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Na safra 2018/2019, os municípios da Região Sul foram responsáveis pelo plantio de 155.619 hectares de arroz irrigado
Hoje (22), quando as máquinas entrarem na lavoura especialmente preparada para a 29ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e começarem a cortar as plantas, estará aberta a colheita 2018/2019 no Rio Grande do Sul. O ato, marcado para as 14h, deve contar com a presença do governador Eduardo Leite. Ainda era indefinida a presença da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ao evento. Mesmo assim, durante reunião da Câmara Setorial do Arroz, na última quarta-feira (20), um documento contendo reivindicações foi previamente aprovado pelos participantes.
Nova ministra, antigas reivindicações. Integram as demandas dos arrozeiros, a adoção de medidas que diminuam os custos de produção e a resolução de questões relativas à entrada de arroz do Mercosul. O produtor de arroz acumula quatro safras consecutivas com prejuízo e precisa lidar ainda com um alto custo de produção, entre R$ 47 e R$ 48 por saco produzido, enquanto o preço mínimo, que também precisa ser alvo de revisão, está em R$ 36,44.
Sem a sua presença, o documento deve chegar à ministra, em até duas semanas. O presidente da Câmara Setorial do Arroz, Daire Coutinho, ressaltou que a crise da lavoura orizícola provoca redução na área de produção do cereal e consequente migração para a soja. A expectativa é de que neste ano, a produção do estado, que tem 1.000.605 hectares cultivados – redução de 6,1% em relação à safra anterior – também seja um milhão de toneladas menor, resultado de fortes chuvas ocorridas na Fronteira Oeste, em janeiro, responsável por 40% da produção gaúcha. A produção total estadual deve ficar entre 7,2 a 7,3 milhões de toneladas nesta safra. A crise atinge também a indústria, que sofre com a pesada carga tributária.
O presidente da Federação das Associações dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) - entidade promotora do evento - Henrique Dornelles, estima que o endividamento do setor seja de R$ 2,5 bilhões. Segundo ele, mesmo com a redução de oferta do grão, os preços que se vislumbram não são o esperado para cobrir os custos de produção. Dorneles também salienta que mesmo que exista esta tendência de mudança do arroz para a soja, a produção de arroz continua competitiva no Rio Grande do Sul.
Pelo menos tecnologia é o que não falta e isto é demonstrado durante o evento, que ocorre desde quarta-feira (20), na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão, na região de Pelotas. Com o tema “Matriz Produtiva: Atividade Diversificada, Renda Ampliada”, o evento apresenta 34 ensaios com arroz, soja, milho e outros produtos na vitrine tecnológica, além de área diversificada com pastagens e de integração lavoura-pecuária.
Ao todo, foram destinados seis hectares ao evento, com três hectares de lavouras demonstrativas de arroz e soja, um hectare de área alternativa e outro com exposição de búfalos e gado de corte e também, um hectare com estandes institucionais, exposição de máquinas e implementos agrícolas e de empresas parceiras do evento. A expectativa dos organizadores é de que passem pelo evento, que se encerra nesta sexta-feira (22), pelo menos 5 mil visitantes.
O evento conta com patrocínio do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e Ministério da Agricultura, correalização da Embrapa e realização da Federarroz. Participam empresas como Basf, Corteva, Ihara, SuperN, FMC, RiceTec, Adama, Bayer, Delta Plastics, Syngenta, Spraytec, Pioneer, Total Biotecnologia, Sindag e Pastos, e instituições como a Embrapa, Irga e Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Embrapa e Irga lançam novas cultivares de arroz
Duas novas cultivares de arroz devem chegar aos produtores já na próxima safra 2019/2020 e estão sendo apresentadas em ensaios pelo Irga e Embrapa, durante o evento de abertura da colheita.
Pela Embrapa, o pesquisador Ariano Magalhães Júnior apresenta a BRS Pampa CL, que foi um dos destaques no primeiro dia do evento, quando ocorreu o lançamento oficial da nova cultivar. Segundo ele, que foi o responsável pela condução do trabalho com a variedade, oriunda da BRS Pampa com o diferencial de fazer parte do sistema Clearfield, ou seja, é mais resistente a doenças e está apta a se desenvolver em áreas com a presença de arroz vermelho, uma das principais pragas da lavoura atual. “Hoje, cerca de 80% dos orizicultores gaúchos utilizam o sistema Clearfield”, salienta.
Entre as características da nova cultivar, está a precocidade, com ciclo médio de 118 dias, além de ser considerada uma planta com alta capacidade de perfilhamento e possuir características exigidas pelo mercado, como grãos tipo agulhinha (longo-fino). “A produtividade média está acima de 10 toneladas por hectare e os grãos são de qualidade para a indústria e culinária”, afirma.
Pelo Irga, o coordenador regional da Zona Sul, André Matos, mostra a cultivar IRGA 431 CL, a grande novidade do instituto para a próxima safra e que mais se aproxima da qualidade de grão da IRGA 424 RI, hoje referência em produtividade, com o diferencial de apresentar ciclo mais curto, em torno de 120 dias, e maior resistência a doenças, como o arroz vermelho, por integrar a plataforma Clearfield. Segundo ele, a procura por sementes da nova cultivar já é grande e, na próxima safra, deve ser disponibilizado volume de sementes para atender pelo menos 15% da área do Estado, em torno de 150 mil hectares.
Colheita na Zona Sul
Na Zona Sul, nesta semana começaram a ser colhidas as primeiras lavouras de arroz. A expectativa é de que os trabalhos se estendam até o final de abril. Mesmo com redução de área, emtorno de 15% nas últimas três safras, a região vem registrando significativos incrementos de produtividade, em média de uma tonelada a cada cinco anos, resultado, segundo Matos, da adoção de tecnologias do Projeto 10 preconizado pelo Irga e que tem como princípio fazer tudo no tempo certo.
Na safra 2018/2019, a região composta pelos municípios de Pelotas, Arroio Grande, Santa Vitória do Palmar, Jaguarão e Rio Grande foi responsável pelo plantio de 155.619 hectares de arroz irrigado. A produtividade, na última safra, foi de 8,2 mil quilos por hectare.
Entre as variedades mais cultivadas nas lavouras da região, 95,6% são de cultivares Clearfield, afirma Matos, com destaque para a cultivar Guri Inta CL, que cobre 51,4% das áreas. Em segundo lugar, está a variedade Irga 424 RI, em 37,6% da área. Destaque também para a soja, nesta safra, que foi plantada em 78.347,5 hectares na Zona Sul. A produtividade média na última safra foi de 41,2 sacos por hectare.
Arroz e consumo
Durante o evento, tanto no estande do Irga quanto na carreta da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), são realizadas oficinas e palestras sobre os benefícios do arroz e produção de alimentos com farinha de arroz e à base de arroz e derivados. No estande do Irga, os trabalhos são conduzidos pela nutricionista do Instituto, Carolina Pitta e na carreta da Farsul, pela instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a nutricionista Marjana Favin.
As ações do Irga integram o Programa de Valorização do Arroz (Provarroz), lançado em 2016 e tem como objetivos divulgar os benefícios nutricionais do arroz à saúde de quem o consome, além de incentivar o aumento do consumo, que vem caindo nos últimos anos, em torno de 17% em todo o país. Segundo dados do Irga, o consumo que era de 60 quilos por habitante ao ano, não chega hoje a 50 quilos por habitante ao ano.
Homenagens
Anualmente, a Federarroz realiza distinções especiais com a entrega da reconhecida pá a orizicultores que trabalham em soluções para o setor. Neste ano, a entidade prestigia produtores e personalidades com relação direta com a produção. As homenagens ocorreram na noite de quinta-feira (21), em uma edição comemorativa aos 30 anos da entidade, completados em 2019.
Confira os homenageados
Lavoura Nota 10: Carlos Alberto Prestes Iribarrem
Lavoura Pioneira: Werner Arns
Homenagem Especial: João Antônio Rosa da Luz
Homenagem Especial: Miguel Guedes
Homenagem Especial: Eder Leomar dos Santos
Técnico Estadual: André Barros Matos
Técnico Federal: Júlio José Centeno da Silva
Inovação: Indústria Bastiani
Competitividade: Frederico Bergamaschi Costa
Mercado Externo: Pércio Machado Greco
Amigo da Lavoura: João Alberto Dutra Silveira
Pioneirismo: Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (UFPel)
Homenagem Especial: Covatti Filho
Redator: Tradição Regional
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