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23-05-2019

Febre aftosa é foco de política pública gaúcha  


Foto: Paulo André Santos/Seapdr Inspeção e contagem do rebanho são feitas em propriedades rurais de alta densidade de ruminantes, como nesta em Mariana Pimentel

A primeira etapa da vacinação contra a febre aftosa termina no próximo dia 31. Depois disso, entretanto, o trabalho contra a doença continua, através de ações da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr).


O Estado tem um plano anual com milhares de atividades, desde barreiras de trânsito, inspeção em propriedades e assistência técnica, totalizando cerca de 6,5 mil ações. “É fundamental termos uma política pública focada para o direcionamento das ações em saúde animal no Rio Grande do Sul”, avalia o secretário Covatti Filho.



Por semestre, estão previstas 3.264 atividades. O plano foi desenvolvido em 2018 pelo Departamento de Defesa Agropecuária (DDA) visando à mitigação dos riscos mais significativos. As atividades foram divididas em ciclos anuais: janeiro a junho e julho a dezembro. No ano passado, como projeto-piloto, foram desenvolvidas 1.303 atividades entre setembro e dezembro.


Atividades para reduzir riscos


– Barreiras volantes de fiscalização de trânsito em locais estratégicos, de acordo com as metas estabelecidas


– Inspeção e contagem do rebanho em propriedades rurais de alta densidade de ruminantes. Caso exista suspeita, um exame clínico deve ser realizado  


– Inspeção e acompanhamento do carregamento de rebanho em propriedades rurais com alta movimentação


– Inspeção e acompanhamento de pequenas propriedades com criação de suínos para subsistência, já que os animais normalmente consomem restos de alimentos que podem conter o vírus da doença


– Inspeção e acompanhamento de propriedades próximas a aglomerações como remates, rodeios e feiras


– Assistência técnica em granjas comerciais de suínos


Além dessas atividades, o plano prevê um trabalho de educação sanitária, com entrega de material para os produtores, explicação dos sintomas da doença e da importância da notificação em caso de suspeita.


O encontro de Cartagena


Treze países da América Latina e Panamá discutiram a situação da febre aftosa durante cinco dias em Cartagena. Destes países, dois estão com status suspenso (Venezuela e Colômbia) e 11 são livres com ou sem vacinação. O Rio Grande do Sul é zona livre de aftosa com vacinação desde 2001 e busca o status de livre sem vacinação. Equipes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) devem vir ao Estado em julho para uma primeira avaliação do rebanho.


“A participação na Cosalfa 46 foi muito importante porque permite a troca de informações sobre a doença com diferentes países, principalmente os que fazem fronteira com o RS”, afirma Rosane Collares, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Seapdr.


No encontro, a Seapdr apresentou três trabalhos. Além da Análise de Risco para Febre Aftosa, outras duas pesquisas relacionados ao tema foram apresentadas.


O trabalho Ocorrência de suspeitas de síndrome vesicular em suínos no RS entre os anos de 2018 e 2019, de Lucila Carboneiro, Grazziane Rigon, Antônio Medeiros, Marcelo Göcks e Fernando Groff, foi produzido entre janeiro de 2018 e abril de 2019 em estabelecimentos de abate de suínos que registraram lesões compatíveis com as da febre aftosa.


Das 152 notificações de doença vesicular em suínos registradas no Serviço Veterinário Oficial (SOV), 51% (78 casos) foram descartadas. Dos outros 74 casos suspeitos, seis (8%) deram positivo para Senecavirus A. De acordo com o estudo, “as lesões encontradas muitas vezes são indistinguíveis da febre aftosa, requerendo diagnóstico laboratorial para encerramento da suspeita”.


O outro projeto, Análise de multicritérios como ferramenta para diagnóstico educativo e elaboração de Plano de ação em educação sanitária pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO), de Rosane Collares, Antônio Medeiros e Felipe Campos, mostrou os objetivos do Plano Estadual de Educação Sanitária, que serão desenvolvidos até 2020, prevendo mais de 2.719 atividades.


Cada município deverá ter no máximo 10 atividades por ciclo semestral. “O plano é um valioso instrumento para operacionalização pelas unidades locais das atividades educacionais a que se destina”, destacam os pesquisadores.


Redator: Assessoria de Imprensa



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