Segunda, 22 de junho de 2026, 10:50h
Home Saude
De um lado, com os salários dos servidores em dia, no outro, com honorários médicos em atrasos. Essa tem sido a realidade constante da Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço do Sul nos últimos anos. Com as contas deficitárias, administrar a Casa é um desafio que requer planejamento das prioridades e diálogo com as partes.
Mesmo com as despesas sendo enxugadas já há vários anos, é difícil encontrar uma brecha para mais contenção sem afetar a qualidade na prestação dos serviços. “Nosso quadro de funcionários está dentro dos padrões aceitáveis para um hospital do nosso porte”, afirma o presidente da provedoria da Santa Casa, José Ney Lamas, mostrando a dificuldade em diminuir gastos. “O que investimos hoje é o essencial para a manutenção dos serviços”, continua.
Dívidas com o FGTS, imposto de renda e INSS ultrapassam a casa dos R$ 22,8 mil, e, mesmo parcelados, são um peso nas contas a pagar, interferindo diretamente na gestão dos recursos disponíveis, conforme analisa o provedor. Estado e município contribuem com repasses mensais à instituição, porém o Estado atrasa frequentemente o repasse, e ainda possui pendências do último mês de 2016. Dessa forma, o dinheiro oriundo do governo estadual, cerca de pouco mais de R$ 1 milhão, quando chega ao hospital, já está defasado.
Em 2013, houve um alento para os hospitais que atendiam mais que 80% pelo Sistema Único de Saúde (SUS): uma portaria estadual de Nº 122/12 estipulou uma complementação de recursos com vistas ao custeio para quem atendesse os critérios da norma. A Santa Casa de São Lourenço do Sul se adequou e foi contemplada com o financiamento estadual. Entretanto, os recursos nunca chegaram, apesar dos custos terem aumentados, o que gerou um déficit de mais de R$ 12 mil. A verba, que seria de R$ 409 mil mensais, nunca chegou. Porém, hoje, a Santa Casa contabiliza o prejuízo, uma vez que o aumento dos atendimentos via SUS não foram mais reduzidos, já que a cada ano aumenta a demanda.
Não há, segundo José Ney Lamas, um fechamento de contas se não acontecer a correção linear da tabela do SUS pelos serviços prestados - a correção não é efetuada há 18 anos. A maioria dos hospitais, assim como a Santa Casa, enfrentarão cada vez mais dificuldades, visto que a defasagem é de 40% do valor dos serviços prestados. “O déficit do custeio é o principal responsável pelo que vem acontecendo com as entidades que prestam serviços na área da saúde”, finaliza o presidente. Mesmo diante das dificuldades, neste momento não se cogita diminuição nos atendimentos ou nos serviços prestados, mas as dificuldades impedem novos investimentos, que seriam traduzidos em maior qualidade no atendimento à população.
Redator: Assessoria de Imprensa
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados