Sexta, 05 de junho de 2026, 03:03h
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Com o sucesso do evento na Estação Terras Baixas, em Capão do Leão, a expectativa é que a 30ª abertura ocorra no mesmo local em 2020
*Com informações da Assessoria de Imprensa
Com a presença do governador do Estado, Eduardo Leite, prefeitos de Capão do Leão, Mauro Nolasco e de Pelotas, Paula Mascarenhas, representantes do governo federal, senadores, deputados federais e estaduais, representantes das entidades realizadoras - Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Embrapa (anfitriã) e Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), produtores e demais convidados -, foi aberta oficialmente a colheita do arroz, que deve colher até o final de abril mais de 7 milhões de toneladas do cereal, o equivalente a quase 70% do produto consumido no país.
Durante os discursos, foram muitas as reivindicações para que governos estadual e federal olhassem quem produz e desabonassem o produtor de tantos custos burocráticos, tributários e logísticos. Tanto o governador quanto o representante da ministra Tereza Dias, o secretário nacional de Política Agrícola do Ministério da Agricultura (Mapa), Eduardo Sampaio, se mostraram receptivos às reivindicações e enalteceram o produtor de arroz gaúcho, que mesmo com custos altos e preços baixos, se mantêm na atividade. Sampaio destacou a disponibilidade de recursos de R$ 500 milhões para linha de crédito através do Banco do Brasil, para que o produtor possa estocar arroz e não vender na safra.
Leite, por sua vez, disse que não é intenção onerar quem produz e destacou o trabalho de sua equipe técnica para que possam ser adotados meios de sustentar o déficit fiscal do governo, que gasta mais do que arrecada.
O presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, destacou que o Rio Grande do Sul tem a segunda maior produtividade do mundo em áreas de mais de 1 milhão de hectares de arroz e, ao mesmo tempo, os piores preços e competitividade, assim como a menor renda. “O brasileiro se alimenta de forma muito barata, especialmente de arroz, na comparação com outros países, e quem está pagando isso é o produtor rural. E só se tem preço quando ocorre quebra de produção”, ressaltou.
Dornelles disse ainda que o arrozeiro consegue fazer colheitas com muita competitividade, mas enfrenta um mercado extremamente nocivo aos produtores. Lembrou que é por isso que a Federarroz defende a reconversão de arroz para soja, milho e pecuária. “Apesar de tudo o arroz é responsável por mais de 2% da arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do estado. Foi a primeira cultura a instalar a Nota Eletrônica. E, tenho certeza, que se reduzirmos a área e continuarmos sofrendo estas questões do Mercado Comum do Sul (Mercosul) ou mesmo a guerra fiscal, quem sofrerá será a economia gaúcha através da sua arrecadação e pela menor circulação de dinheiro, principalmente na Metade Sul”, colocou.
O evento deste ano teve o objetivo de dar ao produtor a opção de que se, no próximo ano, verificar que não terá preço ou abundância de produção, poderá plantar uma outra cultura, tirando a previsibilidade do mercado, que acabará ficando muito mais atento aos arrozeiros. “Diversificar não é somente sustentabilidade, é também mexer com o mercado que hoje está muito confortável porque sabe que o gaúcho entrega 8 milhões de toneladas de arroz, embora, infelizmente esse ano não seja o caso em função de quebra de safra aliada a uma redução de área, e todo esse contexto levou a um grande endividamento que superou a R$ 2,5 bilhões”, ressaltou Dornelles.
O presidente da Federarroz salientou, ainda, que no momento em que os estados estão querendo eliminar a Lei Kandir para arrecadar mais, existem alguns governos estaduais dando incentivos fiscais para o arroz importado. “Hoje, o Rio Grande do Sul é o maior fornecedor de arroz para todo o Brasil e para vender a uma indústria de fora do estado, tem que pagar o maior nível de ICMS, portanto é estruturante que se possa escoar esse arroz através de uma tributação favorável, destacando que há neste governo uma mudança de postura e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, está tratando pessoalmente de vários assuntos que interessam ao setor orizícola”, comentou.
Endividamento, rentabilidade e crédito foram alguns dos assuntos destacados pelo secretário nacional de Política Agrícola, Eduardo Sampaio. Sobre o arroz importado, ele enfatizou que o governo não pode impor restrição à compra do cereal ao Mercosul.
O secretário anunciou, ainda, que na última terça-feira, (26), a ministra da Agricultura convocou reunião com objetivo de definir ações que possam melhorar a integração entre os diferentes representantes da cadeia orizícola. Além disso, o governo aguardava para a segunda-feira (25), uma resposta sobre negociação para a abertura do mercado para o México.
Sampaio destacou ainda que no dia 21 de fevereiro foi realizada, no Rio Grande do Sul, uma reunião com parlamentares. Um estudo pode originar a criação de um fundo de aval compartilhado para melhorar a condição de refinanciamento de dívidas. “Estamos trabalhando para definir soluções estruturantes fazendo o máximo para atender o maior número de produtores”, disse.
O governador destacou três pautas prioritárias do setor arrozeiro. Sobre a modernização do Irga, disse saber da demanda por um trabalho técnico e responsável do órgão e que reconhece que as taxas que compõem a remuneração do instituto podem ser canalizadas cada vez mais para a pesquisa no arroz. “Infelizmente, boa parte desses recursos é drenada para sustentar o déficit existente no governo. A medida da ampliação da capacidade de investimento, com as taxas que compõem o orçamento, vem da nossa ação de reestruturação do estado para que se torne menos dependente de recursos”, destacou.
Sobre o Porto de Rio Grande, segunda pauta do setor arrozeiro, Leite salientou que a logística não deve ser entrave, mas ser sim a grande oportunidade de escoamento da produção. “Sabemos da necessidade de novas áreas destinadas para garantir o escoamento da produção do arroz e também pela logística”, afirmou
Já sobre a questão dos tributos, o chefe do Estado se comprometeu a trabalhar conjuntamente com os setores para viabilizar as condições de melhor competir no mercado, agregando valor e assim viabilizar mais e melhores condições de produtividade. “Precisamos gerar mais renda, esta que gera capacidade de arrecadação, na medida em que esse setor contribui fundamentalmente nesta arrecadação do Estado”, ponderou.
A 29ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz ocorreu nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro, na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão. Com o tema “Matriz Produtiva: Atividade Diversificada, Renda Ampliada”, o evento apresentou 34 ensaios com arroz, soja, milho e outros produtos na vitrine tecnológica, além de área diversificada com pastagens e de integração lavoura-pecuária. Ao todo, foram destinados seis hectares ao evento, com três hectares de lavouras demonstrativas de arroz e soja, um hectare de área alternativa e outro com exposição de búfalos e gado de corte, além de um hectare com estandes institucionais, exposição de máquinas e implementos agrícolas e de empresas parceiras do evento.
A estimativa é de que mais de 5 mil visitantes tenham passado pelo evento. A Estação Terras Baixas, em Capão do Leão, deve receber a 30ª edição do evento no ano que vem.
Redator: Tradição Regional
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