Sexta, 26 de junho de 2026, 10:02h
Home Saude
Movimento era calmo na Santa Casa na manhã de quinta-feira (4), quando a redução dos atendimentos teve início
Atendimentos estão reduzidos desde o dia 4 por atrasos de repasses do Estado, porém ninguém deve ficar sem atendimento
A crise financeira do Estado, que vem atingindo a saúde, provoca também graves efeitos na Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço do Sul, que há meses sofre com a redução e até falta de repasses. O agravamento da situação motivou uma decisão extrema da direção da instituição nesta semana: a redução dos atendimentos à comunidade.
Somados os atrasos de três meses, atualmente, o Estado está devendo para a Santa Casa cerca de R$ 1,4 milhão, deixando a entidade em uma difícil situação. Sem dinheiro e sem perspectiva de melhora, o provedor da instituição, José Nei Pereira Lamas, anunciou no início da semana a redução dos atendimentos, caso o Estado não repassasse os recursos até a quarta-feira (3). Na quinta (4), a redução se confirmou.
“Nós precisamos reduzir a prestação de serviços”, justifica Lamas, explicando que a diminuição consiste em controlar os atendimentos, exames e aplicação de medicação para cortar gostos. Para as internações, a redução é dos atuais 90% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para 60%. “O governo não está pagando nem mesmo os 60%, que dirá 90%”, reclama o provedor, fazendo uma analogia: “Se um ou dois alunos vão mal, o problema deve ser com eles. Mas quando toda a turma vai mal, o problema deve ser com o professor. Será que o secretário [estadual da Saúde] João Gabardo está agindo certo em um Estado com centenas de hospitais e santas casas fechando e reduzindo atendimentos?”, questiona.
Além de outros atrasos ao longo de 2015, que gradativamente foram quitados, a Santa Casa vem sofrendo com cortes de programas que mantinha com o Estado. São cerca de R$ 700 mil a menos sem estes convênios, o que agrava a situação. Com tantos problemas, os médicos, que também ficaram sem salários em 2015, estão atualmente com dois meses de atraso nos vencimentos e ameaçam parar o trabalho se não receberem até o dia 10 de fevereiro. Além disso, Lamas reclama que a tabela do SUS não cobre, efetivamente, os gastos que a instituição tem com os atendimentos.
“É preciso que se diga que esta decisão de reduzir os atendimentos não é momentânea. Vamos ficar assim até que seja corrigida a tabela do SUS e que o governo faça pagamentos dignos pelo trabalho que a Santa Casa e as instituições de saúde fazem a população”, alerta Lamas.
Ninguém fica sem atendimento
Apesar da situação de extrema gravidade, o provedor da Santa Casa garante que ninguém ficará sem atendimento. A ideia é encaminhar os casos simples para as 13 unidades básicas de saúde que existem em São Lourenço, somando cidade e interior. “Ninguém ficará sem atendimento. Nós vamos priorizar urgência e emergência, mas garanto, ninguém vai ficar sem atendimento. Não estamos fechando, mas sim reduzindo e controlando atendimentos”, explica ele, revelando que, por exemplo, um paciente que for atendido no Pronto Socorro (PS) poderá não receber medicamento e será encaminhado à um Posto de Saúde para tanto.
Sobre a proximidade do Carnaval, quando cresce a busca pelo PS, ele também tranquiliza a população, garantindo os atendimentos. Mas revela que os “bêbados da folia” poderão ser encaminhados a curar a bebedeira em casa.
Redator: Tradição Regional
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados