Quinta, 04 de junho de 2026, 06:37h
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Família Cruz Costa é um exemplo de diversificação na propriedade que tem o leite como carro-chefe há pelo menos 40 anos
Como na maioria dos municípios da Zona Sul do Estado, em Capão do Leão, a atividade agropecuária é o meio de vida da maior parte das famílias que vivem na área rural. Entre os grãos, o arroz e a soja são os que ocupam as maiores áreas e também os produtores de grande porte. O arroz, que já está totalmente colhido no município, ocupou na última safra 6.386 hectares e obteve uma produtividade de 8.450 quilos por hectare, resultando em uma produção superior a 53 toneladas.
A soja, ao contrário do arroz, também é encontrada na pequena propriedade, que representa 30% da área de 9.075 hectares plantados nesta safra. A colheita, ainda em andamento com 75% da área colhida, vem frustrando um pouco as expectativas, com produtividades médias de 45 sacos por hectare quando o esperado era de 60 sacos. O clima adverso tem sido o principal obstáculo do produtor com falta de chuvas na época do desenvolvimento da planta e excesso hídrico na hora da colheita.
O milho também é uma cultura importante na pequena propriedade já que sua produção, ocupada em 990 hectares, é basicamente destinada para silagem tanto da planta inteira quanto de grão úmido, para alimentação do gado leiteiro. A produção leiteira envolve atualmente 40 produtores no município, que juntos mantêm um plantel de aproximadamente dois mil animais, com predomínio da raça holandesa.
A média por produtor gira em torno de 50 litros diários e produção de 1,5 mil litros. Atualmente, três empresas atuam na coleta do leite no município: Cosulati, Lativida e Coopar.
Uma das culturas tradicionais do município, a melancia, vem perdendo espaço, mas ainda ocupa de seis a dez hectares por ano. A comercialização da fruta é feita através da venda direta, nas margens da BR-293. A agricultura familiar também é responsável pelo cultivo de hortigranjeiros, abastecendo o mercado local com frutas como morango, legumes e folhosas. As informações são do extensionista do escritório local da Emater/RS-Ascar, Ezequiel Pereira da Silva.
Diversificação é a tônica na pequena propriedade
A família Cruz Costa, com propriedade na localidade de Figueirinhas, é um exemplo forte de sucessão familiar e diversificação na pequena propriedade. A atividade leiteira atravessa três gerações, iniciada há mais de 40 anos pelo pai do patriarca Pedro Plá Costa e aos poucos assumida pelo neto Alexandre Cruz Costa. Com a média de 50 vacas da raça holandesa em lactação, a produção média diária varia entre 25 e 30 litros vaca/dia, com duas ordenhas diárias, uma pela manhã e outra à noite.
Além do investimento em genética de qualidade, para manter a qualidade do leite produzido, os produtores levam a sério a alimentação do gado. “Uma vaca é uma máquina de produzir leite e precisa de manutenção, oferecida ao animal através da silagem de grão úmido de milho, produzida e elaborada na propriedade, que aliás é pioneira na atividade. A primeira silagem foi feita em 1978”, lembra Pedro Costa.
Para oferecer volumoso e matéria seca de qualidade aos animais, a prática é o investimento em pastagens de azevém e aveia, cultivados com semeadura direta em áreas de resteva de milho e soja. O plantio direto também é prática adotada há muitos anos pela família.
Assistida pela Emater local há mais de 30 anos, constantemente a família abre as portas à realização de dias de campo e cursos, como forma de disseminar e agregar conhecimentos para a qualificação da propriedade. Além dos manejos no campo, a qualidade do leite segue também as recomendações da instrução normativa 51 com sala de ordenha canalizada e resfriadores com capacidade de 1.250 e 500 litros. “Estamos sempre atentos para estas questões”, dizem os produtores.
Já que a ordem é diversificar, a família também, se dedica à apicultura, desde 2005, a fim de aproveitar a boa polinização na propriedade. As caixas de abelha foram adquiridas com recursos a fundo perdido do programa RS Biodiversidade. Após a colheita, o manuseio do produto é feito em sala específica, com a adoção de boas práticas, antes da comercialização.
Redator: Tradição Regional
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