Quarta, 08 de julho de 2026, 21:59h
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Aberta há duas semanas, a safra do camarão na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, está abaixo da expectativa de pescadores e comerciantes, devido à pequena quantidade e ao tamanho, médio ou miúdo dos crustáceos. A situação ruim já se reflete nos preços, que estão mais altos do que no mesmo período do ano passado. A razão apontada para este cenário é a fixação de uma data para início da captura. Uma normativa do Ibama marca para 1º de fevereiro o início da permissão.
O defeso, como é chamado o período de reprodução e crescimento, deve ser respeitado sob pena de aplicação de multas acima de R$ 100 mil e apreensão de material. A reclamação dos pescadores, porém, é a inflexibilidade das datas. Para eles, o defeso deveria ser definido ano a ano, conforme o volume de chuva, vento e salinidade da água. Quanto mais salgada, mais os camarões podem se desenvolver. Se for capturado antes de se desenvolver, o crustáceo pode escassear antes de maio, quando termina a safra. Se crescem antes de chegar a permissão, os graúdos vão para o oceano.
Preços estão mais altos do que no ano passado
Em Rio Grande e São José do Norte, duas das principais cidades produtoras de camarão no Rio Grande do Sul, havia abundância nas capturas de 2012. Segundo o presidente interino da colônia Z-2, Soni Araújo Jardim, cada pescador chegava a pegar duas toneladas entre fevereiro e maio. “Neste ano, o camarão graúdo foi quase todo embora”, reclama.
O reflexo está nos preços: o quilo do crustáceo miúdo e médio sujo (com cabeça e casca) é vendido a R$ 8. No ano passado, o mesmo volume do graúdo saía por R$ 6. Descascado e pronto para comer, o camarão custa R$ 20, mais de R$ 2 a mais do que ano passado.
Para os comerciantes, os reflexos são ainda maiores. Éder Krummenauer, diretor comercial da Frumar, empresa que faz o meio-campo entre pescadores e restaurantes, afirma que seu caminhão está estacionado no sul do Estado há mais de 10 dias. Não consegue 10 ou 12 toneladas que encheriam o veículo. “Negociamos com restaurantes de alto padrão, que adquirem camarão graúdo. Do jeito que está vindo, não é possível revender”, constata.
Proprietário de um dos mais conhecidos restaurantes de frutos do mar do Rio Grande do Sul, Marcos Costa prefere negociar com pescadores ou cooperativas. Desde o início da safra, porém, ele não conseguiu comprar nada. Se não aparecerem os graúdos, Costa pretende apelar para as criações de cativeiro, que costumam custar 50% a mais.
Versão do Ibama
A versão apontada como a principal razão para a escassez de camarões na Lagoa dos Patos foi contestada pelo Ibama. Em comunicado, o órgão alega que a carência não pode ser atribuída à fixação do período de defeso, mas a "situações sociais, econômicas e ambientais mais amplas, que independem da atuação do órgão fiscalizador". O Ibama sustenta que o defeso visa proteger o período de reprodução da espécie e garantir a manutenção do estoque para os próximos anos. O menor tamanho do camarão nesta safra, segundo o Ibama, pode ser atribuído a fatores naturais, mas também está atrelado a questões como pesca predatória em período proibido, uso de recursos não permitidos e pesca sem licença ambiental.
Redator: Zero Hora
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