na própria comunidade, sem a necessidade de deslocamento para centros urbanos, argumentou Marangon.   O secretário do Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul , Ivar Pavan, sublinhou que não é possível pensar em desenvolvimento rural sem uma educação de qualidade e, para que isto ocorra, o Pronacampo traz uma grande diretriz de investimento na área da infraestrutura, avança na possibilidade de currículos adequados às necessidades de qualificação dos jovens que vivem no meio rural e cria a possibilidade da formação profissional dos agricultores. "São programas e projetos extremamente necessários", avaliou Pavan ao sublinhar que estas questões são problemas enfrentados pelas próprias comunidades rurais.   Representando a Federação dos Trabalhadores da Agricultura RS (Fetag-RS), Leomar Fernando Mattia defendeu mais investimentos na infraestrutura do meio rural como forma de manutenção dos jovens nas suas comunidades, estancando assim o êxodo rural. Ele destacou que, durante as últimas décadas, vem ocorrendo a desvalorização das pessoas que vivem no meio rural. "Temos que, mais do que mudar o currículo da escola, mudar a forma de fazer educação voltada para uma nova sociabilidade e onde a competição não seja  mais o primordial", defendeu.   Também participaram da audiência pública o deputado Valdeci Oliveira (PT), representantes das Casas Familiares Rurais e Escolas Famílias Agrícolas, da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo/Fetraf, da Federação dos Agricultores na Agricultura no Rio Grande do Sul/Fetag, da Via Campesina, do Movimento dos Pequenos Agricultores/MPA, prefeitos, secretários municipais, comunidades escolares rurais, UFpel, Uri, Faders, Famurs e Fepagro, entre outras. © Agência de Notícias
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Redator: Assessoria de Imprensa



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