Domingo, 07 de junho de 2026, 10:09h
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O mercado de flores e plantas ornamentais é uma importante engrenagem na economia brasileira, responsável por 199,1 mil empregos diretos, dos quais 78,7 mil (39,53%) são ligados à produção. De acordo com o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), o Brasil conta com cerca de oito mil produtores de flores e plantas. Juntos, eles cultivam mais de 350 espécies e cerca de três mil variedades. Em 2016, o faturamento do setor foi de R$ 6,7 bilhões e em 2017, estima-se um crescimento entre 6% e 8%.
As principais espécies de flores cultivadas no país, quando se trata de flores de corte, são as rosas, crisântemos, astromélias, lírios e lisiantos. No caso de plantas em vasos, orquídeas (Phalaenopsis é de longe o maior), kalanchoe, crisântemos e antúrios. São Paulo é o estado que mais cultiva flores e plantas em vasos, além de ser o maior empregador de mão de obra familiar e o maior consumidor. A flor mais consumida e de maior produção é a rosa, mas nos últimos anos a astromélia registra crescimento. O município de Pelotas é um grande consumidor de flores, especialmente as de corte, utilizadas na decoração de festas como casamentos, aniversários, formaturas e outras, e a maioria destas flores vêm de fornecedores paulistas.
Em Pelotas e região, existem iniciativas isoladas de produção de flores em estufas. Houve, há alguns anos, tentativas de organização da cadeia produtiva, com a criação, em 2002, da Associação de Floricultura da Região Sul do Rio Grande do Sul – Flores do Sul, da qual participavam 11 produtores de Pelotas, cinco de Capão do Leão e um de Morro Redondo. Três anos depois, em 2005, foi criada a rede Verde em Folha, através da iniciativa de sete produtores de flores com propriedades localizadas em Pelotas, Capão do Leão, Turuçu, Morro Redondo e Piratini. A rede se configurou a partir do programa Redes de Cooperação, do Governo do Estado, desenvolvido através da Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai), em convênio com a Universidade Católica de Pelotas (UCPel), por meio do Escritório de Desenvolvimento Regional. A intenção era montar uma central completa, que oferecesse além das flores, todos os artigos necessários às floriculturas, tais como pedras, vasos e embalagens, mas a ideia não prosperou e alguns chegaram a desistir da atividade e, atualmente, se dedicam a outros segmentos.
Em Morro Redondo, um remanescente destas iniciativas é o produtor Paulo Renato Zanetti dos Santos, proprietário do Sobrado das Plantas, e hoje um dos empreendimentos que integra o Roteiro Turístico Morro de Amores, lançado em 2014. Localizado a 500 metros do trevo de acesso ao município, pela BR-392, na localidade do Rincão da Caneleira, o Sobrado das Plantas foi assim batizado pelos próprios visitantes, conta o proprietário, que atendia em sua casa, um sobrado.
Santos é biólogo e engenheiro agrônomo, com mestrado em hortaliças, e antes de se dedicar às flores, possuía lavoura de tomate, em sociedade com o pai e o cunhado, que acabaram se voltando para a produção de pêssego. “Tem 16 anos que comecei a produzir comercialmente e os meus principais clientes são as floriculturas”, explica.
O ponto de venda completa cinco anos no dia 15 de novembro e está localizado ao lado da casa, em terreno adquirido em 2012. Com a entrada no roteiro, ele conta que recebe muitos visitantes aos domingos e, por isso, funciona durante toda a semana, das 9h às 12h e das 14h às 18h, neste que se tornou o seu principal dia de vendas.
Sua especialidade são as flores de jardim, tais como tagetes, onze horas, impatiens de sol e sombra, amores perfeitos, petúnias, prímulas, entre outras, e também para interiores, como plantas ornamentais (bromélia, rosa de pedra, suculentas, minicactos, antúrios, samambaias e lírios da paz) ou outro tipo de vegetação. Além das plantas de estação, existem as anuais como azaleias, alecrim, alamandas, três marias, crisântemos, copos de leite, moreias e agapanto. Para valorizar um pouco mais o negócio, ele resolveu expandir, também, a produção de mudas de árvores frutíferas, muito procuradas pelos visitantes, como citrus, maçã, uva, carambola, goiaba, caqui, azeitona, jabuticaba e outras.
Além das flores e das plantas, o espaço oferece uma variedade de produtos aos clientes, como vasos de concreto e cerâmica, terras e adubos, mesas de pedra para jardim, artesanatos diversos com aproveitamento de materiais como pneus e em madeira, pedras e outros.
Na área destinada à produção de mudas, estão flores para jardim, plantas diversas ornamentais, suculentas, cactos, bromélias, orquídeas, samambaias, bordadura de canteiros, mudas em vasos e produção de palmeiras nas lavouras. Outra modalidade de negócio é o aluguel de plantas para festas como palmeiras e outras plantas maiores.
O biólogo ressalta que muitos visitam o local em busca do contato com a natureza, muitas vezes inexistente nas cidades. Por isso, no futuro, pretende investir em um espaço para convivência, onde o visitante possa permanecer pelo período que desejar.
Há duas modalidades de excursões: sem agendamento prévio e sem custo, com acesso apenas à área de vendas e outro com agendamento e acompanhamento, em que o visitante tem acesso também à área de produção. Neste caso há cobrança de uma taxa e o visitante recebe outros agrados, como por exemplo, a oportunidade de provar licores produzidos pela esposa do proprietário.
Redator: Tradição Regional
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