S�bado, 06 de junho de 2026, 07:02h
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Doutoranda Mariana e mestrandas Letícia e Patrícia com o profº Ferri falam sobre o cultivo da pitaya e workshop
Uma fruta exótica que tem chamado atenção do mercado e ganhado destaque entre produtores e consumidores é a pitaya. Dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Rio Grande do Sul é o estado no país com maior número de propriedades rurais com o cultivo da fruta.
Esse fruto, de cores vibrantes, começou a ser cultivado recentemente nas produções da Região Sul. Durante pesquisas iniciadas pela estudante de Agronomia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Raphaella Lobo, por sistemas agroflorestais, e a mestranda Patrícia Graosque Ülguim Züge (UFPel), pela cultura da pitaya, do curso em Fruticultura de Clima Temperado da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), foi vista a oportunidade da troca de informações entre alunos e agricultores, tendo conhecimento em demandas, modo de trabalho e adaptação da cultura. Assim iniciou uma parceria com o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), com trabalhos voltados aos produtores de Pelotas, Morro Redondo e São Lourenço do Sul.
“Conseguimos aprovar um projeto de extensão e uma das ações é a realização do I Workshop Sobre o Cultivo da Pitaya na Região Sul do Rio Grande do Sul, voltado também para o sistema agroflorestal, uma vez que grande parte dos produtores que estão cultivando a fruta possui o sistema”, comenta Patrícia.
Segundo a mestranda Letícia Mello, o workshop conta também com o viés de auxiliar o produtor em diversos temas, com palestras e oficinas, como minhocultura, tutoramento convencional e de tutores vivos, produção de mudas e aproveitamento de cladódios para novas mudas, poda, aproveitamento de frutos, dentre outros. “A intenção é que o produtor possa utilizar da melhor maneira essas informações para produzir e estimular ainda mais a cultura nessa região”, afirma.
O profº drº Valdecir Carlos Ferri, dos cursos de Química de Alimentos, Tecnologia de Alimentos e Gastronomia, todos da UFPel, diz que o mercado de frutas mudou, pois hoje o consumidor se interessa, também, na contribuição nutricional proporcionada, seja vista na reeducação alimentar para emagrecimento ou até mesmo consumida como um remédio natural.
“A pitaya tem uma carga positiva tanto na quantidade como qualidade de compostos funcionais pelo fato de que a origem dela é de solos degradados. Para a planta se proteger, geneticamente, cria uma capacidade de autoproteção e, com isso, usufruímos do armazenamento desses compostos”, destacou ele, ressaltando que a casca contém a maior quantia de substâncias, bem como as sementes.
A agregação de valor no modo de consumo da pitaya é destaque na produção, sendo outro ponto de motivação para agricultores. Atualmente, é possível fazer chá com as cascas desidratadas e o grupo de pesquisa da universidade também estuda a possibilidade de fazer a bebida a partir dos cladódios e frutos. Conforme a doutoranda Mariana Iarrondo Bicca, os cladódios também podem ser usados em pratos salgados, como também em sorvetes. Além da forma in natura, o fruto pode ser consumido em geleias e doces, sendo mais uma opção de comercialização. “É aproveitado tudo, até mesmo a flor”, ressalta Letícia.
“A cultura não exige muito na questão do preparo do solo, por ser rústica e ter boa adaptação. Ela se desenvolve bem em vários tipos, como em Santa Catarina, que é argiloso, e aqui [estado] temos areia e enraíza muito bem. Para o produtor, isso é mais acessível”, relata Mariana.
Como a inserção da fruta é uma novidade na região, a intenção do grupo é de acompanhar os produtores desde o início do cultivo. No intuito de haver trocas de informações sobre a cultura, o workshop realizou na última quinta-
feira (13) uma série de palestras, que contou com pesquisador científico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios e colaborador da Universidade de São Paulo (USP), drº Nobuyoshi Narita, para falar sobre as experiências da produção de pitaya na região oeste paulista.
Também realizaram falas o doutorando Dejalmo Prestes sobre a viabilidade econômica do plantio da pitaya; doutor Ernestino Guarino, da Embrapa Clima Temperado, sobre agroflorestas; e experiências iniciais e perspectivas para o futuro sobre o cultivo da pitaya na Região Sul com o doutorando Fábio André Mayer, do CAPA.
Outra palestra propiciada ao público foi de um dos pioneiros na produção agroecológica na Região Sul e um dos maiores produtores de Pelotas, Nilo Schiavon. Atualmente é presidente da Associação Regional dos Produtores Agroecologistas da Região Sul (Arpasul) e iniciou há um ano e meio, aproximadamente, a produção de pitaya no sistema agroflorestal.
Em sua avaliação, Schiavon afirma que o mercado é excelente para este produto, sendo mais uma opção de mercado. “As perspectivas são melhores do que a gente pensava, por ser de outra região e ter se adaptado muito bem na propriedade”.
Hoje, o produtor vê o sistema agroflorestal como a “menina dos olhos”, sendo ele muito positivo e com resultados impressionantes, tanto de produção, equilíbrio de todo ecossistema e biodiversidade de plantas. O primeiro sistema foi realizado há seis anos, a partir de uma lavoura aberta, cultivada com milho e feijão. A implementação se deu com a inserção de duas variedades de citrus, intercalando com acácia.
“Neste primeiro ano, colocamos aipim e dessa área, tiramos duas toneladas. A partir disso, começou a se implementar vários tipos de plantas: nativas, exóticas e ornamentais. Se procurou levar o que tínhamos nativos, principalmente árvores de frutas, para atrair as aves no sistema, porque assim, elas ajudam a plantar sementes”, destaca, complementando que hoje são 78 árvores nativas no sistema, totalizando 960 plantas.
Além disso, nesta sexta-feira (14), acontece uma Tarde de Campo na propriedade de Schiavon, localizada na Colônia São Manoel, destinada a alunos, pesquisadores, professores, produtores e público em geral interessados pelo tema para participar das oficinas.
Para quem sair de Pelotas, basta seguir pela BR-392 até a entrada da Colônia Maciel, e de lá seguir a rota indicada pelas placas de sinalização. A participação não possui custos e inicia às 13h30.
Os apoiadores do workshop são Emater-RS/Ascar, Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Pelotas, Prefeitura de Canguçu, Prefeitura de São Lourenço do Sul, Prefeitura de Morro Redondo, Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica (NEAPO), Embrapa Clima Temperado e patrocinadores Pitaya do Brasil, Padaria Estrela, Biri Refrigerantes e Fertilizantes Beifort.
Redator: Tradição Regional
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