Ter�a, 30 de junho de 2026, 20:46h
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No mês em que ocorre o Dia de Combate a AIDS, assistente social da Secretaria Municipal de Saúde explica como se pega a doença, quais os grupos de risco e as formas de prevenção
No ano de 1986, foi registrado em Pelotas o primeiro caso de AIDS do município. Na época a doença ainda era algo recente, e causava pânico na população. Hoje, 28 anos depois, o local registra o número de 1.324 casos de pessoas infectadas pela doença. O número, no entanto, não corresponde a realidade pelotense, como explica o assistente social do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/AIDS da Secretaria de Saúde, José Ricardo Fonseca. Segundo ele, o Ministério da Saúde exige que todas as pessoas que tenham a DST sejam notificadas, o que não ocorre de fato. “Extra oficialmente nós sabemos que tem mais”, relata. Ele afirma ainda que Pelotas não poderia estar tão diferente do restante do Rio Grande do Sul, que há 12 anos é o estado brasileiro com a maior incidência de AIDS. Em Pelotas, ele ainda revela outro dado preocupante: a média de quatro mortes por mês devido a doença.
Por esses motivos, a Secretaria realiza um trabalho no município, baseado em três pilares: a prevenção, a educação permanente e assistência. A prevenção é feita através da distribuição de material informativo e preservativos àpopulação e em lugares como casas de massagem, organizações não governamentais e empresas, sobretudo em cinco grandes momentos do ano, que incluem o Carnaval e o próprio 1º de dezembro. Além disso, palestras também fazem parte desse roteiro. A educação permanente diz respeito a constante capacitação dos profissionais que lidam com a educação básica, enquanto a assistência é o trabalho direto com as pessoas que possuem a DST, envolvendo apoio psicológico, assistência social, farmácia e enfermeiros. É também a forma que as pessoas retiram o medicamento para a DST, distribuído pelo Ministério da Saúde. Há ainda um Centro de Testágem e Aconselhamento, onde se faz um atendimento pré e pós teste para saber se esta infectado pela doença. O teste rápido, explica Fonseca, está disponível em todos os postos da rede municipal de saúde. Todas as maternidades, independente de as pacientes serem do Sistema Único de Saúde (SUS), também fazem o teste rápido. “Não importa se são pacientes do SUS ou de convênios, é uma determinação do Ministério da Saúde. As maternidades precisam realizar o teste.” O teste rápido é feito através de uma unção na ponta do dedo, de onde é retirado menos que uma gota de sangue, colocada em uma plaquinha e posteriormente em um recipiente com um líquido reagente. Em torno de aproximadamente oito minutos, o resultado já começa a aparecer. No entanto, o assistente social revela que já se trabalha com um outro teste, feito através de via oral, onde um objeto semelhante a um cotonete é passado na mucosa da boca e colocado posteriormente em um recipiente, diluído em uma plataforma, e também em oito minutos já é possível observar o resultado. “Estamos evoluindo. Já estamos com o teste rápido através de fluído oral. Porque quanto mais cedo as pessoas tem o diagnóstico, mais cedo começam a se cuidar”, conta, explicando a importância do diagnóstico e da medicação. Fonseca explica que a AIDS deixa o organismo com imunidade mais baixa, o que pode causar outras doenças no organismo. “É um processo de enfermidade longo, sofrido para o paciente e para a família. É um custo emocional, físico e financeiro muito grande para o SUS, e que poderíamos evitar se as pessoas fizessem o teste e, no momento em que estivessem com uma contagem de células de defesa em torno de 500, entrassem com a medicação”.
Ele lembra que também é feito o uso da profilaxia anti-HIV, que é utilizada quando pessoas que trabalham em locais como hospitais entram em contato acidental com o sangue de um paciente, para proteger o indivíduo de um possível ataque do vírus. “É a chamada exposição ocupacional, em decorrência do trabalho”. A outra profilaxia é feita quando a exposição ocorre pela forma sexual. O método é utilizado, ainda, em casos de violência sexual, como estupros. Nestes três casos, a pessoa tem a possibilidade de fazer a profilaxia e utilizar os remédios durante 28 dias, para se proteger do vírus.
Sobre as formas como se pega o vírus HIV, Fonseca relata que existem três. Uma delas é durante a gravidez, quando a grávida é HIV positivo e passa o vírus para o filho. Neste caso, ele ressalta a importância da realização do pré-natal, onde começará a ser utilizado uma série de medicamentos que tentarão diminuir a quantidade de vírus passados ao filho. Os remédios são utilizados, inclusive, durante o trabalho de parto e após o parto, durante 18 meses, na criança. Depois deste período, uma série de exames é feito e pode-se dizer que a criança não está mais exposta ao vírus. Há, também, a transmissão sanguínea, que pode ocorrer através de transfusões de sangue e pelo uso de seringas e agulhas para aplicação de drogas injetáveis. A terceira forma é pelas secreções vaginais e do órgão sexual masculino. “Estatísticamente, a sexual sempre prevaleceu”, diz.
Sobre o uso de preservativos, ele explica que, se a camisinha for colocada de forma correta, não há a possibilidade dela furar. Explica também que, além das relações heterossexuais, vem crescendo a contaminação por conta de relações homossexuais, sobretudo de homens na faixa etária de 15 a 25 anos. “É uma tendência que vem crescendo a nível de Brasil.” Em alguns estados, como São Paulo, existem epidemias. No entanto, não se falam mais em grupos de risco, mas sim em grupos vulneráveis. A explicação se deve ao fato de que as relações anais são as que trazem maior risco de transmissão do HIV. Outro grupo vulnerável apontado por ele são o de profissionais do sexo. “Se ela recebe a proposta de fazer um programa sem camisinha, acaba aceitando porque precisa do dinheiro. Naquele momento a questão financeira é mais importante. É uma vulnerabilidade social. Isso não significa que todos os profissionais do sexo não se protejam. Não justifica rotular estes grupos, porque existem exceções”.
O que é o vírus HIV
O HIV (Vírus Imunodeficiência Humana, na sigla em inglês) atinge o sistema imunológico, normalmente responsável pela proteção do organismo contra infecções.
O vírus ataca um tipo de glóbulo branco (célula de defesa) chamado CD4. No processo, o HIV aloja seu genes no DNA da célula CD4 atingida e passa a utilizá-la para se multiplicar e, com isso, contaminar novas células.
Durante o processo, as células CD4 acabam morrendo por razões ainda não totalmente conhecidas. Com a redução do número desses glóbulos brancos, o organismo começa a perder a capacidade de combater doenças até atingir o ponto crítico que caracteriza a Aids.
O vírus HIV faz parte dos retrovírus, que, embora mais simples que os vírus comuns, são mais difíceis de ser combatidos. Eles alojam seu DNA nas células atacadas de forma que novas células produzidas por elas passam a também portar o vírus.
Os retrovírus também reproduzem seus genes na célula-alvo com maior margem de erro. Isso, somado à alta taxa de reprodução do HIV, provoca muitas mutações no vírus causador da Aids. E não só. O HIV é protegido por uma camada feita do mesmo material que algumas células humanas, o que dificulta sua identificação pelo sistema imunológico.
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