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30-11-2018

CADERNO AGRONEGÓCIO: Colheita do pêssego é celebrada em dezembro


*Com informações da Assessoria de Imprensa


O mês de dezembro é o ponto alto da safra de pêssego, na região de Pelotas. Apesar da safra 50% menor em alguns pomares, devido a problemas climáticos, produtores celebram a cultura durante a Festa do Pêssego, que ocorrerá neste domingo (2), no Rincão da Caneleira, 8º Distrito de Pelotas. 



A fruta envolve cerca de 600 produtores – um terço dos agricultores da zona rural local – e ocupa três mil hectares de terras. A expectativa é de uma colheita de 30 mil toneladas na safra 2018. Em termos econômicos e sociais, a cadeia do pêssego é a mais importante para Pelotas, uma vez que movimenta mais de R$ 250 milhões por ano e gera renda e empregos, com mais de 600 famílias vivendo desta atividade e cerca de 20 mil pessoas trabalhando na indústria.


Além da abertura oficial da colheita, o evento contará com venda da fruta in natura e derivados, atrações artísticas e culturais, concurso da melhor fruta e bancas com artesanato.


Desde o dia 24 de novembro até 9 de dezembro, uma semana antes e uma semana depois da festa, ocorre a Quinzena do Pêssego, criada há cinco anos sob a responsabilidade do gabinete do vice-prefeito. Diversas atividades foram programadas para o período, como a participação de restaurantes da cidade que incluem no cardápio pratos com a fruta, gincana de merendeiras da Secretaria de Educação e Desporto (Smed), para escolha da melhor merenda com pêssego, e concurso de redação nas escolas.


O objetivo da Quinzena e da Festa Municipal do Pêssego é resgatar a valorização dos produtores e da fruta, bem como aproximar a cultura da população urbana e rural. As festas atraem participantes de todas as localidades da região para a colônia de Pelotas.


Soberanas


Como toda a festa, a do Pêssego também tem sua corte. As estudantes Diana Bohrer e Tamires Mattozo, as duas de 15 anos e filhas de produtores são as soberanas da Festa do Pêssego 2018. Diana, aluna da Escola Estadual Professora Elizabeth Blass Romano, e Tamires, que estuda na Escola Municipal Garibaldi, foram as eleitas pelo júri, após desfilar com outras três candidatas. 


Produtor lamenta perdas, mas não deixa de apostar na cultura


Produzir pêssego é meio que uma paixão e vem passando de pai para filho, há gerações, no interior de Pelotas. Na Colônia Santa Helena, está estabelecida a família Bosembecker, onde o pai Dari, a mãe Ivete e o filho Adriano se dedicam à atividade, que existe na propriedade há mais de 40 anos. A propriedade possui 20 mil pés das variedades Esmeralda, Maciel, Granada, Bonão, Eldorado, todas de dupla finalidade, indústria e mesa, explica Adriano Bosembecker. Segundo ele, atualmente é feita a colheita do Granada, pois a maturação das cultivares do cedo, teve início há 45 dias e já terminou. No forte da safra, a variedade Esmeralda domina e entre as mais tardias, estão Eldorado e Jubileu. “Esta safra deve ser bem menor do que a anterior de 30% a 40% devido à morte precoce de algumas plantas”, diz o produtor.


Ele explica que houve perdas de plantas de quatro anos, enquanto a vida útil de um pessegueiro é de 12 a 15 anos. “Das 1,2 mil plantas de Granada, metade foi atingida por uma doença”, afirma Bosembecker. As causas são desconhecidas e estão sendo investigadas pela pesquisa. A hipótese é de que tenha a ver com o clima, que se mostrou atípico este ano, com registro de temperaturas altas em abril, sucedidas por quatro meses de chuva e frio. O descontrole climático pode ter interferido na dormência da planta, acredita.


Entre as variedades mais atingidas pelas perdas está a Jubileu. “Além da perda das plantas, há prejuízos também com a irrigação e o adubo utilizado que acabam sendo jogados fora. Após esta safra, as plantas que sobraram nestas variedades devem ser arrancadas, para evitar que a doença se espalhe. Até o raleio, se teve todo o custo de manejo com estas plantas”, ressalta.


Mesmo assim, o produtor espera colher 220 mil quilos, 30% a menos do que o ano passado. “A partir do quarto ano de produção da planta, com boas condições de clima, considera-se uma produção boa por planta, no mínimo 20 quilos”, destaca. 


O produtor deve participar da Festa e da Quinzena do Pêssego com a variedade Granada. Os preços devem variar entre R$ 3 e R$ 5.  À indústria, a produção começou na segunda quinzena do mês de novembro e os preços praticados variam de R$ 1,10 para a fruta tipo 1 e R$ 0,90 a tipo 2.


Cadeia produtiva movimenta até R$ 600 milhões por ano na Região


Segundo dados da Emater, na região de Pelotas, que envolve outros sete municípios, a área cultivada com pêssego indústria e de mesa chega a 6.450 hectares, com uma produção total de 66.030.500 quilos por 1.387 produtores/famílias. Esta cadeia produtiva movimenta entre R$ 500 e R$ 600 milhões anualmente. Destes, R$ 60 milhões somente entre os produtores junto à indústria e outros R$ 4 milhões com o pêssego de mesa. 


A cadeia produtiva do pêssego está presente no país há mais de 470 anos e é responsável pela produção de 285.875,84 toneladas de frutas. O Rio Grande do Sul é o maior produtor do Brasil com 160.826,92 toneladas, ou 56,25 % da produção, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dados do Censo Agropecuário 2006 e Emater-RS/Ascar. No mundo, a China é o maior produtor e também o maior consumidor.


A região de Pelotas responde por 95,3% da área e produção de pêssegos tipo indústria do estado. A área média cultivada com pêssegos no Rio Grande do Sul é de 2,63 hectares, que possui área total de pomares de 18.472 hectares.


Somente para o tipo indústria, a área média estadual é de 4,42 hectares. Em Pelotas, os persicultores cultivam em média cinco hectares. Entre os 1.860 produtores de pêssego do estado, 85,89 % está estabelecido na região produtora de Pelotas. Também são gerados cerca de 2,5 mil empregos diretos e indiretos.


Atualmente, a região possui 13 agroindústrias que são responsáveis pela produção média anual de 50 milhões de latas, o que pode variar conforme a safra anual de pêssego, entre 40 e 80 milhões de latas, o máximo que já foi produzido.


A primeira lata de conserva foi idealizada pelo francês Amadeo Gustavo Gastal e a primeira agroindústria surgiu em 1900, por iniciativa do italiano Domingos Pastorello, que fundou a “Quinta Pastorello”, na Colônia Santo Antônio, interior de Pelotas.


O consumo per capita brasileiro da fruta chega hoje a 1,123 quilo. À medida em que aumenta a renda per capita, mais recursos são destinados para a aquisição da fruta in natura ou em conserva, considerados produtos de alta elasticidade de renda.


 

Redator: Tradição Regional



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