Segunda, 29 de junho de 2026, 13:37h
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Durante o ato de mobilização na quarta-feira (6), o tesoureiro Mário Fonseca revelou detalhes da crise financeira que pode resultar no fechamento do primeiro piso da Casa de Saúde
Uma mobilização em nível estadual, na quarta-feira (6), buscou chamar atenção para a delicada situação financeira que vivem as Santas Casas e Hospitais Filantrópicos em, pelo menos, 220 municípios gaúchos. A crise financeira se agravou de outubro de 2014 até abril deste ano, período em que as 245 instituições de saúde sem fins lucrativos deixaram de receber do governo do Estado mais de R$ 207 milhões.
O Hospital de Caridade de Canguçu esteve engajado na iniciativa e realizou um ato desde às 10h até às 15h. A dívida da instituição chega aos R$ 12 milhões.
O tesoureiro da Casa de Saúde dos canguçuenses, Mário Fonseca, conversou com a rádio Liberdade AM e voltou a criticar a postura do Poder Executivo neste momento tão difícil.
Veja abaixo os principais trechos da entrevista:
Sem dinheiro para a folha de pagamento
“Tiramos financiamentos para cobrir dívidas abertas, mas os valores já acabaram. Não temos dinheiro para a folha de pagamento deste mês. Devemos 50% do pagamento aos médicos. Temos mais de 100 fornecedores com atraso no pagamento.”
Mais apoio do Poder Executivo
“Precisamos muito mais do que dinheiro, precisamos de apoio público. E não falo só do Estado, falo do município também. O município está no interior fazendo reuniões para criar a Fumusa (Fundação Municipal de Saúde) e o Hospital de Caridade está aqui, morrendo, e não está sendo ouvido. Precisamos de muito mais recursos do que vocês possam imaginar.”
Dívidas que não foram pagas durante o processo de intervenção
“Os valores expressivos que recebemos (durante o processo de intervenção na gestão, feita pela Prefeitura de Canguçu, em abril de 2013) eram para pagar dívidas, mas as dívidas só aumentaram. Não houve pagamento, houve, sim, rolamento e renegociação das dívidas.”
Câmara pode repassar R$ 25 mil mensais ao Hospital
“A Câmara de Vereadores abriu mão de R$ 25 mil mensais, até dezembro deste ano, daquele valor repassado mensalmente pela Prefeitura de Canguçu. Agora, aguardamos aprovação do Poder Executivo para a liberação deste recurso.”
Serviços de obstetrícia e anestesia
“Ontem estive reunido com o prefeito Gerson Nunes e pedi que o município passe a pagar 100% dos serviços de obstetrícia e anestesia, em vez dos 50% que são pagos hoje. O prefeito disse que vai estudar esta possibilidade.”
Fechamento do primeiro piso
“Se não recebermos recursos, o Hospital torna-se inviável financeiramente. Existe a possibilidade de ser fechado o primeiro piso para diminuirmos a oferta de serviços e reduzir os gastos com pessoal.”
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