Quarta, 03 de junho de 2026, 23:24h
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Os resultados do 4º Concurso Regional foram conhecidos, no final da tarde, quando os jurados tiveram que provar 63 amostras
No dia do apicultor, comemorado em 22 de maio, nada mais justo do que celebrar a produção. E, por isso, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e a Secretaria de Desenvolvimento Rural de Pelotas organizaram o 1º Concurso Municipal e o 4º Regional de Qualidade do Mel, durante um grande evento no Centro de Eventos de Cerrito Alegre, 3º distrito de Pelotas. A avaliação do Concurso Municipal foi realizada pela manhã, quando foram analisadas pelos jurados, 19 amostras de 21 apicultores de Pelotas, quanto às características de cor, aparência, aroma e sabor. O resultado foi conhecido ainda pela manhã, com a presença da prefeita Paula Mascarenhas, secretário de Desenvolvimento Rural, Jair Seidel, entre outras autoridades. Foram classificados quatro produtores, em primeiro e segundo lugares, nas categorias mel claro e escuro. De acordo com a assistente técnica de Apicultura da Emater Regional Pelotas, Mara Helena Saalfeld, dos 22 municípios da Região Sul assistidos pela Emater, 18 planejam atividades de apicultura e 17 participaram desta etapa.
O primeiro lugar na categoria mel claro ficou com o produtor Ronaldo Buchewitz e o segundo, com a produtora Lucineia Falchi. Na categoria mel escuro, o primeiro lugar ficou com o produtor Ederson Jansen e o segundo com Marcos Francisco Zugge.
Os resultados do 4º Concurso Regional foram conhecidos, no final da tarde, quando os jurados tiveram que provar 63 amostras. Na categoria de mel claro, o primeiro lugar ficou com o produtor Diego Nornberg, de Canguçu. Na propriedade de Nornberg, no 2º distrito de Canguçu, o produtor e a esposa são responsáveis pelo manejo de 40 colmeias. A entrada na atividade se deu há três anos, após o produtor ter realizado um curso de apicultura no Centro de Treinamento de Canguçu (Cetac), promovido pela Emater. Hoje eles extraem em média de 200 a 300 quilos de mel por safra. Segundo ele, este foi o primeiro ano que participou do concurso municipal e do regional.
Já em segundo lugar, ficou o produtor de Capão do Leão, Luís Alencar Engelmann.
Na categoria mel escuro, o primeiro lugar ficou com a produtora de Herval, Júlia Teles e o segundo lugar, com o produtor de Pelotas, Ederson Jansen.
Em meio à distribuição de livros técnicos e brindes, foi fixada a sede do 5º Concurso Regional de Qualidade do Mel, que será realizado no dia 12 de maio de 2020, durante a Festa de Aniversário de 32 anos do município de Morro Redondo. Coube à equipe do escritório municipal da Emater, fazer o convite a todos os produtores para participarem do evento.
De acordo com o gerente regional da Emater Pelotas, Ronaldo Maciel, a produção de mel avança na região e se constitui em excelente geradora de renda à pequena propriedade. Segundo ele, há uma expectativa de construção de um entreposto regional de mel, um projeto da prefeitura de Pelotas, que, de acordo com a prefeita, deve ser implementado até o final do seu mandato. Conforme Maciel, existem hoje estruturas coletivas de processamento do produto em Pedro Osório, Cerrito, Pinheiro Machado e São Lourenço do Sul.
Para Maciel, a apicultura é uma excelente alternativa de renda à pequena propriedade, porque além de não concorrer por espaço na propriedade, auxilia na produção de grãos, sementes e frutos através da polinização das abelhas, além de não utilizar produtos tóxicos. “E também, possibilita excelentes ganhos financeiros, envolve baixo consumo de mão de obra e tem mercado atrativo e crescente”, garante.
Segundo ele, o mel é um alimento rico em minerais. 30 gramas por dia (uma colher de sopa) de mel escuro possui ainda mais propriedades minerais. “A agricultura familiar tem o potencial para investir e crescer”, afirma.
“Há espaço para expansão da produção e aumento de produtividade de 13,23 quilos para 20 quilos/colmeia ao ano, no mínimo, mas o ideal seria entre 35 a 40 quilos. O ano apícola (safra) vai de setembro a maio”, ressalta.
Mortandade de abelhas
O professor do Laboratório de Virologia e Imunologia (Labvir) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Geferson Fischer, trouxe para a discussão um tema preocupante, que é a mortandade de abelhas. Segundo ele, não existe apenas um fator ao desaparecimento das abelhas, mas vários, entre eles, o manejo inadequado do apicultor, mudanças climáticas, estresse ambiental e alimentar, pesticidas, ácaros, vírus e fungos, entre outros. “Uma associação de eventos leva ao desaparecimento das abelhas”, diz.
Ele explicou o fenômeno, denominado de Desordem do Colapso das Colônias (CCD), em que as operárias das colônias desaparecem, deixando para trás a Rainha, e estoques de mel, observado pela primeira vez no planeta, em 2006, nos Estados Unidos. No Brasil, foi identificado pela primeira vez em 2008.
No Labvir, é realizado estudo para identificar infecções virais que atacam as abelhas na região, dentre eles, o vírus deformador de asas, da paralisia aguda, da realeira negra, da cria ensacada, da paralisia crônica e da paralisia israelense. Para identificar os vírus que podem atacar abelhas na região, ele pediu aos produtores que em caso de suspeita enviem ao laboratório 20 abelhas adultas de cada colmeia para análise.
Produção x consumo
Segundo dados da Emater, a produção de mel na região Sul do Rio Grande do Sul é de 302.910 quilos e um total de 22.891 colmeias. Com isso, a média de produtividade é de 13,23 quilos por colmeia a cada safra. O número médio de colmeias por apicultor é de 24,02. “A média é baixa, porém, há aqueles que possuem picos de produção de 50 a 60 quilos por colmeia safra”, garante Maciel. Na região, há 967 produtores de mel, 330 estão em Pelotas. A produção local chega a 44.780 quilos por ano e um total de 303 toneladas na região. No Rio Grande do Sul, a estimativa de produção é de oito a dez milhões de quilos e de 30 a 40 milhões de quilos no Brasil. O valor da produção em 2017 foi de R$ 513,9 milhões. Estima-se que mais de um milhão de pequenas propriedades no país têm no mel sua principal fonte de renda. No entanto, o consumo ainda é baixo, estimado em 80 gramas por habitante ao ano, o equivalente a três colheres de sopa. “Temos que ter em mente que mel não é remédio, é alimento”, diz Maciel.
Confira os principais benefícios do mel:
• Evita alergias
• Melhora a memória
• Ajuda a perder peso
• Reduz o colesterol
• Anticâncer
• Melhora o sono
• Melhora a pele
• Cicatrizante
Redator: Tradição Regional
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