Ter�a, 23 de junho de 2026, 23:15h
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Com custo bruto mensal de R$ 150 mil, os 10 leitos de UTI estão vazios desde o dia 1º de agosto e não há previsão de reabertura
Dez leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) adulta em perfeito estado estão sem receber pacientes desde o dia 1º de agosto na cidade. O diretor administrativo do Hospital de Caridade de Canguçu (HCC), Régis Silva, recebeu a reportagem do JTR na manhã de quinta-feira (18) para apresentar a situação em que se encontra a casa de saúde.
Dois dias antes, na terça-feira (16), uma vistoria feita nos serviços da Rede de Urgência e Emergência por técnicos do Ministério da Saúde, acompanhados da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), foi o primeiro passo de um longo caminho na busca pela liberação dos leitos. “Os representantes do Ministério da Saúde ficaram positivamente impactados pelo nosso Hospital, principalmente pela qualidade dos equipamentos eletromédicos e a estrutura física da UTI. É importante que o Ministério avalie as instituições com estrutura adequada, que é o nosso caso, para a realocação de recursos”.
A UTI adulta precisa, então, de financiamento para voltar a funcionar. O custo bruto mensal é de R$ 150 mil para despesas como material, medicamentos, nutrição, manutenção de eletromédicos, oxigênio, e laboratório de análises clínicas. O repasse por dia, para cada paciente de UTI, é de R$ 470. Há expectativa de que o valor seja reajustado para R$ 800. “Nossa grande luta é por esse complemento. Em um primeiro momento, a solicitação foi rejeitada pela Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (CAGE). Se a gente conseguir receber essa complementação, eu posso abrir a UTI amanhã”, vislumbra Silva. “A UTI não tem previsão de abertura enquanto não recebermos recursos suficientes para mantê-la. Com o complemento de diária, mais a produção mensal de internações, ela consegue se pagar”.
Renegociação de contratos
Com experiência de ter atuado no Hospital Universitário São Francisco de Paula e na direção do Pronto Socorro, ambos na cidade de Pelotas, o administrador Régis da Silva chegou ao HCC em março deste ano. Nestes cinco meses, o profissional fez um diagnóstico do cenário que encontrou e, desde então, lidera uma verdadeira reorganização com foco na gestão de pessoas para formação de equipe e de processos, para melhorar o encaminhamento das ações.
Ele afirma que está dedicando parte do trabalho para a renegociação de contratos do Hospital com fornecedores e prestadores de serviço. Contabilizando os novos acordos assinados com os setores de nefrologia e radiologia, manutenção de equipamentos eletromédicos, desinsetização, climatização e telefonia, entre outros, já representam uma economia de mais de R$ 100 mil mensais.
Serviços suspensos
Para as cirurgias eletivas, aquelas que não possuem caráter de urgência e podem ser agendadas, o contrato anterior permitia 240 consultas mensais, das quais resultavam em 30 cirurgias. O serviço foi interrompido em julho por falta de pagamento do governo do Estado. A 3ª CRS deverá indicar o município de Piratini para prestar o serviço. Os exames de laboratórios do Sistema Único de Saúde (SUS) chegaram a ser suspensos, mas foram retomados neste mês.
No Pronto Socorro (PS), apenas um médico plantonista está disponível de segunda a sexta-feira. Já aos sábados, domingos e feriados, dois médicos são permanentes. O diretor administrativo reitera à população que o PS seja procurado em casos de urgência e emergência, os quais precisam de atendimento imediato. Já as situações de baixa complexidade podem ser encaminhadas ao Posto de Saúde Central e Unidades Básicas de Saúde nos bairros.
Redução de atendimentos via SUS
Para garantir o caráter filantrópico, o HCC precisa oferecer, pelo menos, 60% de internações via SUS. O número hoje da porta de entrada, porém, chega aos 80%. O desafio é equilibrar a prestação de serviços públicos e privados. “Estamos avaliando serviço a serviço, a capacidade de atendimento do Hospital para alcançar os 40% de serviços privados, que são aqueles que pagam mais e que permitem o financiamento de medicamentos, insumos e alimentação”, diz Silva. O novo contrato com o Estado deverá ser assinado no mês de outubro.
O cenário em números
O contrato global assinado com o governo estadual, que poderá ser reajustado em outubro, prevê o pagamento de R$ 843 mil mensais. Deste valor, é descontada automaticamente a quantia de R$ 250 mil para financiamentos assinados com três bancos, sobrando menos de R$ 600 mil para a casa. Há ainda um atraso de repasse de R$ 391 mil por parte do Estado.
O contrato mensal com a Prefeitura de Canguçu repassa R$ 235 mil ao mês para serviços médicos, que custeiam parcialmente a anestesia e obstetrícia, e, desde agosto, integralmente os plantonistas do Pronto Socorro. O HCC pretende implementar um reajuste nos contratos com o município para a radiologia e a ultrassonografia.
Entre as dívidas contraídas, são R$ 2 milhões para a categoria médica e outros R$ 2 milhões acumulados nos últimos anos com energia elétrica para a CEEE.
Redator: Tradição Regional
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