Segunda, 06 de julho de 2026, 09:45h
Home Rural
Prestes a lançar a 30ª edição de seu maior evento - a Feovelha -, o município de Pinheiro Machado vive a expectativa da implantação de um novo ramo destinado à produção de carnes. A diferença é que agora, em vez de dedicado à ovinocultura, o foco será a avicultura. Vale ressaltar que esta nova proposta não tem a pretensão de competir, até porque a criação de ovelhas, além de anos de atuação, conta com uma das maiores produções, em nível nacional, no município. O projeto, como explica o secretário de Agropecuária e Meio Ambiente, Adelino Luiz dos Santos, é comedido e tem em sua meta principal o atendimento de uma demanda que, atualmente, o Executivo precisa buscar em outras regiões do Estado: a inserção na merenda escolar.
O surgimento da ideia
Em entrevista à reportagem do Jornal Tradição Regional, Santos lembra que a proposta de levar a avicultura até à terra da ovelha surgiu ao acaso. “Havia feito uma visita à Embrapa de Pelotas, para conhecer um trabalho de pesquisa em avicultura colonial. Lá, recebi um convite para conhecer alguns aviários de Canguçu, onde a Embrapa prestava assistência técnica”, relata. Durante este período, além de conhecer os projetos, o secretário se deparou com equipamentos destinados à implantação de um pequeno abatedouro, os quais não tinham mais utilidade. “Eram para um projeto que não teve sequência”, completa.
Segundo Santos, ambas as propostas interessaram e foram levadas para o debate no município. “Estudei a viabilização com a Coptec (Cooperativa de Prestação de Serviços Técnicos) sobre a instalação de alguns aviários junto aos assentamentos da agricultura familiar e eles foram favoráveis. Também levei o tema ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e eles se dispuseram a viabilizar ambas as propostas”, comenta. Após os contatos, o assunto foi levado para a pauta do Executivo, junto ao setor de Nutrição da rede de Educação. “E ali, também foi aprovado”, reforça. Detectada a viabilidade, tanto de demanda quanto de recursos, a iniciativa passou para um novo patamar: a efetivação.
O motivo
Questionado sobre quais motivos levaram a tamanha atenção aos projetos, o secretário aponta dois itens principais. “O primeiro é porque o município precisa comprar, junto à agricultura familiar, pelo menos 30% do que é utilizado na merenda escolar. Atualmente, adquirimos cerca de 56%. Mesmo assim, esta é uma oportunidade de ampliarmos as possibilidades e gerarmos mais renda no município, aos produtores”, defende. A segunda justificativa, para ele, também leva em consideração aspectos financeiros. “Hoje, pelo menos dois mil quilos de frango são consumidos na merenda escolar a cada dois meses. Uma tonelada por mês. E é algo que precisamos buscar fora do município através de licitações. Produzindo aqui, será mais vantajoso, principalmente para quem produzir”, garante.
O projeto
O modelo a ser adotado utiliza como base projetos executados pela própria Embrapa. Tanto os aviários como o abatedouro. Santos detalha que a ideia é implantar três aviários, em diferentes localidades do interior. “Ainda não estabelecemos os locais. Mas cada um terá capacidade para 300 aves”, relata, ao explicar que o ciclo de produção dura cerca de quatro meses. Já o abatedouro, também sem área definida, poderá abater até 100 aves por dia. “É um pequeno espaço, mas que garantirá o atendimento produtivo”, salienta. Os recursos para tais empreendimentos, contudo, ainda precisam ser estabelecidos. “Acredito que não seja algo tão alto. Na verdade, avaliamos em cerca de R$ 150 mil. Vamos buscar isto junto ao Incra e, caso for necessário, no MDA (Ministério de Desenvolvimento Agrário)”, argumenta.
Demanda
Apesar de idealizado e, possivelmente, custeado com recursos públicos, a proposta do Executivo pinheirense é tornar os empreendimentos dos próprios produtores. “Vamos realizar uma reunião, com membros da Coptec, do Incra e lideranças dos assentamentos para definir algumas questões primordiais”, cita. A primeira delas será definir os locais de construção de cada uma das unidades. A medida é necessária para buscar os recursos junto aos órgãos federais. A outra demanda é criar uma Associação dos Avicultores. “Nossa ideia é que esta entidade seja responsável por gestionar estes espaços. Nesta reunião pretendemos definir os membros da Associação”, conclui.
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados