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17-05-2013

Rio Grande do Sul poderia ter R$ 10 bilhões a mais com a soja 


Foto: Roberto Souza Produtor Sérgio Dockhorn teve desempenho diferenciado na área irrigada

Gigante na produção de soja no Brasil, atrás apenas de Mato Grosso e Paraná, o Rio Grande do Sul despenca para as últimas posições quando se calcula o ranking da produtividade – a quantidade colhida por hectare. Ao alcançar safra recorde do grão neste ano, graças ao aumento da área plantada, o baixo desempenho das lavouras gaúchas é mascarado.


Se tivesse produtividade igual à do Paraná, por exemplo, o Estado poderia ter elevado o impacto econômico da atual safra de soja na economia em mais R$ 10 bilhões além dos R$ 32,9 bilhões estimados por Antônio da Luz, economista da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). 



No ano em que colheu o volume recorde de 12,2 milhões de toneladas, o Rio Grande do Sul teve rendimento por hectare apenas superior ao do Piauí e da Bahia, conforme estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Enquanto a média gaúcha não passou de 2.640 quilos por hectare, o índice no país chegou a 2.941 quilos por hectare. E não se trata de uma situação isolada. O baixo rendimento, na comparação com outros Estados, repete-se em anos de safra cheia, normal ou com registro de seca.


Não há consenso, mas não faltam respostas entre técnicos e pesquisadores para a baixa produtividade do grão no Rio Grande do Sul, mesmo sendo referência em plantio direto e avançando no uso de tecnologias e mecanização. As explicações vão desde instabilidade do clima gaúcho, passando por irregularidade de solos e até uso de técnicas de manejo diversificadas e, nem sempre, apropriadas.


– No Estado, temos uma instabilidade de clima no verão que deixa nossa produção mais vulnerável – aponta Dirceu Gassen, gestor técnico da Cooperativa de Agricultores de Plantio Direto (Cooplantio).


Embora tenha terras consideradas mais férteis do que o Centro -Oeste, o Estado seria mais afetado pela irregularidade de chuvas – especialmente na fase de enchimento de grãos, o que ocorre nos meses de janeiro e fevereiro.


Neste ano, com soja plantada em 2,3 mil hectares em Boa Vista do Cadeado, na região Noroeste, o agricultor Sérgio Dockhorn Ferreira, 55 anos, por exemplo, colheu 2,4 mil quilos por hectare no sequeiro (onde depende da chuva) e 4,2 mil quilos na área com irrigação.


– Eu investi para colher uma média de 3,6 mil quilos por hectare. Perdi 33% do potencial por fatores climáticos. É dinheiro que vai pelo ralo – lamenta Ferreira, também proprietário da Taboão Agropecuária e Sementes.


Não fossem os 600 hectares de soja irrigados, a redução na rentabilidade seria ainda maior. Para reduzir os riscos, o agricultor pretende ter mais 530 hectares com pivôs centrais, ao custo de R$ 2,5 milhões, valor que Ferreira espera pagar apenas com os ganhos de produtividade.


– É um jogo pesado, mas precisamos enfrentar. A cada 10 anos, temos sete com problema de instabilidade climática. Não há outra saída – avalia o produtor. 


Redator: Zero Hora



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