Quarta, 08 de julho de 2026, 00:59h
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Quem já plantava, acreditou e ampliou a área cultivada, e hoje é tomado pela satisfação por saber que apostou certo. Quem dedicava suas lavouras a outras culturas ou até mesmo para pastagens consumidas na pecuária, igualmente verá, ao quitar as dívidas, muitos reais a mais na conta bancária. O produtor de soja de Piratini é o retrato do Brasil, país que comemora o recorde de 29 milhões de toneladas de grãos colhidos em 2013, onde a soja é um dos carros chefe da superprodução.
A família Westermann, uma das maiores do setor no município de 19 mil habitantes, igualmente está satisfeita, não só com o que colheu, mas também com o que seus silos, abarrotados de grãos, têm recebido diariamente, obrigando os gestores da empresa, localizada na entrada da cidade, a pedir que à cervejaria Ambev retirasse a cevada armazenada no local, para dar lugar à soja. “Apesar de em março ter-nos faltando uma ou duas chuvas, a produção este ano vai superar 2012, quando colhemos 31 mil toneladas. Para 2013, não menos que 55 mil sairão das lavouras”, calcula Fredo Westermann, diretor da empresa de silos.
Mas às somatórias comparativas vão além. “Tão importante quanto a quantidade colhida, foi o aumento da área plantada que se elevou em 51%, comparada ao ano passado: de 15,197 hectares para 23 mil este ano. E neste universo, também os produtores, que em 2012 foram 57 e agora são 103”, quantifica. Fredo destaca outros fatores importantes quando se tem uma superprodução na agricultura, como por exemplo, a geração de empregos durante todo o processo, mas principalmente durante a safra, e o impacto na economia do município.
“Isso é bom para o produtor, para a indústria e para o comércio. Somente a Westermann contratou dez novos funcionários, todos com carteira assinada. Isso imediatamente significa o dobro de dinheiro circulando nas lojas e, certamente, daqui a dois anos, quando se der publicidade à arrecadação que foram parar nos cofres públicos, com certeza o aumento foi ocasionado pela soja”, presumi.
Capacidade
Westermann garante que nunca a empresa enfrentou o movimento deste ano, com o vai e vem de caminhões responsáveis por descarregar cerca de 900 toneladas diárias nos silos da armazenagem. “Estamos apavorados. O movimento é histórico: 130% acima com relação ao ano anterior. Entram 900 e saem apenas 200 toneladas para o Porto de Rio grande”, garante.
Ponto Negativo
Se Piratini se assemelha ao restante do país na safra recorde, não é diferente quando o assunto é logística para o escoamento. O país há muito tempo não investe o necessário para escoar suas riquezas e boa parte do lucro, assim como o estímulo do produtor para continuar, ficam pelo caminho. Começa pela novela envolvendo a limitada, arcaica e com baixa capacidade de peso, Ponte do Costa, e a proibição da circulação de caminhões bitrem, o que impede a entrada de cargas com oito toneladas a mais.
Mas o maior problema ainda é encontrado do acesso a lavoura até que os caminhões encontrem o asfalto ou um trecho de chão batido compatível com a riqueza gerada. “Nossos armazéns recebem soja de Aceguá e nós não conseguimos receber do segundo distrito de Piratini por causa das péssimas condições das estradas”, reclama o cerealista. “Qual o é o beneficio que o produtor tem do poder público, mesmo sendo o trabalho dele que praticamente sustenta sozinho o município com a geração de impostos?”, questiona.
Fredo revela que a empresa adquiriu e utiliza maquinário próprio para dar manutenção em alguns trechos e com isso, facilitar o transporte e também reduzir os prejuízos com a mecânica dos veículos. “Há a necessidade de um planejamento da administração antes da colheita, para poder receber a safra, pois quem ganha com isso não sou somente eu, mas, principalmente a cidade através, por exemplo, do ICMS”, argumenta. Ele concorda que esse planejamento deve contar com a colaboração dos produtores de várias formas, entre elas, a doação do óleo diesel para a execução dos trabalhos. “Nos procure. Temos que sentar e planejar juntos, o que é comum e funciona em outros municípios”, finaliza.
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