Segunda, 29 de junho de 2026, 11:16h
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Entidade gasta, aproximadamente, R$ 26 mil para manter serviços para comunidade de Morro Redondo
Morro Redondo está completando, em 2015, 27 anos de emancipação política e administrativa. Entre os diversos motivos para comemoração, um deles é sempre lembrado com orgulho pelos habitantes na hora de falar da estrutura que a cidade possui: o Hospital Ernesto Maurício Arndt. No entanto, fora do município, poucos sabem que a instituição é, na verdade, mais antiga, existindo já há quase 60 anos, quando o local ainda integrava Pelotas.
Atualmente, o Hospital é comandado por uma diretoria formada por 12 pessoas, entre elas, Leny Waltzer, que falou com exclusividade ao Jornal Tradição Regional sobre o desafio de ajudar a seguir em frente com a instituição. Segundo ela, o Hospital, diferente de muitos outros da região, não está com nenhuma dívida. O diferencial a assinatura do projeto Porta de Entrada, onde o Estado repassa R$ 42 mil mensais. Porém, alguns meses estão atrasados, o que significa que a administração gaúcha já está devendo R$ 125 mil para o local. A integrante da diretoria destaca, ainda, que a Prefeitura de Morro Redondo é uma grande parceira, sempre colaborando da maneira que consegue. No momento, ela é responsável por pagar os plantões aos sábados, domingos e feriados. “O Porta de Entrada colocou mais dinheiro, e espero que continue vindo, porque do contrário, será terrível. Quando se deixa de pagar médicos, tudo se torna muito difícil”. O Executivo também ajuda na compra de medicamentos e alimentos, além de colaborar em serviços como o de psicologia e fisioterapia.
O Hospital Ernesto Maurício Arndt oferece atendimentos de fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, além de clínica geral e pediatria, pilares da instituição. Ele não é responsável por atender somente a cidadãos de Morro Redondo, mas também de municípios vizinhos como Canguçu e Cerrito. A demanda desses atendimentos aumenta a cada ano, sobretudo os atendimentos diários, envolvendo, por exemplo, consultas. Cirurgias não são mais realizadas no local devido a uma proibição que diz que municípios com menos de 20 mil habitantes não podem mais realizar esses procedimentos. Leni recorda, porém, que antes dessa definição, a instituição realizava cesáreas, o que resultava no nascimento de 113 até 120 crianças ao ano. “Desativamos essa área e, com isso, criamos outras áreas, como fonoaudiologia, fisioterapia e odontologia, para suprir o atendimento”.
O Hospital tem, ainda, 19 leitos, sendo cinco deles pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Hospital criado pela população
A história do Hospital, segundo conta Leny Waltzer, é muito bonita. O local foi fundado pela própria população, que teve a ideia, lutou e construiu o prédio. Na época da fundação, médicos foram trazidos e moravam no próprio Hospital, isso no ano de 1957. “Famílias se organizaram, fizeram uma associação, compraram cotas e criaram o Hospital”, lembra. Desde então, ele sempre foi administrado por uma diretoria. Leni é uma das que passa mais tempo na instituição, mas a diretoria ainda conta com 12 pessoas: dez da diretoria executiva e dois da diretoria fiscal. Entre eles está o presidente, Bruno Thies, o vice, Rubens Sousa, e o segundo vice, Bruno Muller. Existem também as comissões econômicas e de patrimônio, que incluem pessoas da comunidade. A diretoria não recebe salário e trabalha espontaneamente, o que é definido por estatuto. Se houvesse um administrador, ele teria que receber salário, mas o Hospital não possui condições financeiras para isso. O corpo clínico possui seis médicos, que inclui um pediatra que atende nas sextas-feiras, quatro enfermeiras padrões e cinco técnicas em enfermagem. Através da parceria com a Prefeitura, que passa os valores para a instituição pagar os serviços, há uma ambulância e socorrista sempre presentes. “Nos entendemos muito com o prefeito, o que é ótimo”, fala. Para manter essa estrutura, incluindo os leitos, o local gasta aproximadamente R$ 26 mil por mês.
Leny explica que, para um hospital de pequeno porte, é difícil colocar novos serviços, pois são caros. Recentemente, foi estudada a possibilidade de reativar o Raio X, mas a necessidade de uma reveladora fez com que se optasse por comprar o serviço em um outro hospital.
Consulta Popular
A integrante da diretoria diz que há anos o Hospital participa da consulta popular, mas que nunca chegou a receber os recursos destinados. Ela estima que haja cerca de R$ 900 mil para receber. “Desde 2008 que estamos lutando e nunca recebemos”, explica, lembrando que o Hospital já tem aprovado um projeto de reforma e ampliação.
Uma longa carreira servindo a comunidade
Leny Waltzer está envolvida com a entidade desde que se aposentou de sua outra profissão, a de professora, em 1988. Na época, ela não fazia parte da diretoria. Ela visita o hospital todos os dias e, apesar do empenho, diz que muitas pessoas parecem estar sempre insatisfeitas. “Muitos não entendem que a prioridade é urgência e emergência”.
Nascida em Arroio Grande, ela adotou Morro Redondo como cidade, onde criou os filhos, e também foi vereadora. “Cada prefeito que entrou procurou fazer algo pelo município. E hoje temos um local com estrutura e serviços funcionando. É um lugar tranquilo e organizado. Se fôssemos distrito de Pelotas, não teríamos o que temos.”
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