Quarta, 01 de julho de 2026, 22:28h
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Dia de Prevenção ao Tabagismo, comemorado em 29 de agosto, tenta alertar para males do cigarro, que já vitimou mais pessoas que as duas Grandes Guerras Mundiais
Dentes amarelados, assim como a ponta dos dedos, além do cheiro impregnado na pele e nas roupas. Estes são sintomas básicos que levam a maioria das pessoas a identificarem um fumante. No entanto, apesar de saltarem mais aos sentidos, não são os mais graves de todos os males que o uso do cigarro pode trazer. Câncer de boca, de bexiga, de intestino, de pulmão, além de infarto, derrame cerebral e perda de visão. Todas essas doenças podem ser causadas pelo vício na nicotina. Por isso, desde 1986 uma lei federal instituiu a data de 29 de agosto como o dia de combate ao fumo. “Combate? Não. Prevenção”, faz questão de ressaltar Roni Quevedo, entre um compromisso e outro, durante entrevista para o JTR no saguão da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Ele, que é formado em medicina e já lecionou fisiologia humana na universidade, atualmente coordena o projeto UCPel Mais Saudável de Prevenção ao Tabagismo.
A ideia do projeto iniciou como uma análise do ambiente da Universidade, onde se fumava muito, mas conseguiu transpor as paredes do local, sendo copiado pela Prefeitura da cidade que, inclusive, criou uma lei municipal, que proíbe fumar em lugares onde há circulação de pessoas, mesmo que sejam apenas murados ou aramados. “É um projeto preocupado totalmente com a saúde das pessoas, inclusive com a dos próprios fumantes, que acabam fumando menos”, explica Quevedo, orgulhoso por ter conseguido, na UCPel, uma meta da Organização das Nações Unidas (ONU): ambientes 100% livres do tabaco. Através do projeto, alunos, professores e funcionários da instituição que queiram parar de fumar recebem apoio para realizar o tratamento, que pode ser feito de forma convencional e homeopática. No modo convencional, os fumantes são encaminhados a UBSs ou ao CAPS, onde são feitas entrevistas e, se necessário, utilizados remédios, goma de mascar e adesivo, que liberam pequenas quantidades de nicotina, para diminuir a vontade de fumar. No tratamento com homeopatia, os fumantes recebem orientações sobre atividades físicas, além de orientações de um fisioterapeuta e do remédio homeopático. Esta forma, de acordo com o coordenador do projeto, é bastante barata. “O sujeito gasta em torno de R$ 20 mensais com estes remédios”.
Ao falar sobre o cigarro, o professor é categórico: o fumo mata mais que acidentes, doenças e outras drogas. De acordo com ele, nem o número de mortos da primeira e segunda guerra mundial, juntos, supera os óbitos registrados pelo tabaco. Quevedo explica que, a cada dois fumantes convencionais, que fumam entre 15 e 20 cigarros por dia, metade irá morrer dez anos antes do que deveria. Este, porém, não é o único problema do tabaco. Há, também, os que morrem por fumar passivamente. Dados do Instituto Nacional do Câncer revelam que, a cada dia, sete brasileiros morrem por fumo passivo. “A fumaça que sai da ponta do cigarro é muito mais agressiva que a que o fumante ingere”, explica. Uma das causas para o grande número de fumantes apontadas por Quevedo é a legalidade da venda do cigarro. “Uma carteira de cigarro custa menos que um quilo de pão.” Uma das maneiras, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), de diminuir o vício pela droga lícita, é aumentar o preço do produto.
Em relação ao fato do Rio Grande do Sul ser um dos maiores produtores de fumo do país, ele não acredita ter uma ligação direta com a grande quantidade de fumantes existentes. “Estados Unidos e Uruguai tem muitos fumantes, mas não são grandes produtores”.
Além da nicotina, presente no fumo em estado bruto, o cigarro, depois de pronto, inclui cerca de 4 mil substâncias, algumas delas cancerígenas, outras para aumentar a durabilidade, melhorar aroma e sabor e, claro, conseguir criar a dependência. “Essas substâncias, em um organismo mais fragilizado, irão desencadear doenças.” No entanto, as plantações de fumo também causam perigos, mesmo que os envolvidos não sejam usuários. Caso o plantador entre em contato com a folha de fumo úmida, sua pele absorve a nicotina, que é hidrossolúvel.
Preocupado com a problemática do fumo, o UCPel Mais Saudável de Prevenção ao Tabagismo faz panfletagens e palestras, e ainda deseja fazer o programa chegar às escolas públicas, como forma de alerta a crianças e jovens para que, um dia, os dentes e as peles amareladas só aconteçam pelo excesso de cenoura, e que o índice, de 15 brasileiros fumantes, possa ser zerado.
Além, muito além do sorriso amarelo, o cigarro causa:
- Mau hálito, excesso de tártaro, ulcerações na boca, gengivite, perda de dentes, câncer de boca, câncer de faringe, câncer de esôfago. Câncer de nariz, de língua e das glândulas salivares.
- Envelhecimento precoce de todos os órgãos do corpo humano.
- Irritação nasal e na garganta. Provoca a paralisia dos movimentos dos cílios dos brônquios. Otites, asma, enfisema, bronquite (doença bronca pulmonar obstrutiva crônica) e bronquiolite.
- Menor resistência física, menor fôlego e desempenho comprometido na prática dos esportes.
- Falta de ar, aumento da frequência respiratória (acelera a atividade dos pulmões), alergia, pneumonia e sinusite. Embolia pulmonar (formação de coágulos), câncer de pulmão, câncer de laringe.
- Celulite, mastite, menopausa precoce e câncer de mama. Diminuição da fertilidade.
- Hemorragias (sangramentos) durante a gravidez. Aborto espontâneo e natimortos. - Abortos de repetição e dificuldade para engravidar. Câncer do colo uterino. Ciclos menstruais irregulares, prolongados, muito dolorosos e masculinização do corpo. Mães fumantes têm trabalho de parto difícil e geram filhos com baixo peso e de menor comprimento, nascem com muita dificuldade respiratória. Gravidez ectópica, insuficiência placentária e restrição no crescimento do fetal. Retardo do crescimento fetal, menor circunferência do crânio e hipertrofia cardíaca (aumento do tamanho do coração). Fetos com fendas orofaciais. Síndrome da morte súbita infantil. Craniossinostose (ossificação prematura do crânio), pé torto congênito bilateral.
- Úlcera no estômago, câncer de pâncreas e câncer de fígado. Câncer de rim e câncer de bexiga.
- Impotência sexual. Câncer de próstata e de pênis. Deformação dos espermatozóides. Taquicardia (acelera a atividade do coração), hipertensão arterial (pressão alta), doença coronariana (angina e infarto do miocárdio).
- Alteração e perda do olfato, alteração e perda do paladar. Infecções do labirinto. Estresse, irritabilidade e ansiedade.
- Torna o pensamento mais lento e reduz o QI. Doenças cerebrovasculares (isquemia – falta de sangue no cérebro) e derrames (hemorragias) cerebrais. Varizes e tromboses (formação de coágulos na circulação das pernas - tromboangeíte obliterante), quando não tratada leva a gangrena (morte dos tecidos) e consequente amputação das regiões comprometidas.
- Irritação nos olhos, olheiras, catarata e cegueira.
- A pele fica mais seca, áspera, macerada. Torna-se enrugada com perda da elasticidade e acelera o seu envelhecimento. A pele fica impregnada com o odor do tabaco. Amarelecimento dos dedos. Câncer de pele.
- Diabetes. Leucemia. Psoríase e lúpus eritematoso. Perda de cabelo, exantemas no rosto, no couro cabeludo e nas mãos. Dependência química.
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