S�bado, 04 de julho de 2026, 16:21h
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O documentário “O veneno está na mesa”, de Sílvio Tendler, alerta: cada brasileiro consome, em média, 5,2 litros de agrotóxicos por ano. A informação que causou preocupação a milhares de brasileiros não chegou até o agricultor Arno Schmechel, 71 anos, morador de Herval, 2º Distrito. Contudo, o fumicultor descobriu na prática os riscos que os agrotóxicos podem causar ao ser humano. “Tenho visto muita coisa feia aqui na região. Nunca se viu tanta gente jovem morrendo de câncer. Quando meu filho começou a dizer que sentia dor de cabeça após a aplicação dos produtos, achei que era hora de mudar”, relembra.
Arno Schmechel conta que a mudança não foi fácil. Muitos vizinhos tentaram desencorajá-lo, afirmando que seria impossível plantar fumo sem agrotóxicos. Porém, depois de pesquisarem outras propriedades de Canguçu e São Lourenço do Sul, os Schmechel decidiram aderir à produção orgânica, prática mantida há sete anos na propriedade. A ideia não foi inteiramente nova no cotidiano da família, que já cultivava frutas e legumes sem a aplicação de venenos. Na lavoura de fumo, de 2,5 hectares, os Schmechel substituíram o uso de herbicida pela capina de enxada. Além da atividade física e de uma vida mais saudável, os agricultores também garantem que a produção aumentou e a qualidade do tabaco melhorou.
Adelar Schemechel, filho de Arno, diz que nunca mais voltou a sentir dores de cabeça durante o trabalho na lavoura. Passados sete anos da iniciativa – pioneira na região – ele não cogita mais retornar ao uso de agrotóxicos. “Tem gente que diz que teve muito lucro plantando fumo com veneno. Mas hoje em dia já não tem mais saúde. Então, de que adianta o dinheiro que ganharam?”, questiona.
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