Domingo, 05 de julho de 2026, 15:45h
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O sistema de manejo coletivo busca o bem estar e conforto animal, já que estimula a interação social precoce
No momento em que substâncias como ureia, formol e água oxigenada são encontradas no leite, através da Operação Leite Compen$ado, primar pela segurança e, principalmente, pela qualidade do alimento, rico em proteínas, vitaminas e minerais, é essencial. Os pequenos produtores também compartilham dessa preocupação, já que o leite, para muitos, é a única fonte de sustento. O resultado que chega à mesa do consumidor é fruto de um trabalho que começa antes mesmo da propriedade, mas nas empresas de pesquisa que buscam alternativas que possibilitem a esse agricultor produzir com qualidade e automaticamente com uma lucratividade que os permita permanecer no campo.
Opções de pastagens, formas de manejo, dieta alimentar ou sistemas que extraiam do animal o máximo da sua condição natural foram algumas das tecnologias buscadas por cerca de 550 pessoas, entre produtores, estudantes, técnicos e extensionistas, que na última terça-feira (5) compareceram na Estação Terra Baixas da Embrapa. O Dia de Campo sobre Produção Leiteira propiciou além da troca de conhecimentos, que os participantes vissem, literalmente na prática, opções que reduzem custos, facilitam o trabalho e aumentam a produtividade.
Diferente das edições anteriores, quando o dia dedicado à cadeia leiteira apresentava exclusivamente pesquisas desenvolvidas pela unidade Clima Temperado, de Pelotas, o evento deste ano uniu as outras unidades da empresa que desenvolvem pesquisas para beneficiar o setor. Pesquisadores de Bagé, Passo Fundo e Minas Gerais trouxeram os resultados dos experimentos feitos nas suas regiões, com o objetivo de contribuir com o crescimento da cadeia produtiva.
Segundo o chefe geral da Embrapa Clima Temperado, Clenio Pillon, o evento veio para brindar um ano especial para a empresa, quando é comemorado seu 40º aniversário. “É um momento de interação da equipe de pesquisa com a cadeia produtiva. São nessas ocasiões que podemos qualificar as demandas dos técnicos e produtores, e quem sabe buscar novas soluções para possíveis dificuldades. Além disso, estamos somando forças e contando com as pesquisas desenvolvidas pelas unidades Pecuária Sul, Trigo e Gado de Leite”. Pillon ainda destaca que algumas tecnologias vêm para preencher lacunas e superar obstáculos presentes no sistema de produção, como a irrigação para forrageiras, que apresenta custo baixo e resolve o problema de escassez de chuvas em alguns períodos do ano.
Com o apoio da Emater/RS-Ascar e das cooperativas Coopar, de São Lourenço do Sul, e Cosulati, de Pelotas, o Dia de Campo reuniu caravanas de diversos municípios da região, como Cerrito, Canguçu, Cristal e Arroio do Padre. De acordo com a médica veterinária da Emater em Turuçu, Alessandra Storch, o evento é aguardado pela cadeia produtiva, já que oferece aos produtores a oportunidade de conhecer novas tecnologias. “A partir do que aprendem aqui podem produzir mais quantidade, com maior qualidade e menos serviço”. Ainda segundo ela, os assuntos relativos às forrageiras são sempre de interesse do produtor, visto que a alimentação dos animais é determinante no resultado final da produção. “Além do que sempre buscamos, coisas novas estão surgindo, como a questão do bem estar animal, que influencia diretamente na produção”.
Participando pela primeira vez do Dia de Campo, o produtor de Turuçu Paulo Renato Buss, vê a necessidade de produzir cada vez mais em um menor espaço. “As terras estão ficando caras, então precisamos buscar tecnologias que nos auxiliem a aproveitar ao máximo o espaço que temos”. O produtor lembra que há 40 anos, quando via o pai produzir, as coisas eram bem diferentes e o acesso à tecnologia não era facilitado como atualmente. “Um dia como o de hoje é importante para identificarmos entre os experimentos aquilo que pode auxiliar a rotina de produção”.
Novidades
Um dos destaques desta edição e que despertou curiosidade nos participantes foi a estação que tratava do bem estar animal. O sistema, recente na pesquisa, trabalha a partir do manejo coletivo, que segundo a aluna de PPGZ da UFPel, Laila Arruda Ribeiro, evidencia o desenvolvimento mais próximo da condição natural dos animais. Ao conviver em grupo no período de cria, que vai desde o nascimento até o desaleitamento aos 60 dias de vida, os bovinos desenvolvem maior resistência a doenças e vão consolidando certos processos que aceleram a transição de não ruminate para ruminante. Além disso, essa técnica propicia a interação social, definindo as hierarquias e estimulando o aprendizado.
“Esse estudo é uma demanda da sociedade, que está, cada dia mais, levando em consideração o bem estar e o conforto animal. Dessa forma o animal se alimenta melhor, o sistema imunológico funciona melhor e automaticamente a produtividade aumenta”, destacou o pesquisador Jorge Schafhauser Junior, orientador de Laila no estudo, que por ser recente ainda não apresenta resultados finais, mas segundo eles, até o momento, já pôde ser observado um bom desenvolvimento se comparado ao sistema individualizado.
Além das novidades em tecnologia, um contrato de parceria técnica, que viabiliza o monitoramento da qualidade do leite na bacia leiteira de São Lourenço do Sul, foi assinado. O convênio foi firmado entre a Embrapa Clima Temperado, Fapeg e a Coopar, de São Lourenço do Sul.
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