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Saúde

09-05-2014

Intervenção do Hospital de Canguçu chega ao fim

Foto: Bianca Fonseca/Prefeitura de Canguçu Da esquerda para a direita: presidente do HCC, Armando Morales; prefeito de Canguçu, Gerson Nunes; titular da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), Milton Martins; e o diretor executivo do HCC, Beto Boemeke

No dia 2 de maio de 2013, a população canguçuense despertou com a notícia de que a Prefeitura havia realizado uma intervenção no Hospital de Caridade (HCC), destituindo a antiga direção e decretando situação de calamidade no setor hospitalar. Na ocasião, o então secretário de Desenvolvimento Econômico, Beto Boemeke, foi nomeado gestor da instituição. Doze meses após o ato, a gestão do HCC retorna à associação mantenedora da entidade, presidida agora pelo empresário Armando Morales.


A posse da nova direção ocorreu no dia 2 de maio, em solenidade realizada no salão de eventos. Morales, que terá como vice-presidente a médica Elcie Lara Soto, já garantiu a permanência de Beto Boemeke na nova gestão. “Ele continuará [na direção do HCC], exercendo a função de dirigente executivo. Inclusive já está contratado”, revelou, em entrevista à Rádio Liberdade AM.



O diretor técnico do hospital será o médico Luiz Ernesto Vargas. Conforme o novo presidente, o Hospital tem, atualmente, 259 funcionários. Destes, 116 foram admitidos dentro do período de intervenção. Uma das metas da nova diretoria é aumentar o quadro social, incluindo novos membros. Segundo o presidente, nenhum integrante da atual diretoria receberá qualquer gratificação ou salário pelos serviços prestados. “Desde o presidente até o último suplente, ninguém será remunerado. Trata-se de um trabalho totalmente voluntário”, garante.


Veja quem são os integrantes da nova direção:


Presidente:


Armando Morales – atuou como enfermeiro no Hospital, antes de se tornar diretor-proprietário de uma farmácia na cidade.


Vice-presidente:


Elcie Lara Soto – Médica.


Secretária:


Loiva dos Santos Pinto – Médica 


Vice-secretário:


Humberto Berrutti – Médico 


Tesoureiro:


Gilberto Mussi – Contador 


Vice-tesoureiro:


Renato Valente da Silveira – Bancário aposentado 


Diretores:


Juliné Bezerra Gularte (engenheiro civil), Juan Emílio Soto (médico), Antônio Valter Menezes Rocha (empresário, administrador da Estação Rodoviária).


Suplentes:


Milton Mussi (médico), Antônio Cleider Jacondino Pinto (cirurgião dentista), Dione Coelho Barbosa (aposentada). 


Conselho fiscal: Gilberto da Rocha Coelho (enfermeiro), José Luís Paes do Amaral (engenheiro civil), Airton da Silva Pereira (médico pediatra). 


Suplentes: Pedro Boemeke (empresário), Alvina Cunha (ex-funcionária do Posto de Saúde), Lourenço Van-Gysel (empresário). 


Relembre o caso:


Em maio de 2013, causou surpresa na comunidade canguçuense a decisão da Prefeitura em assumir a gestão do Hospital de Caridade, destituindo a antiga diretoria e decretando situação de emergência. Na ocasião, o prefeito, Gerson Nunes, informou que o decreto expedindo a decisão era um pedido antigo da comunidade. “A nossa intenção é recompor a gestão hospitalar para que ela volte a ativar a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) adulta, que voltem a funcionar e serem feitas as cirurgias eletivas e que se resolvam todos aqueles problemas que nós vimos que a antiga administração do Hospital tinha, seja com o Estado, com o município ou com o SUS”, alegou Gerson.


A situação da entidade vinha gerando repercussão há algum tempo. As Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) Adulta e Neonatal haviam sido fechadas, enquanto um médico, de acordo com Gerson Nunes, teria se recusado a atender pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por considerar o valor de R$ 35 mil muito baixo. Chegou a ocorrer uma ameaça de cancelamento do repasse feito pelo executivo, ao mesmo tempo em que o então administrador, Fernando Gomes, dizia que o valor enviado pela Prefeitura para a saúde deveria ser de R$ 1 milhão. Cerca de um mês antes da intervenção, ainda aconteceu uma manifestação em frente ao Hospital que reuniu centenas de pessoas para pedir a renovação do contrato entre o Estado e o SUS, que havia se encerrado em 31 de dezembro de 2012.


A decisão pela intervenção gerou polêmica. O então presidente, Ernesto Arndt, declarou que o hospital havia sido invadido por um grupo da Prefeitura. “Às 7h30 da manhã o Hospital foi invadido por um grupo, acompanhado pelo pessoal da Brigada Militar, interditando o Hospital sem ao menos terem lido o documento encaminhado a eles" Arndt ainda complementou: “A Prefeitura assume a tudo, a todos os funcionários e a todos os pagamentos. Se alguém tem alguma coisa a receber, que cobre do senhor prefeito e o senhor prefeito terá de pagar. Depois ele discute na Justiça”. Já o advogado dos antigos gestores, Claudiomar Pereira da Cunha, afirmou que a intervenção teria um desdobramento cruel: “Eles fizeram a solicitação de uma guarnição como se homens da natureza dos diretores e médicos administradores fossem sair no tapa ou a tiros com o prefeito e os seus assessores. A Brigada Militar não tem culpa, e apenas atendeu uma solicitação do poder executivo, mas o prefeito e seus assessores tem responsabilidade quanto a esse constrangimento. Isto tudo vai ter um desdobramento muito cruel para eles”


O corpo clínico da entidade, no entanto, apoiou a decisão de Gerson Nunes, considerando a medida como a única forma de trocar o administrador do hospital. O ginecologista Danilo Campos afirmou que os médicos tentavam substituir o antigo gestor, Fernando Gomes, há mais de uma década. “O relacionamento foi ficando cada vez mais difícil. Se quiséssemos fazer qualquer pequena modificação e não fosse ideia do administrador, nada poderia ser feito”, revelou Campos.


Em sua primeira entrevista como o gestor substituto, Beto Boemeke informou que a dívida do local era de aproximadamente R$ 13 milhões, mas que não haviam indícios de roubo, e sim de má gestão. “As compras feitas pela instituição, por exemplo, são descentralizadas, pouco planejadas e com pouco controle”. Com a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e a Companhia Rio Grandense de Saneamento (Corsan) a dívida seria de R$ 3,6 milhões.


Com a nova gestão, a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), que estava fechada desde abril de 2013, foi reaberta no mês de outubro. Já em maio deste ano, quando a intervenção da entidade por parte do governo municipal completou um ano, uma nova diretoria assumiu a gestão do local. A nova diretoria foi eleita no dia 27 de fevereiro. As eleições eram exigidas por estatuto, mesmo ocorrendo a intervenção da Prefeitura. 


Intervenção do Hospital de Canguçu chega ao fim


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