Ter�a, 30 de junho de 2026, 11:03h
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Enfermeiro e gerontologo Williwetzel Junior explica que idosos preferem atividades passivas, como assistir televisão
Proprietário de casa para idosos da Quinta Urbana mostra dados pouco difundidos dos problemas que atingem a esta parcela da população
A maioria dos programas de televisão e dos comerciais vistos retratam uma terceira idade cheia de disposição, atividades e até mesmo bailes. Uma época de tranquilidade após uma vida dedicada ao trabalho, resultando em um merecido descanso para aproveitar o que a vida tem de melhor. No entanto, embora esse retrato não seja falso, ele é apenas um dos retratos dessa fase da vida. Do outro lado, pouco difundido, mas com uma necessidade urgente de se tornar conhecido, está o retrato de uma parcela da população que enfrenta problemas de saúde trazidos com o tempo, dificuldades e até mesmo a dependência de outras pessoas para continuar realizando tarefas rotineiras.
Quem convive com esse retrato diariamente é o enfermeiro e gerontologo WilliWetzel Junior, dono da Hotelaria Ocupacional Assistida para Idosos da Quinta Urbana, que atualmente atende a cerca de 45 idosos. Segundo ele, o ideal é retardar a dependência de um idoso, e, consequentemente, retardar também a necessidade de ir para uma casa de repouso. Junior afirma que a atual cultura é a do descarte, onde se prega que os jovens são o futuro da nação, se esquecendo dos responsáveis pelo passado e pelo presente.
O enfermeiro explica que as atividades dos idosos são separadas por grupos. Um deles é o das Atividades Básicas da Vida Diária (ASVD), que incluem necessidades elementares como alimentação, asseio pessoal, uso do banheiro, banho e mobilidade funcional. As atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD) estão ligadas a interação da pessoa com o ambiente (lar ou comunidade), e incluem tarefas como a preparação das refeições, uso do telefone, medicação, uso de transporte público, compras e a lavagem de roupa. “São tarefas mais complexas”, afirma. Já as Atividades Avançadas da Vida Diária (AAVD) estão ligadas a gastos , hábitos e costumes nos momentos de lazer e nas relações sociais. De acordo com o enfermeiro, o nível de independência para a realização dessas tarefas é mais fácil de ser avaliado, em virtude de estarem ligadas aos interesses, características pessoais e a conduta de cada pessoa em particular.
Júnior também mostra que uma pesquisa mundial de saúde realizada no Brasil aponta que a expectativa é que os homens vivam 19 anos depois de completarem 60 anos, enquanto nas mulheres a expectativa é de 22 anos a mais após os 60. No grupo masculino, cerca de 39% possui incapacidade funcional leve, enquanto 21% possui moderada e 14% grave. Já nas mulheres, os números são ainda maiores: 56% delas ficam com incapacidade funcional leve, 32% moderada e 18% grave. Isso significa que apenas 26% dos membros da terceira idade estão de fato em boas condições, uma vez que 74% estão com alguma incapacidade.
Júnior também explica que, embora algumas pessoas critiquem esse hábito, pesquisas mostram que a maioria dos idosos preferem atividades passivas, que requerem um baixo nível de esforço. Entre elas, uma das mais comuns e prediletas é assistir televisão. “Ao aumentar os problemas de saúde e as condições que restringem as atividades diárias, pode-se explicar a preferência por esse tipo de lazer.” Dados de uma pesquisa realizada na Europa mostram que 96% dos idosos, de um modo geral, preferem assistir televisão, enquanto 71,4% gostam de ouvir rádio, 70% passear, 68,8% fazer compras, 51,1% ler, e somente 7,1% gostam de praticar esportes.
Bons índices na Região Sul
De acordo com a pesquisa “A prevalência da incapacidade funcional dos idosos no Brasil”, houve uma redução da incapacidade funcional no país. A região que obteve o melhor índice foi a Sul, que viu seus índices de incapacidade nos homens caírem de 17,2% para 16,5%. Nas mulheres, a queda também foi maior: de 26,7% para 24,3%.
Psicomotricidade
Uma das maneiras de tentar melhorar essa situação é a Psicomotricidade, onde se trabalham os ambitos cognitivos, físicos, motores e sensoriais das pessoas que já estão na terceira idade. Esta intervenção psicomotriz deve ser prazerosa. A estimulação sensorial pode ocorrer de forma auditiva, gustativa, olfativa, visual e através do tato. Isso inclui atividades manipulativas, musicoterapia, terapia assistida com animais de companhia, lazer e tempo livre e assessoramento familiar.
Casa da Quinta Urbana
A Hotelaria Ocupacional Assistida para Idosos da Quinta Urbana fica localizada na avenida Augusto Simões, no bairro Três Vendas. O telefone para contato é (53) 3227-1942
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