Domingo, 07 de junho de 2026, 01:21h
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O produtor Joel Stocker, da Cabanha La Figueira, de Pelotas, é exemplo de que ovinocultura e propriedade familiar são compatíveis
A pequena propriedade rural desperta para uma nova atividade: a ovinocultura, que vive fase de franca recuperação. “A atividade vive momento motivador, especialmente no que se refere ao mercado e comercialização de lã, extremamente favorável às lãs finas”, salienta o médico veterinário e criador Edemundo Ferreira Gressler, que esteve em Pelotas, neste mês de outubro, para julgar as raças ovinas durante a 92ª Expofeira Pelotas. Ele explica que por se tratar de uma commoditie, o preço do produto se flexibiliza de acordo com o movimento do dólar.
Proprietário da Cabanha Coxilha Verde, de São Sepé, o criador é técnico da Associação Rio Grandense de Criadores de Ovinos (Arco) e, em março de 2019, disputa a eleição para presidente da entidade, tendo como vice-presidente em sua chapa, a criadora Elisabeth Amaral Lemos, de Pedras Altas. Segundo Gressler, o momento é favorável também à carne, com valorização e números favoráveis. “A ovinocultura possui capacidade de produção anual de carne e lã, com retorno muito rápido”, salienta. São muitos nichos de mercado, como por exemplo o artesanato, que já é exportado.
Ele destaca a recuperação em números de cabeças, principalmente dentro das pequenas e médias propriedades. Nos anos 60 e 70, o rebanho gaúcho que era de 13 milhões de animais sofreu declínio, chegando a menos de três milhões, situação que está mudando.
O técnico destaca o registro genealógico para a valorização do rebanho e salienta que as lideranças, nas associações de raça, Emater, Secretaria de Agricultura devem ser os grandes incentivadores. “Os gaúchos têm a expertise, é preciso motivá-los.Temos tudo que é preciso: um setor que remunera bem e gente que sabe produzir”, finaliza.
Paixão pela ovinocultura, transforma propriedade familiar
O produtor Joel Stocker, da Cabanha La Figueira, de Pelotas, é exemplo de que ovinocultura e propriedade familiar são compatíveis. “A ovinocultura vem perdendo espaço nas grandes propriedades, e a pecuária, pressionada pela agricultura, ganha espaço nas pequenas propriedades, que vêem na ovelha, uma possibilidade a mais de ganho, seja com a carne, lã ou pelego”, diz. Ele iniciou a atividade com a raça Texel Naturalmente Colorida, há seis anos, na cabanha que pertence aos seus pais e sem qualquer vocação para a ovinocultura. “Eles trabalhavam com bovinos de leite e depois migraram para bovinos de corte, que era a sua única atividade”, diz.
As primeiras matrizes Texel brancas foram adquiridas em 2012, quando começou a fazer coberturas com texel naturalmente colorido, lembra Stocker. “Em cima dos brancos, em 2013, começamos a desenvolver o black texel”, ressalta. Segundo ele, isso ocorreu pensando em um nicho de mercado, a demanda por pelegos pretos, bem mais valorizados do que os tingidos, ressalta. Com base em registros veterinários, Stocker estima que existam na informalidade, no interior de Pelotas, mais de 100 estabelecimentos que criam ovinos, grande parte para subsistência. “O ciclo da ovelha é muito rápido. Em um ano, com a venda da lã e cordeiro quase se chega ao valor do investimento”, assegura. Ele vê, o interesse, principalmente de jovens em investir na atividade. “A região tem potencial de crescimento dentro das pequenas propriedades, o que falta no entanto é a formação de mão-de-obra”, ressalta. Segundo ele, se confirmada a criação na informalidade, o rebanho local pode ser de 20% a 30% maior do que o oficial.
Redator: Tradição Regional
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