Ter�a, 30 de junho de 2026, 23:14h
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Entidade localizada em Morro Redondo promove, em parceria com a Prefeitura, atendimento de fisioterapeuta, psicólogo, dentista e fonoaudiólogo para pessoas com necessidades especiais
O Hospital Ernesto Maurício Arnandt, de Morro Redondo, tem prestado um serviço raro em pequenas cidades do interior. No local, diversas crianças com necessidades especiais recebem tratamento com profissionais como fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos e dentistas. A demanda se mostrou necessária a partir do momento em que a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) do município encerrou suas atividades, no ano de 2011.
Segundo a diretora da entidade, Leni Waltzer, o serviço se tornou possível graças a um convênio entre o Hospital e a Prefeitura. Os atendimentos são todos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), funcionando sempre nas quartas-feiras, dia em que o Poder Executivo realiza o transporte das crianças. Segundo o Executivo são repassados, mensalmente, os valores de R$ 2,7 mil para psicólogo, R$ 1.584 para fonoaudiólogo e R$ 2.715,64 para fisioterapeuta, todos já com INSS. “Acho muito legal que a Prefeitura e o Hospital acreditaram nesse projeto, é um atendimento muito especial mesmo”, diz Leni.
A diretora, que foi professora durante 30 anos, lembra que pessoas com deficiência eram, no passado, renegadas da sociedade, muitas vezes pelos próprios pais que, por vergonha, os escondiam. Ela relata, ainda, o prazer de ver essas crianças aprendendo e se transformando com o tempo, e afirma que a sociedade precisa aceitar desde cedo essas diferenças. “Deve-se aceitar essas crianças, para que não ocorra mais o que hoje ainda ocorre, onde em diversas ocasiões não se aceitam diferenças, sejam elas raciais ou de opção sexual, por exemplo.”.
Uma das profissionais responsável por atender as crianças é a fonoaudióloga Rosane Jeske, que escolheu a profissão por acaso, após o irmão sofrer um acidente e ficar com a fala comprometida. Ela lembra que se interessou pelo assunto porque os médicos afirmavam que ele nunca mais falaria, algo que ela não aceitava. Apesar de, inicialmente, ter feito a faculdade para ajudar o irmão, Rosane afirma ter encontrado sua vocação. “Não imaginei que isso seria minha vida. Não consigo me ver fazendo outra coisa. Adoro acordar e vir trabalhar”.
Rosane afirma que cada paciente é único, e que sensibilidade é imprescindível para notar o que cada um precisa. A cada quarta-feira, ela atende cerca de 19 crianças, além de um adulto de 49 anos, que, quando pequeno, teve paralisia infantil. Os atendimentos, normalmente, são feitos de forma individual. No entanto, existem exceções. Crianças de até seis anos podem ser tratadas em grupos de até quatro pessoas, já que a criança precisa de um par para adquirir linguagem.
Desde 2000, quando decidiu pela carreira, histórias não faltam para a fonoaudióloga. Uma delas é sobre uma menina com autismo, com a qual não conseguia lidar, até o dia em que optou por imitá-la, e acabou ganhando a sua confiança. Entre seus métodos, também estão as brincadeiras, utilizadas para ensinar regras. “As crianças levam tão a sério brincar quanto os adultos levam a sério trabalhar”, explica.
Rosane também reintera que é muito importante o apoio e auxílio das famílias nos tratamentos. Segundo ela, os pais tem cerca de 93% de influência sobre os filhos. Muitos deles, relata, são colocados em “redomas de vidro”, tratados com superproteção, o que impede a sua evolução.
Mesmo com toda a dedicação, a profissional afirma já ter se sentido impotente diante de muitos casos que encontrou, mas que sempre carrega como base uma frase de Madre Tereza de Calcutá que diz que “não podemos fazer grandes coisas, mas podemos fazer coisas pequenas com grande amor”.
Na sala ao lado de Rosane, se encontra outra das profissionais envolvidas com o projeto. A dentista Andrea Waltzer relata que está é uma experiência nova para ela, que descreve o projeto como um atendimento diferenciado e ao mesmo tempo de inclusão. “São meus pacientes especiais”. Entre os problemas que encontra, estão as crianças que vivem em locais onde ainda não há água encanada. Por esse motivo, precisam utilizar flúor diferente do utilizado pela Corsan e, muitas vezes, pela deficiência que possuem, podem engolir o produto. Por isso, ela utiliza um flúor que vem em embalagem diferente, para evitar este tipo de problema. Outra questão apontada por ela é a falta de hábito de escovar os dentes, problema que não é recorrente apenas em pessoas com necessidades especiais.
Entre as histórias que a dentista conta, estão a de um menino que um dia colocou luvas e máscara e fingiu ser o dentista, e uma menina que a impressionou por nunca ter conversado com ela e, após receber um brinquedo, sorriu. Entre os artifícios utilizados por ela para deixar os pacientes, em torno de dez por dia, mais a vontade, está ainda um fantoche do Mickey, além de adesivos.
A dentista recorda que a família das crianças precisa ser participativa. “Alguns responsáveis ainda não tem interesse. Às vezes tem acesso ao atendimento, mas não se preocupam.” Andrea finaliza dizendo que a definição de normal é o que é comum. “Somos os normais porque somos comuns. Mas de perto ninguém é normal.”
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