Sexta, 26 de junho de 2026, 12:14h
Home Saude
Médica Elsie Lara Soto (em pé) assumiu a presidência da comissão gestora do Hospital de Caridade
Na manhã de segunda-feira (25), o Hospital de Caridade de Canguçu (HCC) recebeu a Câmara Municipal de Vereadores para uma reunião. Foi o primeiro ato aberto à imprensa dirigido pela nova presidente da comissão gestora, a médica Elsie Lara Soto, que assumiu o posto do empresário Armando Morales, após o pedido de demissão na semana anterior. “Hoje, anunciamos o início de uma gestão compartilhada do Hospital, entre a parte administrativa, que já vinha atuando, e uma comissão de médicos da Casa”, disse Elsie.
Os profissionais que agora passam a trabalhar diretamente na gestão técnica são Ana Duarte Cardoso, Rafael Blaas e Rashed Abdalla Ayyash. Felipe Müller, que era chefe do Pronto Socorro (PS) e havia pedido demissão da função recentemente, foi nomeado diretor técnico do HCC. O cargo era ocupado por Luiz Ernesto Vargas, que também pediu demissão há poucos dias. Vargas continua participando do processo de reestruturação da entidade e estava presente na reunião.
A tecnóloga Simone Bento também não faz mais parte do processo. Já Raquel Canez continua na função administrativa. Elsie Lara já adiantou que fica como presidente até o dia 24 de fevereiro, quando acontece a eleição da nova direção do HCC.
Financiamento com o BNDES é alternativa contra os juros
Entretanto, o assunto da reunião foi o plano traçado a curto prazo para iniciar a reestruturação financeira. Com a escassez de recursos nos últimos anos, o Hospital realizou uma série de empréstimos em bancos, como o Banrisul e Unicred. Hoje, a dívida total junto à fornecedores, clínicas, medicamentos, salários e despesas básicas como água, luz e telefone giram em torno de R$ 17 milhões. O saldo aumenta descontroladamente com o juro cobrado em três bancos diferentes. Em alguns, ele é superior a 20% ao ano.
Para bater de frente com a dívida, o Hospital de Caridade vislumbra conseguir um financiamento de alto valor com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que disponibiliza uma linha especial para reestruturação dos hospitais filantrópicos. O objetivo é fortalecer a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da modernização e da melhoria da gestão das instituições.
Como o BNDES oferece financiamentos com juros de 7% ao ano - índice bem menor do que a média de 20% praticada em outras instituições -, o objetivo é utilizar este novo empréstimo para quitar todos os demais e ainda garantir recursos para manutenção da Casa por determinado tempo.
Contudo, o projeto é considerado muito complexo, desde o seu desenvolvimento até a apresentação e aprovação. O processo pode levar dois meses ou mais e precisará de investimento. “Sabemos que, para montar um projeto robusto, capaz de atender as exigências e conquistar o financiamento junto ao BNDES, precisamos contar com uma consultoria especializada nesta área e o valor gira em torno de R$ 20 mil para contratá-la”, afirmou Elsie.
Sem o recurso, o HCC pediu abertamente à Câmara de Vereadores a garantia do repasse para dar o primeiro passo. Dos 15 vereadores da Câmara, 9 estavam presentes, dentre eles, o presidente do legislativo, Carlos Alberto “Bigico” Vargas, que deu o sinal positivo de imediato. Os parlamentares prometeram se reunir para tratar do assunto e definir se o valor pode ser liberado diretamente à instituição ou precisa passar, inicialmente, pela Prefeitura de Canguçu.
Imóvel e terreno penhorados se somam à dívida trabalhista de R$ 600 mil
Hoje, o imóvel e o terreno onde ficam o Hospital de Caridade estão penhorados pelas dívidas contraídas nos últimos anos. Referente aos meses de dezembro e janeiro, o débito soma R$ 2,6 milhões e os médicos estariam sem receber há dois meses.
Existem ainda despesas mensais com rede de oxigênio e causas trabalhistas ocasionadas por demissões e honorários de advogados. “Não é possível sobreviver apenas com os recursos do SUS. Precisamos gastar menos, nos adequarmos aos recursos que os governos estadual e federal encaminham e criar novas fontes de receita”, pontuou Elsie.
Recentemente, um ex-funcionário garantiu na justiça o direito de receber R$ 600 mil da instituição. Ele teria sido afastado após a intervenção feita pela Prefeitura de Canguçu, em abril de 2014.
Redator: Tradição Regional
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados