Sexta, 26 de junho de 2026, 16:14h
Home Saude
Comissão gestora (em pé, o presidente Armando Morales) e corpo de diretores do HCC estiveram reunidos por três horas na noite de segunda-feira (11)
O Hospital de Caridade de Canguçu (HCC) realizou, na noite de segunda-feira (11), uma assembleia geral extraordinária para detalhar aos associados a situação financeira da instituição. O encontro teve início às 19h e durou cerca de três horas, com a presença de pouco mais de 20 sócios, de um quadro de 85. Uma das principais informações da noite foi o apontamento feito pelo diretor técnico, Luiz Ernesto Vargas, sobre a necessidade de mais recursos para oferecer condições mínimas de trabalho aos profissionais. “Precisamos, em caráter de urgência, de R$ 1,5 milhão nos próximos 30 dias. Não sei como vamos conseguir essa quantia”, admite Vargas.
Este recurso não possui relação com a sinalização de R$ 940 mil, feita pelo governo do Estado, no dia 8. Daquele total, seriam R$ 400 mil da produção normal de atendimentos via Sistema Único de Saúde (SUS), R$ 300 mil de um valor aditivo, referente ao período em que a instituição ficou sem contrato com a Secretaria Estadual de Saúde (SES/RS), e R$ 240 mil a serem negociados com o Conselho Regional de Desenvolvimento (COREDE), referente à Consulta Popular de 2015.
Hoje, a conta bancária da entidade indica apenas R$ 170 mil de saldo.
Leia também: Hospital renegocia dívidas com fornecedores, água e luz
A comissão gestora do HCC garantiu a chegada de medicamentos e material na quarta-feira (13). A aquisição foi feita com o repasse de R$ 73 mil da Câmara de Vereadores e será suficiente para durar até um mês. Como o salário de dezembro dos médicos está atrasado, e no dia 20 deste mês há um novo vencimento, Vargas teme que os profissionais se recusem a trabalhar, a exemplo do que ocorreu em Pelotas e Rio Grande recentemente. A decisão poderia ser tomada por até 90% dos profissionais, o que inviabilizaria o atendimento. O salário dos demais funcionários também não está em dia. A folha de pagamento bruta mensal é de R$ 400 mil.
Até o fechamento desta edição, a rotina se mantinha a mesma nos corredores. Com a falta de medicamentos para o Pronto Socorro (PS), Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e bloco cirúrgico, os casos de clínica geral e novas internações estão sendo encaminhados para a Santa Casa de Piratini desde o dia 25 de dezembro. Em contrapartida, a 1ª Capital Farroupilha encaminha para o município as gestações de baixo risco.
Atendimento via SUS deve passar de 85% para 60% da capacidade
Durante a assembleia, também foi decidido que a porcentagem de internações via SUS diminuirá de 85% para 60% dos 123 leitos disponíveis, previsto nos contratos com o governo do Estado. Com mais internações particulares, o Hospital pretende aumentar os valores pagos pelo serviço, compensando a tão criticada defasagem da tabela do sistema público.
Diretor técnico e chefe do Pronto Socorro pedem demissão
Após a assembleia, na terça-feira (12), o diretor técnico do HCC, Luiz Ernesto Vargas, pediu demissão do cargo. O médico alegou problemas de saúde, como hipertensão e esgotamento pelas dificuldades enfrentadas no Hospital durante os últimos meses.
Vargas é enteado do presidente da comissão gestora do HCC, Armando Morales. Junto com ele, pediu demissão também o chefe do Pronto Socorro (PS), o médico Felipe Müller. O Hospital de Caridade deve anunciar em breve os substitutos para as funções.
Redator: Tradição Regional
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados