Sexta, 26 de junho de 2026, 07:04h
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Jacqueline Silva é bióloga e uma das coordenadoras do Plano de Enfrentamento à Microcefalia
O governo federal criou, no final do ano passado, o Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes e à Microcefalia, que está mobilizando o país para o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus, dentre diversas outras doenças.
A situação é inédita e colocou o mundo inteiro em alerta, sobretudo após a suspeita de milhares de casos e confirmação de ao menos 404 bebês que nasceram com microcefalia em 311 municípios de 14 estados, a maioria deles no Nordeste.
O problema levou o Ministério da Saúde a declarar Situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional. Desde então, uma campanha de âmbito nacional tenta erradicar o mosquito.
Ao longo dos anos, o mosquito encontrou no ambiente urbano um espaço ideal para sua proliferação. Uma das maiores dificuldades é a fácil adaptabilidade do Aedes. Ele prefere sair em busca de sangue pela manhã ou no final da tarde, porém caso não consiga, nada o impedirá de picar na noite também.
O Plano Nacional de Enfrentamento à Microcefalia trabalha em três frentes: prevenção e combate ao mosquito; melhoria da assistência às gestantes e crianças; e realização de estudos e pesquisas nessa área.
A intenção do Ministério da Saúde é inspecionar todos os domicílios e instalações públicas e privadas até o dia 29 de fevereiro. Para concluir essa meta, agentes comunitários da saúde, agentes de epidemiológicos e demais profissionais da saúde foram convocados para trabalhar na campanha.
Nos 22 municípios da Região Sul, o projeto ainda está em fase inicial com a instrução desses profissionais. Representantes da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) visitam os municípios e dão noções básicas do procedimento a ser adotado nas visitas às residências.
A primeira reunião do Plano de Enfrentamento à Microcefalia foi realizada em Canguçu, no dia 4, atingindo ainda agentes das cidades de Santana da Boa Vista e Morro Redondo. No dia seguinte, a instrução foi para os profissionais pelotenses.
Na quarta-feira (10), a 3ª CRS fez sua reunião em Piratini, com a participação de agentes comunitários de saúde e epidemiológicos de Pinheiro Machado e Pedras Altas. Já na quinta-feira (11), a reunião foi em São José do Norte.
Hoje (12) pela manhã, Arroio Grande está sediando a reunião com participação de profissionais de Pedro Osório, Cerrito e Herval. Durante a tarde, agentes de Jaguarão também serão orientados pela 3ª CRS.
São Lourenço do Sul, Cristal, Amaral Ferrador, Turuçu e Arroio do Padre terão sua reunião na próxima segunda-feira (15). Já Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, Chuí e Capão do Leão terão reuniões respectivamente nos dias 16, 17 e 19 deste mês.
A bióloga e uma das coordenadoras do Plano de Enfrentamento à Microcefalia, Jacqueline Silva, explica que apenas três municípios da Região Sul são considerados infestados pelo Aedes aegypti. “Pelotas, Rio Grande e São José do Norte já tiveram casos de infestação. Essa situação é registrada quando encontramos um foco do mosquito e dentro de um raio de 300 m encontramos demais focos”, explica.
Conforme Jacqueline, a maior preocupação está acerca de mulheres grávidas que, se picadas pelo mosquito contaminado pelo zika vírus, podem contrair a doença e causar problemas de gestação, podendo ocasionar em microcefalias nos bebês.
O agente de saúde Enilton Mendonça também dá sua contribuição. Com três décadas de experiência, ele integra a equipe da 3ª CRS, que visita os municípios. “Piscinas, pneus e até mesmo um banheiro desativado pode virar criadouro do mosquito. A recomendação é que as pessoas procurem observar quais são os locais onde o Aedes pode se proliferar”.
Canguçu receberá as Forças Armadas contra o Aedes aegypti*
Canguçu está na lista dos 32 municípios gaúchos que receberão militares das Forças Armadas nas ruas atuando na campanha contra o mosquito Aedes aegypti, a partir deste sábado (13). O Rio Grande do Sul receberá aproximadamente 18 mil militares que irão às ruas para distribuir material impresso com orientações para a população sobre como manter a casa livre dos criadouros do mosquito.
A ação ocorrerá simultaneamente em todo o país, com o total de 220 mil militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica mobilizados. A meta é visitar três milhões de residências em 356 municípios, incluindo todas as cidades consideradas endêmicas, de acordo com a indicação do Ministério da Saúde, e as capitais do país.
Essa será a segunda etapa da campanha contra o mosquito.
* Por Diego Vilela e com informações da Defesa Civil do Rio Grande do Sul
Aedes aegypti
- Mede menos de 1 cm
- Tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas
- Voa em altura média de 1,5 m acima do chão
- Se alimenta de sangue e costuma picar nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde
- Apenas a fêmea do mosquito transmite o vírus; Ela pica o hospedeiro infectado e leva o vírus na saliva
- O indivíduo não percebe a picada, pois no momento não dói nem coça
- É um mosquito doméstico e prolifera-se, especialmente, dentro ou nas proximidades de habitações e em recipientes onde há água limpa e parada
- Clima propício para reprodução: quente e úmido
- A cada três dias colocam 40 ovos de uma só vez
- É transmissor da dengue, febre amarela, zika vírus e chikungunya
Redator: Tradição Regional
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