Quinta, 04 de junho de 2026, 04:11h
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Casal Maria Elena e David Armendaris juntamente com a chefe do escritório Karin Peglow falam sobre o Doces e Conservas João de Barro e as ações da Emater, respectivamente
Com um universo de aproximadamente 600 famílias assistidas, distribuídas em 753 estabelecimentos rurais, o Escritório Municipal da Emater de Morro Redondo, a partir do destaque obtido entre as atividades de 2018, estabeleceu a agroindústria familiar como uma das atividades prioritárias para 2019.
De acordo com a chefe do escritório e extensionista rural social, Karin Peglow, a agroindústria também foi apontada na Consulta Popular como uma das prioridades em Morro Redondo e aguarda a liberação de recursos para encaminhar os investimentos. “Hoje temos duas agroindústrias inclusas no Programa Estadual de Agroindústria Familiar, que são a Nardello Vinhos e a João de Barro, inseridas no Roteiro Turístico Morro de Amores”, conta.
A João de Barro, que já trabalha com produtos vegetais, busca a ampliação para trabalhar também com produtos de origem animal, como leite e ovos, para produção de doce de leite e ambrosia. Segundo a extensionista, a regularização será viabilizada através do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf), que teve a recente adesão do município.
Além disso, estão em processo de regularização: uma agroindústria de processamento de frutas, do produtor Renato Almeida, que irá trabalhar com conservas, polpas e desidratados; uma queijaria, de Marcos e Andreia Vieira; além de uma unidade de beneficiamento de ovos coloniais e outra de beneficiamento de feijão, da Cooperativa de Agricultores Familiares de Morro Redondo (Coopamor). Existem, ainda, quatro iniciativas à produção de panificados em processo de legalização, ressalta Karin. Outra demanda diz respeito ao fornecimento de alimentação aos cafés coloniais, que oferecem e servem refeições.
À Emater cabe a assistência técnica para a implantação das agroindústrias, elaboração dos projetos técnicos para instalação e crédito para construção e instalação, assim como todo o processo de legalização.
Estas ações são desenvolvidas em conjunto com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural e Turismo, com sede localizada ao lado do escritório da Emater, através do Balcão da Agroindústria, que acolhe a demanda e orienta sobre os procedimentos.
Atividades tradicionais
Outras três atividades tradicionais da agricultura familiar local e que devem estar em evidência durante a Semana de Aniversário do Município são a pecuária leiteira, com destaque para a raça Jersey, a apicultura e a produção de alimentos e artesanato.
A Mostra de Gado Jersey é realizada pelo segundo ano, junto à festa do município, com a intenção de resgatar e valorizar esta trajetória dos produtores de leite, uma das características da produção do município.
Conforme a extensionista, devem participar da mostra em torno de cinco produtores, a fim de dar visibilidade à criação do gado Jersey. “A ideia é ampliar para o próximo ano, oferecendo maior destaque a este espaço que serve para mostrar o que nós temos e valorizar esta característica”.
Outra atividade de destaque é a apicultura, que tem um grupo constituído por 12 apicultores que realizam atividades periódicas e estão ligados à Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores Rurais (ADCPR) de Morro Redondo. Este ano ocorre a segunda edição do Concurso Municipal da Qualidade do Mel, neste sábado (12), no estande da Emater. Segundo Karin, a avaliação não é técnica, pois é feita por pessoas da comunidade, que analisam quatro itens: aroma, aparência, coloração e sabor. “Os nossos produtores participaram com destaque do concurso regional em Jaguarão e a produtora Cleusa Maciel obteve o primeiro lugar na categoria mel claro”, salienta.
A produção de hortigranjeiros também estará em evidência na Feira da Agricultura Familiar e do Turismo, com a comercialização de empreendimentos que estão envolvidos na produção de alimentos e artesanatos.
A produção de hortigranjeiros ocorre na perspectiva do cultivo sem veneno. De acordo com ela, os produtores passam por capacitação e estão no processo de transição do convencional para o ecológico. Além da participação em programas como o de Aquisição de Alimentos (PAA) e Alimentação Escolar (Pnae) com mercado garantido, a comercialização ocorre nas feiras locais. “São três feiras, todas elas basicamente tocadas por mulheres”, diz.
Nas quartas, ocorre a Feira da Saúde, em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Açoita Cavalo; às quintas no quiosque da Agricultura Familiar e aos sábados, junto ao Sicredi.
Equipe
Desde o final de 2018, a equipe do escritório municipal foi ampliada por meio de convênio com a prefeitura. As atividades são desempenhadas por quatro extensionistas rurais de nível superior, sendo a médica veterinária Adriane Lobo Costa, os engenheiros agrônomos Celomar Hugo Mauch e Evaldo Alberto da Silva Voss, além da assistente administrativa Heloiza Helena Picanço dos Santos e a enfermeira Karin Peglow, que exerce a chefia do escritório.
Parcerias
Segundo a extensionista, o trabalho da Emater é bastante focado em quatro organizações: a Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores Rurais do Morro Redondo (ADCPR), que completa 30 anos em 2019 e tem vinculação com a Emater, desde a sua origem, através dos núcleos que realizam reuniões periódicas com os agricultores, promovendo a assistência técnica e extensão rural.
Uma parceria mais recente, com apenas dois anos, se dá com a Cooperativa dos Agricultores Familiares de Morro Redondo (Coopamor), que consiste na elaboração de projetos na área econômica, principalmente após a situação de desmonte ocorrida com a Cooperativa Sul-Rio-Grandense de Laticínios Ltda. (Cosulati), em que os agricultores foram buscar alternativas como o beneficiamento do feijão e da farinha de milho. Um projeto para o futuro é a embalagem desta farinha. Também está em desenvolvimento a avicultura colonial, envolvendo o trabalho desde a propriedade até a legalização para comercializar os ovos, a fim de articular os agricultores que ficaram sem escolha no mercado regional.
Outras ações envolvem desde 2008, a Associação Quilombola Vó Ernestina, com o projeto Agrovila, programa de habitação que se tornou referência no estado, possibilitando a construção de aproximadamente 60 casas e envolveu a organização da Comunidade Vó Ernestina. Conforme Karin, 77 famílias quilombolas estão no Cadastro Único, mas há em torno de 100 famílias de remanescentes de quilombos no município.
Doces e Conservas João de Barro busca ampliação
A marca João de Barro, já popularizada nas geleias, chimias e compotas artesanais de abóbora, batata doce, pêssego, goiaba, figo, uva, entre outros, em breve dará seu nome também ao doce de leite e à ambrosia, produzidos pelo casal David Armendaris e Maria Elena Nieves Armendaris.
Na agroindústria, que existe há pelo menos quatro anos, localizada na Colônia São Domingos, VRS-802, quilômetro seis, rodovia de acesso a Morro Redondo, o processo é totalmente caseiro e artesanal. A matéria-prima utilizada nos produtos é orgânica e sem a adição de conservantes”, garante Maria Elena, a responsável por todo o processo. Recentemente, com recursos do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), foi adquirido um tacho com aquecimento a gás e mexedor elétrico, com capacidade para 80 litros, o que irá auxiliar na produção dos doces.
Redator: Tradição Regional
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