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A agroindústria Frutos da Terra existe desde 1997 e é da produtora Rosani Schuch Voigt
A agroindústria Frutos da Terra, da produtora Rosani Schuch Voigt, localizada na Colônia Osório, 3º Distrito de Pelotas, é especializada em conservas: do pepino à cebola e picles decorados, como também dos doces - ambrosia, figo, abóbora, batata doce, chimias e geleias. Inaugurada em 1997, foi iniciada em parceria com a irmã Rovani Schuch, que há alguns anos resolveu seguir outro caminho.
Mas o empreendimento tem um diferencial, que a torna especial entre as demais agroindústrias existentes no interior pelotense: é a única que ainda produz e oferta para venda aos seus consumidores, o aspargo em conserva, branco ou verde. “Hoje eu sou a única referência para a aquisição de aspargos em conserva, produzidos no município”, diz.
A hortaliça, que ganhou expressão na região de Pelotas, na década de 1960, com a sua industrialização, deixou de ser produzida pela indústria conserveira local, nos anos de 1990, devido à concorrência com o produto importado.
Filha de produtor de aspargo, Rosani é uma obstinada e trabalha para que o produto com procedência pelotense não seja extinto. Na propriedade, neste ano, ela colheu em torno de 300 quilos, mas conta que no auge da produção, chegou a serem colhidos 8 mil quilos da hortaliça. “Trata-se de uma cultura difícil, que envolve muita mão de obra, principalmente na colheita, que começa entre o final de setembro e início de outubro e se estende até metade de dezembro”, ressalta.
A paixão pela cultura foi herdada do pai, ainda em 1997, quando ganhou dele, de presente, uma caixa da hortaliça e ela fez as conservas, que renderam em torno de 20 vidros. “Minha sogra levou para a cidade e vendeu tudo”, conta. Foi neste momento que resolveu investir e comprou a lavoura do pai. Também se valia da safra de vizinhos e chegou a integrar um grupo de 10 a 12 famílias que se concentravam neste trabalho, que aos poucos foram se dedicando a outras culturas, como a soja. “O meu marido e filho plantam soja”, afirma.
O processo da lavoura à agroindústria é totalmente manual, desde a colheita, separação por tamanho e cor. Em seguida, precisa ser lavado várias vezes, descascado, fervido e colocado nos vidros. “É preciso três pessoas para descascar e leva três dias para se fazer 100 quilos”, destaca. Ela conta que ainda possui um produtor remanescente, que planta o aspargo e vende. “O clima tem sido o nosso pior inimigo, com calor e umidade e noites quentes, o que é totalmente desfavorável à qualidade dos brotos”.
Rosani explica que a diferença entre o aspargo branco e o verde é que o primeiro é colhido ainda embaixo da terra e descascado, já o outro quando emerge na terra. “O aspargo é o broto de uma raiz”, salienta. Ela esclarece que se trata de uma cultura perene, em que a parte vegetativa se mantém verde até a chegada do inverno, quando morre e seca, isso entre os meses de agosto e setembro. “Neste momento é que se faz a limpeza da lavoura e o canteiro, em forma de camalhão para que se desenvolvam os brotos”. De acordo com ela, sua produção só não pode ser considerada ecológica porque utiliza adubo químico.
No auge da produção, chegam a ser feitos de dois a três cortes por dia. “Desde o plantio da semente até a primeira colheita, leva em torno de três anos. É uma cultura que exige paciência”, conta.
A sua preocupação atual é não deixar a cultura morrer, pois considera a atividade como uma obra de arte, pois além de ser totalmente artesanal, não leva qualquer tipo de veneno. E por isso, mesmo que em pequena escala, ainda insiste na produção, que também envolve custos altos. Além da venda na agroindústria, 90% da sua produção é destinada a restaurantes. “Não tenho como vender para grandes redes porque não tenho volume”, acrescenta.
Ela e a irmã chegaram a participar de duas edições da Expointer, em Esteio, em 2002 e 2003, onde fizeram grande sucesso com a venda de todo o produto levado para a feira. No entanto, a dificuldade de logística e, posteriormente, a saída da irmã da sociedade a impossibilitou de participar de feiras.
Redator: Tradição Regional
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